Jung e a individuação

Autora: Regina Nohra, pedagoga, psicóloga clínica hipnoterapeuta e diretora-presidente do Instituto
Milton Erickson de Petrópolis, filiado à Fundação Milton H. Erickson de Phoenix, Arizona.

O conceito básico da psicologia analítica, segundo Jung, é o processo de INDIVIDUAÇÃO. Neste texto pretendo me aproximar do conceito central da psicologia analítica, um dos grandes pilares de sustentação da teoria desenvolvida por Carl Gustav Jung (1875-1961).

Para Jung, o processo de individuação se realiza quando a consciência de um indivíduo se individualiza e se manifesta através da realização do si mesmo, do SELF.

Podemos considerar que o processo de individuação acontece, talvez, desde que nascemos, pois é um processo de autor realização, torna-se um ser indivisível, um ser individual, um ser onde se realiza em essência, ou seja, ele se transforma em uma unidade autônoma e indivisível se tornando uma totalidade. O principal foco da individuação é o conhecimento de si mesmo. Creio que este movimento de transdução de informação é um processo contínuo que o acompanha por toda vida.

A individuação se expande no campo espiritual da arte e da religião, mergulhando no íntimo da Alma, arrastando o mais sagrado, o mais puro, o mais amoroso, consagrando como o grande mistério da existência, o deus interior que se manifesta dentro de cada um de nós.

O processo de individuação procura tirar o indivíduo do isolamento, aproximando-o, projetando-o a uma convivência coletiva amorosa através do caminho de autoconhecimento que nos ensina a aprender a lidar com o negativo e o positivo.

Assim como o corpo precisa alimentar-se para desenvolver-se, a personalidade também necessita de experiências e aprendizagens para individuar-se. E, para isso, o Ego, que é dotado de uma função básica e fundamental segundo Jung, consiste na organização da Consciência, compondo de percepções, recordações, lembranças e pensamentos. O ser humano só poderá individuarse na medida em que o Ego for permitindo que as experiências recebidas se tornem parte da Consciência.

A Consciência e a Individuação caminham juntas, passo a passo, no desenvolvimento de uma personalidade, pois o início da Mente Consciente marca também o início do processo de Individuação.

A psicoterapia ocupa um papel significativo neste contexto, o analista é um expert nas técnicas, mas o analisado é expert nele mesmo. E, unidos em um estado amplificado de consciência, promovem amorosamente o processo de individuação, a seu tempo, a seu modo!

BIBLIOGRAFIA

Jung, C. G. (2011) A personalidade mana. Jung, C. G., O eu e o inconsciente, O.C., 7/2, parte II, cap. IV

Jung, C.G. (2011) Consciência, inconsciente, individuação. Em Jung, C.G., Os arquétipos do inconsciente coletivo, O.C., vol. 9/1

Von Franz, M-L. (2000) O processo de individuação. Em Jung, C. G. (org.), O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, cap. 3.

O que é Estoicismo?

Enfatizando virtudes e sua relevância filosófica:

Na antiguidade, o estoicismo se firmou como uma das corretes filosóficas mais influentes do helenismo. Essa escola de pensamento originou-se na cidade grega de Atenas próximo ao ano 300 a.C., embora seu fundador, Zenão, tenha sido um estrangeiro natural de Cítio (atual Lárnaca, na ilha de Chipre). As virtudes têm um peso norteador para os seguidores da doutrina, suas ações comprovam e evidenciam. O nome dessa escola originou-se do local em que esse pensador se reunia com seus discípulos, um pátio do espaço público destinado à discussão política em Atenas — a ágora. Ela nos deixa uma enorme relevância literária, ferramentas de pesquisa para o autoconhecimento e autodomínio do self. Para os estoicos era irrelevante a origem do indivíduo, apenas seus pensamentos e virtudes.

Princípios x Virtudes x Estoicismo x Atualidade:

Os princípios Estoicos se fazem presentes na vida cotidiana sem que a maioria das pessoas se dê conta que foram instituídos há 2300 anos. Uma citação, uma postura, um pensamento, por serem atemporais, são tão atuais.

Sendo assim, na visão do estoicismo (para o homem) a verdadeira felicidade só seria alcançada através de sua virtude, ou seja, os seus conhecimentos e valores, abrindo mão completamente do “vício”, considerado pelos estoicos um mal absoluto.

Que caminho percorrer para a verdadeira felicidade? Como encontrar propósito na vida? Como lidar com nossas emoções superando perdas profundas? A filosofia dos estoicos pode nos dar as respostas para essas perguntas. A popularização do Estoicismo se dá devido a forma como conduziram a implementação desta filosofia, em escolas ao ar livre, onde participação de todos era valorizada.

Cabe aqui uma reflexão, um paralelo, já que a vida contemporânea anda malcriada e nos assustando com distorções de princípios e valores que nem de longe nos lembra os valores estoicos. Qual é a dificuldade contemporânea em se deixar orientar por valores simples, reais, orgânicos? Como absorver culturas que se reforçam na superfície, na futilidade das emoções fugazes?

Desmistificar a formalidade da filosofia adequando à modernidade do que é essencial e completo, pode apontar um caminho. Sabemos que muitas outras escolas filosóficas inexistem e apenas se mantém como referência de pesquisa. Então qual é a razão do Estoicismo ainda hoje ter tamanha influência e seguidores? Pelo simples fato de se apoiar na praticidade e na razão.

Os seguidores da doutrina do Estoicismo são norteados por esses princípios filosóficos:

                    A virtude é o único bem e caminho para a felicidade:

Virtude: sinônimo de: Austeridade, Autocontrole, Autodomínio, Compostura, Discrição. Nos dias atuais nos comportamos roboticamente perante situações onde temos dificuldades na escolha entre o que nos faz bem em detrimento do que não agrega. Para os estoicos, elas (as virtudes) são os valores essenciais na filosofia, a âncora que direciona as ações. “Se, em algum momento de sua vida”, Marco Aurélio escreveu, “tu deves encontrar algo melhor do que justiça, verdade, autocontrole, coragem – deve ser algo realmente extraordinário”. Isso foi há quase vinte séculos. As descobertas que extraordinariamente surgiram desde então, transformando nosso senso de prioridades– automóveis, internet, avanço da Medicina, será que são melhores do que ser:

  • Corajoso?
  • Do que ter moderação e sobriedade?
  • Agir de forma prudente e assumir a responsabilidade sobre os seus atos?
  • Entender que o Prazer pode se tornar um inimigo sábio?
  • Os sentimentos externos tornam o ser humano um ser irracional e não imparcial?
  • O entendimento e a verdade?
  • Priorizar o conhecimento e o agir, desde que seja a razão sua norteadora?
  • O indivíduo precisa conviver e aceitar a sua vida da forma que ela é?
  • Aceitar que na vida o que acontece ao nosso entorno obedece a lei de causa e efeito?

Procurando responder à essas perguntas podemos nos surpreender com o que encontraremos como norteadores de vida, intenções escondidas e prioridades reprimidas.

Será que conseguiremos encontrar algo melhor em algum momento de nossa vida? Não creio! Mas, creio no desenvolvimento humano, creio na sabedoria interior que nos conduz e eleva. Os princípios, ensinamentos, reflexões, ponderações e pensamentos que apoiam nossas atitudes e vêm de séculos atrás, nos mostram ser mais atuais do que imaginamos.

A partir desses princípios é possível entender pessoa estoica sendo aquela que não se deixa levar por crenças, paixões e sentimentos que são capazes de tirar a racionalidade de uma pessoa na hora de agir, como desejos, dor, medo e prazer. Isso porque essas circunstâncias são infundadas e irracionais.

Nossos enfrentamentos e confrontos são a oportunidade de respondermos com essas 4 virtudes:

Coragem:

Se entendemos que a vida pode se assemelhar a um romance sombrio, que mutila o sentido e a intimidade com o estar vivo, entendemos também que de nós será cobrada a coragem para enfrentarmos o bem viver. Os estoicos podem ter direcionado isso de maneira um pouco diferente. Sêneca diria que ele se compadeceu de quem realmente nunca experimentaram o infortúnio.

 “Tu passaste a vida sem um oponente”, disse ele, “ninguém pode saber do que tu és capaz, nem mesmo tu. ”

Somos rotulados por categorias e quando não correspondemos aos rótulos carimbados sofremos. As situações e seu grau de complexidade nos afeta de formas diferentes e na maioria das situações respondemos com coragem, ou pelo menos é o que se espera de nós. Podemos pensar serem incômodas, trágicas, ou como perguntas transformadoras e reveladoras de quem somos nós.   As respostas serão a bússola do caminho a seguir.

Temperança:

Não podemos confundir coragem com bravura, pois a bravura pode se outorgar imprudência. A coragem se faz necessária para atitudes onde não arrisque a si e aos outros, colocando em perigo alguém ou alguma situação.

Neste momento Aristóteles se faz presente na metáfora famosa de uma “média de ouro” ou doutrina do meio termo, usando coragem como principal exemplo, sendo duas extremidades opostas onde em uma, havia o excesso de coragem que ele sabiamente define como imprudência e no outro cabia a covardia, que para ele se configura como falta de coragem.

Em que momento da vida nos perguntamos ou refletimos na falta ou excesso de coragem? Podemos pontuar precisamente onde ela se excedeu e onde se ausentou?

E se para nós a nossa coragem estiver definida de uma maneira e para outros se configurar imprudência? O que era necessário, o que solicitávamos então era uma média de ouro. A quantidade certa.

Não fazer nada em excesso é a premissa da temperança. Assertividade, na medida certa, sem excessos. Porque “somos o que fazemos repetidamente”, diz Aristóteles, “portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito”.

 Epicteto diria mais tarde, “a capacidade é confirmada e cresce em suas ações correspondentes, andando, andando e correndo, correndo; portanto, se tu quiserdes fazer alguma coisa, cria o hábito”.  

O querer anuncia uma intenção e com foco podemos ser felizes, bem-sucedidos, realizados, podemos sem esforço exagerado ou magia, fazer acontecer.

Justiça:

Não enfatizar a coragem procurando o equilíbrio nas atitudes, sabemos ser o pilar estrutural virtuoso desta filosofia, mas, nenhuma destas virtudes se sobrepõe à Justiça, ou seja, fazer a coisa certa!

 Parafraseando Marco Aurélio: ” A justiça é a fonte de todas as outras virtudes”. Os estoicos, ao longo da história, têm pressionado e defendido a justiça, com intuito de fazer grandes coisas e defender as pessoas e ideias que amavam.

  • “Catão deu a vida tentando restaurar a República Romana”.
  • “Trásea e Agripino resistiram à tirania de Nero”.
  • “George Washington e Thomas Jefferson formaram uma nova nação – uma que procuraria, ainda que imperfeitamente, lutar pela democracia e pela justiça – amplamente inspirada na filosofia de Catão e dos outros estoicos.”
  • “Beatrice Webb, que ajudou a fundar a London School of Economics e que primeiro conceituou a ideia de negociação coletiva, releu regularmente Marco Aurélio”.

É sabido que vários outros indivíduos ligados à política recorreram ao estoicismo quando não encontravam possibilidades de luta por ideais importantes, sempre acreditando verdadeiramente que se pode fazer a diferença (pensamento estoico).

Em pleno 2022, onde o mais é sempre mais e as virtudes estão conturbadas, Justiça é um tema duvidoso de se abordar perante as inúmeras faces do indivíduo e negação do fazer a coisa certa; mas, ainda creio na sensatez humana e no poder transformador da coletividade para o bem comum.

Na escala evolutiva subimos degraus em momentos diferenciados e sem julgamentos ou críticas, exercer a compaixão pelos que ainda não se conscientizaram da necessidade do aprendizado, do conhecimento, da coletividade é uma virtude.

E por fim, não menos importante, a Sabedoria. O que seria correto definir como sabedoria? Como a antiguidade se emparelha aos dias atuais? Será que conseguiremos nos equiparar a sabedoria da antiguidade? Como lidar com todo conhecimento armazenado na literatura?

Podemos nós, simples mortais, configurar o conhecimento ancestral com propriedade?

Sabedoria:

Sabedoria, sapiência ou sagacidade é a condição de quem tem conhecimento, erudição O equivalente em grego “sofia” é o termo que equivale ao saber; O termo encontra definições distintas conforme a ótica filosófica, teológica ou psicológica.

Qualidade, característica de quem é sábio ou do que é sábio. Grande instrução; ciência, erudição, saber. Essas definições provêm do dicionário convencional, significando sinônimos.

Mas para você o que significa ser sábio? Onde você acredita que usou de sua sabedoria? Com que objetivo?

 Zenão falava sempre que o homem recebeu dois ouvidos e uma boca para que desenvolvesse o hábito de ouvir mais do que falar. E o bônus de dois olhos, para nos policiarmos a observar, ter atenção para diminuir o que falamos. Os estoicos sempre valorizaram a sabedoria, o conhecimento.

Nos dias atuais, selecionar o que ouvimos, o que nos chega de informação é essencial, como no mundo antigo, pois existem inúmeras informações para serem acolhidas por nós, mas, confiável nem todas.

Você não pode aprender o que pensa que já conhece, disse Epicteto.

Saber procurar a quem entregaremos a confiança de nos ensinar se faz importantíssimo para a saúde do nosso aprendizado. A leitura tem o poder de nos transportar e apreender ludicamente as informações obtidas.

O objetivo não é apenas adquirir informações, mas a informação correta. São as lições encontradas em Meditações e também nos escritos de Epicteto. São os principais fatos, destacando-se do ruído externo, que você precisa absorver.

Podemos honrar o aprendizado (honrar a sabedoria estoica) que está disponível, há milhares de anos. Anos esses que nos traz uma visão exuberante e certifica que podemos aprender o que quisermos, tudo que pudermos alcançar, toda sabedoria que vc precisar para fazer a diferença.

Regina Nohra

Fontes:

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/os-estoicos.htm
https://www.google.com/search?q=Enfatizando+virtudes+com+breves+pinceladas+no+Estoicimo&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR972BR972&oq=Enfatizando+virtudes+com+breves+pince
https://www.significados.com.br/estoicismo/

SÊNECA. Sobre a ira / Sobre a tranquilidade da alma. Tradução, introdução e notas de José Eduardo S. Lohner. São Paulo: Penguin Classics; Companhia das Letras, 2014.

|2|SÊNECA. Sobre a brevidade da vida / Sobre a firmeza do sábio. Tradução e notas de José Eduardo S. Lohner. São Paulo: Penguin Classics; Companhia das Letras, 2017.

|3| EPICTETO. Encheiridion de Epicteto. Tradução do grego, introdução e comentário de Aldo Dinucci e Alfredo Julien. São Paulo: Annablume; Imprensa da Universidade de Coimbra. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10316.2/32825>. Acesso em 28 out. 2019.

|4| MARCO AURÉLIO. Meditações. Introdução, tradução e notas de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 1989.

O Campo Unificado da Consciência Rumo a uma teoria holoinformacional da consciência

Dr. Francisco Di Biase
Dept Neurocirurgia e Neurologia, Clínica Di Biase e Santa Casa, Barra do Piraí, Rio de Janeiro Dept Pós-Graduação, UGB Universidade Geraldo Di Biase, Volta Redonda, Rio de Janeiro, Brasil
Full Professor, Grand PhD, World Information Distributed University, Bélgica
Professor Honorário, Albert Schweitzer International University, Suíça
dibiase@terra.com.br

Abstract

 The author proposes a holoinformational model of consciousness based on the holographic theory of brain function developed by Karl Pribram, on the quantum brain microsites of Nobel Prize winner Sir John Eccles, and the quantum brain dynamics developed by Hameroff, Penrose, Jibu and Yasue. This conceptual framework is integrated to the quantum-holographic  theory of the universe of David Bohm, and the non-local information concept of the Quantum Field Theory of Umesawa. The concepts of negentropy, information and organization developed by Shannon, Wiener and Brillouin, and the theories of self-organization and complexity of Prigogine and Atlan are also revisited. Wheeler’s “it from bit” concept of a participatory universe and the new physics of information developed  by Zurek  with his algorithmic entropy, related to the number of bits in the mind of the observer are also considered.  This new synthesis gives a self-organizing quantum-holographic non-local informational basis for a holoinformational model of consciousness in a idivisible and participatory universe. In this synthesis, consciousness is conceived as a unified quantum informational field  interconnecting  brain and cosmos,  a holoinformational field, that has a  local/Newtonian mechanistic component - the classic neural networks- interconnecting brain and mind, and a non-local/quantum holistic component - the quantum holographic neural networks - interconnecting mind and cosmos.

Resumo
O autor propõe um modelo holoinformacional da consciência baseado na teoria holográfica do funcionamento cerebral de Karl Pribram, nos microsítios cerebrais quânticos de Sir John Eccles, ganhador do Prêmio Nobel, e na dinâmica quântica cerebral desenvolvida por Hameroff, Penrose, Jibu and Yasue. Esse arcabouço conceitual é integrado à teoria quântico-holográfica do universo de David Bohm, e ao conceito de informação não-local da teoria do campo quântico de Umesawa. Os conceitos de negentropia, informação e organization desenvolvidos por Shannon, Wiener and Brillouin, e as teorias da auto-organização e complexidade de Prigogine e Atlan são também revisitadas. A brilhante idéia do “it from bit” e o universo participativo de Wheeler, e a nova física da informação desenvolvida por Zurek com sua entropia algorítmica, relacionada ao numero de bits na mente do observador também são considerados. Essa nova síntese fornece uma base auto-organizadora informacional não-local quântico-holográfica para um modelo holoinformacional da consciência em um universo indivisível e partipativo. Nesssa síntese, a consciência é concebida como um campo unificado quântico informacional interconectando o cérebro e o cosmo, um campo holoinformacional que tem um componente local/newtoniano mecanicístico- as redes neurais clássicas – interconectando o cérebro e a mente, e um componente não-local/quantum holístico – as redes neurais quântico-holográficas – unindo a mente ao cosmos.

Palavras-chaves
Consciência, informação quântica não-local, redes neurais quântico-holográficas, teoria quântico-holográfica do universo, interconexão mente-universo.

Introdução

Estamos vivendo um momento especial na história da humanidade com a emergência de uma fantástica e integral cosmovisão integral [1] que permitiu compreendermos que nossa mente é uma consciência informational quântico-holográfica expandida e interconectada ao universo. Esta nova cosmovisão desencadeará e orientará um desenvolvimento tecnológico igual ao mundo “mágico”, de Arthur Clarke no qual não seremos mais capazes de diferenciar tecnologia de magia. Seremos criadores não só de células-tronco e nanobots, mas também de estrelas e galáxias É uma cosmovisão mais abrangente do que o paradigma quântico-relativista que emergiu no início do século XX que conecta todos os níveis do universo por meio do fenômeno da informação quântica não-local que interliga todos os sistemas de auto-organização cósmica. Nossa civilização vem compreendendo com uma velocidade espantosa todos os fundamentos científicos da geração de energia e matéria, e o controle da informação quântica que permite a geração e a evolução da vida. Mais recentemente, a consciência vem deixando de ser um mistério insolúvel graças à concepções como a de consciência holoinformacional que vimos publicamos nos ultimos 15 anos em conjunto com os Drs Karl Pribram e Richard Amoroso, nos USA e na Europa, e que sintetizamos neste artigo.
A teoria do campo quântico desenvolvida por Umesawa [1] com o conceito de informação não-local interconectando tudo no universo, desde a física e a química quânticas, à biologia quântica, à mente e à consciência quântica e à cosmologia quântica todas finamente sintonizadas para o aparecimento da vida [3] nos mostra que a evolução humana e a emergência da mente e da consciência são a consequência inevitável de um universo informacional inteligente. Este campo auto-organizador holoinformational inteligente está emergindo continuamente a partir de um plenum (não um vacuum) o campo quântico que permeia todo o cosmos com informação e energia quântica surgindo do nada a cada bilhionésimo de trilionésimo de segundo. Este campo quântico plenum é uma espécie de DNA cósmico disseminando informação ativa com significado que forma a realidade através de todo o universo, criando as galáxias, as estrelas e as supernovas que com suas fornalhas termonucleares de milhões de graus Celsius são geradoras dos átomos de carbono, nitrogênio e oxigênio que fundamentam todas as formas de vida. A assinatura deste campo in-formacional quântico não-local altamente sintonizado para a emergência da vida é tão fundamental para a evolução cósmica e o surgimento da vida e da consciência que deve ser visto como um princípio organizacional cósmico com um “status” igual à matéria, à energia e ao espaço-tempo, e como veremos, também à consciência.

Informação auto-organização e negentropia

 Chalmers [4] afirma que a  consciência e a informação é uma propriedade essencial da realidade, tal como a matéria e a energia, e que "a experiência consciente deve ser considerada uma característica fundamental, irredutível a qualquer coisa mais básica". Ele argumenta que cada estado informacional tem dois aspectos diferentes, um como experiência consciente, e o outro como processo físico no cérebro, ou seja, um interno / intencional, e outro externo / físico. Esta visão encontra suporte nos atuais desenvolvimentos da chamada "Física da Informação” , desenvolvida pelo físico Wojciech Zurek [5] e outros nos primeiros anos da década de 90, que desenvolveram a Teoria da Informação Quântica e demonstraram que além da Lei da Conservação da Energia há uma Lei da Conservação da Informação mais fundamental. Neste processo de desenvolvimento de uma nova Teoria da Informação Quântica, Zureck propôs que a entropia física seria uma combinação de duas grandezas que se compensam entre si: a ignorância do observador, medida pela clássica entropia estatística de Shannon, e o grau de desordem do sistema observado, medido pela entropia algorítmica que é o menor número de bits necessários para registrá-lo na memória. Durante a mensuração, a ignorância do observador é reduzida como resultado do aumento do número de bits na sua memória, permanecendo, no entanto, constante a soma destas duas grandezas, ou seja, a entropia física. 

Neste contexto, a equivalência/identidade entre ordem, entropia negativa e informação que foi desenvolvida por Brillouin em seu célebre teorema, é o caminho que nos permite desenvolver e compreender todo o fluxo irredutível e natural de transmissão de ordem no universo, organizado em um modo informacional significativo e inteligente. Na teoria termodinâmica clássica, a definição de ordem é probabilística e dependente do conceito de entropia, que mede o grau de desordem de um sistema, e que reduz em incerteza a imensa dimensão dos significados naturais. Para Atlan [6,7], e para nós, Di Biase [8,9,10,11,12, 13], “entropia não deve ser entendida como uma medida de desordem, mas muito mais como uma medida da complexidade”. Para se conseguir isso, é preciso considerar que informação implica uma certa ambiguidade, significando a capacidade em bits de um sistema físico como Shannon [14] coloca, ou o conteúdo semântico (o significado) conduzido pelos bits durante uma comunicação. Na teoria da informação clássica, a organização, a ordem expressa pela quantidade de informação no sistema (a função H de Shannon) é a medida de informação que nos falta, a incerteza sobre o sistema. Relacionando essa incerteza, essa ambigüidade, à variedade e à não-homogeneidade do sistema, Atlan [7] pode resolver certos paradoxos lógicos da auto-organização e da complexidade, ampliando a teoria de Shannon e definindo organização de um modo quantitativamente formal. Assim, Atlan demostrou que a ordem do sistema corresponde a um compromisso entre o conteúdo informacional máximo (isto é, a variedade máxima) e a redundância máxima do sistema, e mostrou também que a ambiguidade, a incerteza, pode ser descrita como uma função do ruído, ou mesmo do tempo se considerarmos o efeitos do tempo como relacionados aos fatores aleatórios acumulados pela ação do meio ambiente. Essa ambigüidade, que é peculiar aos sistemas auto-organizadores biológicos, pode se manifestar de uma forma negativa (“ambiguidade destrutiva”) com o sentido clássico de efeito desorganizador, ou de uma forma positiva (“autonomia produtora de ambigüidade”), que atua aumentando a autonomia relativa de uma parte do sistema em relação às outras partes, reduzindo a redundância natural do sistema e aumentando o seu conteúdo informacional. Atlan [7] desenvolveu esta teoria auto-organizadora para explicar a complexidade dos sistemas biológicos, e Di Biase [ 8,9] para explicar a complexidade dos sistemas neurais e a consciência como veremos a seguir.
Também Jantsch [15] estudando a evolução do universo demonstrou que a evolução cosmológica é também um processo de auto-organização, com a microevolução dos sistemas individuais (hólons) co-evoluindo para estruturas coletivas macrosistemicas melhor organizadas, com acentuada redução na quantidade destes sistemas coletivos. Todo este processo auto-organizador cósmico que culmina na geração de vida e consciência, representa na verdade, uma expressão universal de uma maior aquisição de variedade ou conteúdo informacional que é consequente à uma redução da redundância na totalidade do sistema.
Seager (16) afirma que consciência, auto-organização e informação, se conectam ao nível da significação semântica, não ao nível da “capacidade em bit”, e que “como a teoria clássica da informação se situa ao nível da ‘bit capacidade’, ela seria inapta para promover a conexão propria com a consciência … e temos que começar a nos mover em direção a uma visão mais radical da natureza fundamental da consciência, com um movimento em direção a uma visão mais radical da informação”. Seager nos lembra ainda que no clássico experimento quântico das duas fendas, e no experimento denominado ‘quantum eraser’, o que está em jogo não é a ‘bit capacity’, mas a correlação semanticamente significativa de sistemas físicos ‘distintos’, informacionalmente carregados (‘information laden’) de modo não-causal.

Conectando informação quântica à consciência e à física

Wheeler [17] percebeu a importância da informação em tal contexto. Com seu gênio, descreveu um elegante universo informacional-participativo que é o modelo mais brilhante e fundamental da interação cérebro-mente-cosmos já descrito na ciência da consciência. Com o seu famoso conceito “it from bit” ele une a teoria da informação quântica à consciência e à física:
“…cada coisa – cada particula, cada campo de força, mesmo o espaço-tempo continuum – deriva sua função, seu significado, sua verdadeira existência, inteiramente – mesmo que em alguns contextos indiretamente – do aparato-desencadeador-de-respostas às questões sim-ou-não, escolhas binárias, bits.” “It from bit” simboliza a ideia de que cada item do mundo físico tem no fundo – em um fundo muito profundo, na maioria dos casos – uma explicação e uma fonte imaterial; o que chamamos de realidade surge, em última análise a partir da colocação de questões sim-não e do registro de respostas equipamento-evocadas; em suma, que todas as coisas físicas são informação teórica na origem e este é um universo participativo “.
No mesmo artigo Wheeler [17] dá o exemplo de um fóton sob observação detectado por um fotodetector, quando perguntamos a questão sim-ou-não:
“Será que o contador registra um clique durante o segundo especificado?”. Se sim, muitas vezes dizemos “um fóton fez isso”. Sabemos perfeitamente que o fóton não existia nem antes da emissão nem depois da detecção. No entanto, também temos de reconhecer que qualquer conversa sobre o fóton “existir” durante o período intermediário é apenas uma versão ampliada do fato em si, um registro. O sim ou não que é gravado constitui um indivisível bit de informação “.
Há uma versão cosmológica do experimento de Wheeler com fótons emitidos por um distante quasar duplo que mostra que os fótons interferem uns com os outros, não só quando observados em laboratório, mas também quando emitido no cosmos em grandes intervalos de tempo. Foi observado um quasar duplo com a sua imagem-luz desviada por uma lente gravitacional formada por uma galáxia situada cerca de um quarto da distância da Terra. A distância adicional percorrida pelos fótons desviados por esta galáxia interveniente era de cinqüenta mil anos-luz a mais do que a distancia percorrida por aqueles que foram pelo caminho direto. Apesar de originados bilhões de anos atrás e chegando com um intervalo de 50 mil anos, os fótons interferem uns com os outros como se tivessem sido emitidos segundos antes no laboratório.
Wheeler desenvolveu esta perspectiva do “it form bit” ao estudar a unificação das teorias de gravidade quântica em buracos negros, e afirmou que devemos entender informação quântica como mais fundamental do que a energia, matéria e espaço-tempo.
Isto tem relevância para estudos sobre a consciência pois, entendemos tambem a consciência como informação quântica no momento mesmo de sua criação, sendo ambas ( consciência e informação) uma propriedade fundamental do universo tal como a energia, a matéria e o espaço-tempo.
Portanto , neste contexto definimos tanto informação quântica quanto consciência como propriedades não-locais, intrínsecas e irredutíveis do universo capazes de gerar ordem, auto-organização e complexidade, que devem ser compreendidas com um status igual à energia, à matéria, e ao espaço-tempo, pois consciência, como já afirmamos, é informação quântica no momento mesmo de sua geração. Doug Matzke [18] afirma também que devemos aceitar a dualidade energia / informação para estados quânticos e consciência. Segundo ele, “os aspectos aparentemente paradoxais da consciência se tornam mais compreensíveis com a adoção dessa dualidade energia/informação, assim como no início deste século a dualidade partícula/onda foi iluminadora para compreender a física “…” Ao compreendermos estados quânticos como sistemas informacionais, a dualidade energia/informação é exposta. A natureza correspondente do espaço-tempo quântico suporta comportamentos não-locais. Leis de informação quântica formam uma rede consistente que criam todos os campos, partículas e até mesmo o espaço-tempo “.

O conceito de informação quântica não-local, sendo tão ou mais fundamental do que a energia, a matéria e o espaço-tempo, fundamenta não só a Teoria da Informação Quântica descrita no começo dos anos 90, mas também a Teoria Holoinformational do Campo Unificado da Consciência que propomos abaixo conectando “tudo o que está em cima a tudo o que está em baixo”, e unindo as filosofias das tradições espirituais da humanidade e a moderna física quântica.

O Código Cósmico
O que auto-organiza significativamente a evolução cósmica é a relação entre a entropia física e conteúdo informacional não-local quântico-holográfico do universo, através de um processo no qual a complexidade usando o conteúdo informacional pré-existente atinge níveis cada vez mais elevados de organização e variedade.
A complexidade no universo cresce gradualmente, a partir da Cosmosfera com a gravidade e as forças nucleares, com a informação armazenada nas estruturas atômicas. Intensifica-se com o surgimento dos sistemas macromoleculares auto-organizadores da Biosfera, com a informação armazenada nos código genético do DNA. E atinge um estado antientropico de complexidade, e de variedade e conteúdo informacional altamente elevados, com o surgimento da Noosfera e o código neural da mente com a informação armazenada nas redes neurais clássicas. Mas hoje sabemos que a evolução cósmica não para aí, e depende tambem da Consciênciosfera com seu código informacional não-local de interconexão consciência-universo cuja informação está armazenada nas redes quântico-holográficas do cérebro e na organização informacional não-local quântico-holográfica do cosmos. Esta rede universal de informação quântico-holográfica não-local distribuída universalmente conecta nossa consciência ao cosmos quântico-holográfico. É um desdobramento quântico informacional não-local que auto-organiza a matéria, a mente, a vida e a consciência de modo significativo, cujo arcabouço conceitual é a teoria quântico- holográfica do universo de David Bohm[20]. Esses códigos informacionais, esta ordem não-local transmitida de forma ativa, significativa e inteligente e instantânea através de todos os níveis de complexidade do universo, é a propria natureza auto-organizadora neguentrópica da consciência-informação, uma dimensão física e irredutível do cosmos com um status igual à energia, à matéria e ao espaço-tempo.

Consciência e não-localidade

Adicionando em suas equações um Potencial Quântico que satisfaz à equação básica da física quântica, a equação de Schrödinger, mas que é dependente da forma, e não da amplitude da função de onda, Bohm (20) desenvolveu um modêlo determinista, em que o potencial quântico, conduz “informação ativa” que “guia” a partícula em seu caminho. O potencial quântico possui características inéditas, pois diferentemente das outras forças da natureza não decai com a distância. Esta interpretação permite que a comunicação entre esta ‘onda-piloto’ e a partícula, se processe a uma velocidade maior do que a da luz, desvelando o paradoxo quântico da não-localidade, ie, da causalidade instantânea, fundamental em nossa visão holoinformacional da consciência. Este paradoxo, hoje exaustivamente comprovado, desde os primeiros experimentos de Alan Aspect nos anos 80, revela a existência de uma unidade cósmica informacional subjacente indivisível.
Informação quântica não-local é um processo fundamental da natureza, capaz de atuar modificando a estrutura do universo, pois qualquer partícula elementar se encontra unida, por meio de um potencial quântico, a todo o cosmos.
Para Bohm [21], diferentemente de Bohr, as partículas elementares não têm uma natureza dual onda/partícula, mas são partículas todo o tempo, e não somente quando são observadas. Na verdade, a partícula se origina de flutuações do campo quântico global, sendo seu comportamento determinado pelo potencial quântico, “que conduz informação sobre o meio ambiente, informando e orientando o seu movimento. Como a informação no potencial é muito detalhada, a trajetória resultante é tão extremamente complexa que parece caótica ou indeterminística”, afirmam Bohm e Peat [22]. Qualquer tentativa de mensurar as propriedades da partícula, altera o potencial quântico, destruindo sua informação. Como observou John Bell [23]
“a idéia de De Broglie-Bohm parece tão natural e simples, para resolver o dilema onda-partícula, de um modo tão claro e natural, que é um grande mistério… que ela tenha sido tão amplamente ignorada”.
Na teoria holográfica, de Bohm [24] como nenhum campo organizava a ordem implícita, ela era consequentemente linear e de difícil desdobramento. Mas Bohm afirma que a ordem implícita é uma função ondulatória, e a ordem superimplícita ou campo informacional superior, uma função da função ondulatória, ie, uma função superondulatória, que torna a ordem implícita não-linear, organizando-a em estruturas complexas e relativamente estáveis. Alem disto, ele coloca que o modelo holográfico como modo de organização da ordem implícita, dependia do campo potencial de informação quântica que não possuia capacidade de auto-organização e transmissão da informação , essencial para a compreensão da gênese e desenvolvimento da matéria, vida e consciência. A ordem superimplícita supre esta necessidade, “permitindo entender a consciência a energia e a matéria como variedades de expressão de uma mesma ordem holoinformacional” [Bohm]. Resulta então que:
A consciência desde os primórdios da criação já estaria presente nos diversos níveis de desdobramento da natureza.

Organismos e Cérebros são Sistemas Quânticos Macroscópicos

No mundo vivo a informação não-local está presente tal como no nível quântico e na escala cósmica. Em organismos vivos a coordenação de funções em seu interior é garantida pela coerência quântica não-local, como podemos ver na correlação instantânea entre partes e moléculas e também entre o organismo e o meio externo. Esta transferência de informação quântica instantânea é observada em moléculas orgânicas em estados quânticos emaranhados (entanglement), e no tunelamento quântico, em condensados Bose-Einstein, e em estados de superradiância que ocorrem em estruturas cerebrais como os microtúbulos, as sinapses e o líquido cefalorraquidiano. De acordo com Erwin Schrödinger em seu livro seminal What is Life? [25], em organismos vivos devemos substituir o conceito de ordem mecânica que produz ordem a partir da desordem, pela noção de ordem dinâmica, que produz ordem a partir de ordem, de organização complexa e informação. Esta diferença entre ordem mecânica e dinâmica, de acordo com o proprio Schrödinger foi proposta inicialmente por Max Planck, que fez essa distinção em um pequeno trabalho entitulado The Dynamic and Statistical Type of Law (cf.meu paper Auto-Organização em Sistemas Biológicos[8]). Esse tipo de ordem informacional não-local “dinâmica” explica a matéria viva, mas hoje sabemos que ela não se baseia somente em colisões e interações moleculares mecânicas casuais, mas em um abrangente sistema de correlações não-locais envolvendo até mesmo partes distantes que não teriam tempo para se misturar em um processo mecânico. Esta coerência orgânica só é possível através da mobilização de energia longe do equilíbrio termodinâmico. Mae-Wan Ho [26] sugere que o organismo se mantem em um estado neguentrópico através da superposição de um processo cíclico não dissipativo com equilíbrio entrópico zero, e um processo dissipativo irreversível com produção de entropia maior do que zero. Segundo ela o acoplamento do circuito (loop) não dissipativo cíclico com o circuito de energia irreversível liberta o organismo vivo das restrições termodinâmicas imediatas.
Mas como uma mente quântica auto-organizadora consegue superar a decoerência quântica e manter um estado coerente persistente por um longo tempo, à temperatura ambiente? Ho [26] vem demonstrando que “multiplas camadas de moléculas de água cristalina líquida altamente polarizadas formam unidades dinamicamente coerentes com as macromoléculas, lhes permitindo funcionar como máquinas de energia molecular quântica que transformam e transferem energia com aproximadamente 100 por cento de eficiência. Este contínuum líquido-cristalino de água polarizada e macromoléculas intimamente associados se estende por toda a matriz extracelular até o interior de cada célula, permitindo que cada célula, em última análise, cada molécula, se intercomuniquem umas com as outras “.
Este processo conhecido como superrradiância quântica também está ocorrendo todo o tempo nos microtúbulos neurais, conforme demonstrado por Hameroff e Penrose [ ]
Dejan Rakovic [27], no artigo Quantum-Holographic and Classically-Reduced Neural Networks can Model Psychosomatic Functions mostra como redes neurais quantum-holográficas e redes neurais clássicas podem modelar funções psicossomáticas: “O paradigma científico vigente considera o processamento de informações dentro do sistema nervoso central, como ocorrendo através de redes neurais hierarquicamente organizadas e interligadas. No entanto, parece que essa hierarquia de redes neurais biológicas desce até ao nível do citoesqueleto sub-celular, sendo de acordo com alguns cientistas uma espécie de interface entre os níveis neurais e quântico. Ao mesmo tempo, verificou-se que na versão do propagador de Feynman da equação de Schrödinger, o nível quântico é descrito por um formalismo matemático análogo ao das rede neurais associativas quântico-holográficas, do tipo Hopfield (Hopfield-like). A analogia mencionado abre uma questão fundamental adicional sobre o modo como o nível de processamento paralelo quântico dá origem ao nível de processamento paralelo clássico, que é um problema geral da relação entre os níveis quântico e clássico na teoria de decoerência quântica. A mesma questão está intimamente relacionada à natureza fundamental da consciência, cujas manifestações in-determinísticas de livre arbítrio e outras manifestações holísticas de consciência como estados de transição de consciência, estados alterados de consciência, e consciência permeando o corpo – implica necessariamente que algumas manifestações da consciência devem ter origem quântica mais profunda, com implicações psicossomáticas significativas “.

Interconexão da Dinâmica Neural Quântico-Holográfica com as Redes Neurais Computacionais Clássicas

Está muito bem estabelecido experimentalmente hoje que as moléculas de clorofila responsáveis pelo processo de fotossíntese, que transforma fótons de luz em energia química nas plantas, realiza esta interconexão com eficiência extraordinária, em cerca de 750 femtossegundos, comparado aos 1 a 1,5 femtossegundos que é a frequência das vibrações das ligações químicas. Isto ocorre devido à ação de uma proteína denominada proteína antena que se liga à molécula de clorofila sustentando o estado de coerência quântica e suprimindo a decoerência, por meio da reindução da coerência na partes decoerentes da molécula de clorofila [28]. Isto nos mostra que a capacidade de suprimir decoerência à temperatura ambiente é um processo comum na natureza. Assim, a capacidade de suprimir a decoerência quântica deve ser visto como um processo natural no cérebro, sendo possível que os neurônios e as células da glia possam sustentar um estado quântico coerente por milissegundos no complexo sistema celular e sua organização molecular repleta de macromoléculas de proteínas, pequenas moléculas, íons e água. Sabemos que na vizinhança destas macromoléculas existe água ordenada, e que as proteínas com uma cavidade na sua estrutura tridimensional podem reter uma ou algumas moléculas de água por meio de ligações de hidrogénio. Estudos de computação química quântica demonstraram que as moléculas de água ordenadas no interior das proteínas ou entre duas proteínas separadas por 12 a 16 angstrons permite a ocorrência de transferência quântica coerente de elétrons [29]. Esta coerência quântica pode se propagar através de transferência de informação não-local no sistema nervoso e no corpo por entrelaçamento quântico e superradiância. Como sistemas biológicos auto-organizados esses sistemas moleculares têm uma redundância estrutural e funcional muito elevada que facilita a interconexão não local entre todas as partes.

In-formação em Estruturas Dissipativas Auto-organizadoras

Ilya Prigogine [30,31] laureado com o Prêmio Nobel, desenvolveu uma extensão auto-organizadora da termodinâmica que demonstra como a segunda lei pode permitir o surgimento de novas estruturas, e indica as formas como a ordem pode emergir do caos. Este tipo de auto-organização gera estruturas dissipativas que são criadas e mantidas através de trocas da energia com o ambiente em condições de não-equilíbrio. Estas estruturas dissipativas são dependentes de uma nova ordem, chamada por Prigogine “ordem por flutuações”, que corresponde a uma “flutuação gigante” estabilizada pelas trocas com o meio ambiente. Nestes processos auto-organizadores a estrutura é mantida por meio de uma dissipação de energia que se desloca, gerando simultaneamente (in-formando) a estrutura através de um processo contínuo. Quanto mais complexa a estrutura dissipativa, mais informação é necessário para manter suas interligações, tornando-se, consequentemente, mais vulnerável às flutuações internas, o que significa uma mais elevada instabilidade potencial e maiores possibilidades de reorganização. Se as flutuações são pequenas, o sistema acomoda-as, e não altera a sua estrutura organizacional. Se as flutuações atingirem no entanto um tamanho crítico, podem causar um desequilíbrio no sistema, gerando novas interacções intra-sistémicas e reorganizações. “Os velhos padrões interagem entre si de novos modos, e estabelecem novas conexões. As partes se reorganizam em um novo todo. O sistema alcança uma ordem superior ” [30]. Esta termodinâmica das estruturas dissipativas auto-organizadoras elaborada por Prigogine quando aplicada à auto-organização do funcionamento cerebral permite compreendermos o cérebro como um computador quântico-dissipativo consciente auto-organizador.

Consciência auto-organização e In-formação

Pribram [32,40-45] demonstrou que os campos de atividade neural distribuída no córtex cerebral são padrões de interferência de ondas capazes de gerar sistemas holográficos quando analisados por meio das transformações de Fourier e das equações holográficas de Gabor. A equação de onda da rede neural de Pribram é semelhante à equação de onda de Schrödinger da física quântica com a adição do potencial quântico de Bohm.
Qualquer campo ou partícula elementar é unido a todo o cosmos através de um potencial de informação quântica não-local ativo sendo capaz portanto de alterar a estrutura fundamental quântico-holográfica do universo. Esta In-formação como afirma Stonier[33,34] pode ser então entendida como um processo fundamental da natureza, tal como já colocamos. A informação não-local “ativa” proposta por Bohm organiza o universo quântico-holográfico e mostra que toda a natureza é organizada de um modo “significativo”. Em nosso cérebro, este processo informacional é ao mesmo tempo quantum-holistico, baseado em campos neurais quântico-holográficos não-locais distribuídos, e local clássico newtoniano-mecanicista, com redes neurais clássicas. Assim, como venho propondo nos últimos anos [Di Biase,11,13], trata-se de um campo ao mesmo tempo local e não-local, ie, holoinformational.
Este ponto de vista é fundamental para entender a natureza informacional da consciência e da inteligência no universo [12]. Energia, matéria, vida e consciência são atividades significativas, processos quânticos-informacionais inteligentes, ordem transmitida através da evolução cósmica, originada a partir de um campo quântico informacional não-local gerador, além de nossos limites de percepção.
Um universo plenum de potencial quântico informacional não-local com significado (com informação ativa) é um universo inteligente funcionando como uma mente, como Sir James Jeans já havia observado. Assim, como a consciência sempre esteve presente em todos os níveis de organização da natureza, a informação, a energia, a matéria, a vida e a consciência não podem ser consideradas como entidades separadas, e analisadas com um arcabouço fragmentador cartesiano-newtoniano. Com efeito, a consciência deve ser considerada uma propriedade fundamental do universo [12,13], tal como a informação, a energia, a matéria e o espaço-tempo, e deve ser vista como informação quantica não-local irredutível, distribuída de modo holístico por todo o cosmo, e, simultaneamente, como informação local newtoniana mecanicista nos cérebros, sendo capaz de gerar auto-organização, complexidade, inteligência e evolução. Esta visão de um “continuum” inteligente holoinformational, uma ordem geradora fundamental com um fluxo criativo informacional quântico-holográfico permeando todo o cosmos, permite compreender a natureza do universo como uma totalidade indivisível auto-organizadora inteligente. Uma espécie de consciência universal se desdobrando em uma holoarquia infinita.
Como todo sistema quântico-holográfico distribuído não-localmente, esta consciência universal está distribuída nãolocalmente por toda a cosmosfera, do mesmo modo que a radio e a TV difusão (broadcasting) é distribuída holograficamente sobre nossas cabeças por todo o planeta. Nossa mente quântico-holográfica como parte ativa e não-local deste sistema universal holograficamente distribuído contém a in-formação ativa de todo o cosmos indivisível desde sua origem [Di Biase, 9,10] .

O Dualismo Interativo de Eccles e o Monismo Ontológico de Pribram

Sir John Eccles [35-39] descreveu no cérebro estruturas de fibras finas que denominou dendrons, compostas de sinapses e o conjunto de conexões formadas pelas redes pós-sinápticas dendriticas, que ele postulou poderiam interagir com o lado mental da interação cérebro-mente por meio de unidades que ele denominou de psychons. Propôs que esses psychons poderiam operar nas sinapses através de processos quânticos, e com Beck [36] desenvolveu uma elegante e lógica interpretação quântica da função sináptica.
Karl Pribram [44-45], demonstrou que os dendrons de Eccles formam campos receptivos sensoriais corticais, que “como campos receptivos sensoriais podem ser mapeados em termos de ondas, ou padrões wavelet-like, tal como Funções Elementares de Gabor. Dennis Gabor (1946) chamou essas unidades Quanta de Informação. A razão para este nome é que Gabor usou a mesma matemática para descrever as suas unidades, que Heisenberg usou para descrever as unidades da microfísica quântica. Aqui eles definem a unidade estrutural de processos que ocorrem no cérebro material. No entanto, Gabor inventou sua função, não para descrever os processos cerebrais, mas para encontrar a compressibilidade máxima de uma mensagem de telefone que pudesse ser enviada através do cabo Atlântico sem destruir a sua inteligibilidade. A função de Gabor descreve, assim, tanto uma unidade de processamento do cérebro quanto uma unidade de comunicação. Cérebro é material, e comunicação é mental. A mesma formulação matemática descreve ambos. A estrutura elementar de processamento no dendron material de Eccles é idêntica à estrutura elementar de processamento do psychon mental (comunicação). Existe uma identidade estrutural no processo interactivo dual”.

Pribram [44-45] propõe uma base monista para o dualismo de Eccles, mostrando que “há uma dualidade interativa mente/matéria que é um “solo” do qual tanto a matéria quanto a mente são “formados”e o “dual” emerge. Este solo funciona como uma realidade potencial semelhante ao mundo potencial de Heisenberg. Para Pribram, “Este fluxo se concretiza no espaço-tempo… e fornece as raízes ontológicas a partir das quais nossa experiência com relação à matéria, assim como à mente torna-se atualizada no espaço-tempo”.
Para iluminar esta alegação, Pribram relata a seguinte história: “Uma vez, Eugene Wigner observou que na física quântica não temos mais observáveis (invariantes), mas apenas observações. Com a pergunta na ponta da lingua, indaguei se isso significava que a física quântica é realmente psicologia, esperando uma resposta ríspida à minha arrogância. Em vez disso, Wigner irradiou um feliz sorriso de compreensão e respondeu: “Sim, sim, isso é exatamente correto”. Se realmente se quer tomar o caminho redutor, acaba-se na psicologia, e não em partículas. Na verdade, é um processo psicológico, a matemática, que descreve as relações que organizam a matéria. Em um sentido não-trivial a física atual está enraizada tanto na matéria quanto na mente. A comunicação depende de ser incorporada, instanciada em algum tipo de suporte material. Esta convergência da matéria sobre a mente, e da mente sobre a matéria, dá credibilidade à sua raiz ontológica comum. Minha alegação é que esta raiz, embora limitada por medidas no espaço-tempo, precisa de uma ordem mais fundamental, uma ordem potencial que está subjacente e transcende o espaço-tempo. A base espectral de ambos, matéria e comunicação, retratada pela relação de Fourier delinea essa alegação.
Como o cérebro tem a capacidade de funcionar tanto no modo não-local quântico-holográfico como no modo local clássico newtoniano espaço-temporal, acreditamos que estamos lidando aqui com algum tipo de complementaridade semelhante à de Bohr, no funcionamento do sistema nervoso central.

A teoria holonômica do cérebro de Pribram [32] e a teoria quântico-holográfica de Bohm[19], acrescidas com o campo akashico de Laszlo [2], mostra que somos parte de algo muito mais vasto do que nossa mente individual. Nossa mente é um subsistema de um holograma universal, acessando e interpretando este universo holográfico. Somos sistemas harmônicos holográficos fractais interagindo continuamente com essa totalidade indivível auto-organizadora. Somos este campo holoinformational de consciência, e não observadores externos a ele. A perspectiva de observadores externos gerou o hard problem de Chalmers e nos fez perder o sentido e o sentimento de unidade ou identidade suprema, gerando as imensas dificuldades que temos na compreensão de que somos um com o todo e não parte dele.

O Campo Unificado da Consciência
Neste modelo holoinformacional da consciência o fluxo quantum-informacional não-local em um contínuo holomovimento de expansão e recolhimento entre o cérebro e a ordem implícita de Bohm, é a Consciência Universal se auto-organizando como mente humana. Esta Consciência Cósmica não-local quântico-holográfica é o próprio universo se manifestando por meio de nossa mente, se vendo a si mesmo através de nossos olhos, tomando consciência de si mesmo por meio de nossa consciência, interconectando de um modo holístico indivisível e participatório o cérebro humano a todos os níveis do multiverso auto-organizador[46].

A Dinâmica Quântica Cerebral
Estudos experimentais desenvolvidos por Pribram[42] e outros pesquisadores como Hameroff e Penrose[48], Yassue e Jibu [49,50] confirmaram a existência de uma dinâmica cerebral quântica, nos microtúbulos neurais, nas sinapses e na organização molecular do líquido céfalo-raquidiano, e na matriz do meio intracelular, desvelando a possibilidade de formação de condensados Bose-Einstein e a ocorrência do Efeito Frohlich nestes sistemas. Os condensados Bose-Einstein consistem de partículas atômicas ou, no caso do Efeito Frohlich, de moléculas biológicas que assumem um elevado grau de alinhamento informacional, funcionando como um estado altamente unificado e ordenado, tal como ocorre nos lasers e na supercondutividade. Também os psychons de Sir John Eccles [36,39] operam nas sinapses por meio de processos de coerência quântica. Esta dinâmica quântica nos mostra que a interação entre os dendrons de Eccles ( o lado físico cerebral) e os psychons ( o lado mental) não são limitados à fenda sináptica , como colocado por ele , mas tem uma distribuição muito mais ampla por todo o cérebro.
Jibu, Yasue e Pribram[42,49,50] desenvolveram uma dinâmica quântica cerebral que é de natureza quântico-holográfica, ou como Pribram prefere, holonômica, baseada no conceito de logon, ie, na função (wavelets) de Gabor, e nas transformações de Fourier, mas não extenderam suas idéias além do cérebro. Com base nas pesquisas desenvolvidas por estes autores desenvolvemos o modelo holoinformacional da consciência em que o universo não-local quântico-holográfico e a estrutura não-local quântico-holográfica da consciência são concebidos interligados continuamente constituindo uma unidade, tal como na concepção de mônadas de Leibnitz. Em sua Monadologia, Leibnitz afirma que cada mônada, tal como um pequeno espelho, reflete todo o universo. Norbert Wiener também acreditava nessa maneira holográfica de se compreender o universo, em que cada parte contém a infoemação do todo, como vemos em sua afirmação: “Esse espelhamento é melhor compreendido como um paralelismo, incompleto é verdade, entre a organização interna da mônada e a organização do mundo como um todo. A estrutura do microcosmos corre paralela àquela do macrocosmos (Wiener, Back to Leibnitz).
Acredito que o imenso padrão de interferência de todo o universo, incorporando todas as relações de fase, no que Bohm denomina Ordem Implícita, faça com que cada organismo seja um reflexo de todo o universo tal como uma mônada leibnitziana. Pribram afirma que, além de cada organismo refletir o universo, é possível que o universo esteja refletindo cada organismo que o observa (comunicação pessoal). Em minha visão holoinformacional que se baseia nos conceitos quântico-holográficos de Pribram e Bohm, cada consciência está continuamente refletindo o todo e o todo está refletindo cada consciência, por meio de um fluxo holoinformacional, e uma holoarquia dinâmica infinita, que é distribuída fractal e auto-referencial.

Os estudos de Jibu and Yasue [49, 50] sobre dinâmica quântica cerebral revelam que “a dinâmica cerebral consiste de dinâmica quântica cerebral (i.e. modo quântico) e dinâmica cerebral clássica (i.e. modo clássico)” e que “ a dinâmica quântica cerebral é o processo fundamental do cérebro baseado na dinâmica do campo quântico dos campos vibracionais moleculares das moléculas de água e das biomoléculas.” De acordo com eles [50], Umesawa introduziu na dinâmica quântica cerebral a noção de que “ o quanta do campo vibracional molecular das biomoléculas são corticons, e o quanta do campo molecular vibracional das moléculas de água são bósons de troca”. A coerência quântica pode se propagar através destes campos vibracionais das biomoléculas e das moléculas de água por meio de transferência de informação não-local, entrelaçamento quântico, e superradiancia . O modelo quântico dissipativo cerebral é a extensão da dinâmica dissipativa proposta em 1967 por Ricciardi and Umezawa[51,52]. Além disto, os padrões de excitações neuronais podem ser descritos pelo formalismo de quebra espontânea de simetria da Teoria do Campo Quântico. Umezawa[52] afirma que “ Em qualquer material em física de matéria condensada qualquer informação particular é carreada por certos padrões ordenados mantidos por certas correlações de longo alcance e mediada por quanta sem massa. Parece que este é o único modo de memorizar alguma informação; memória é um padrão impresso de ordem mantido por correlações de longo alcance”.
Nos últimos anos, Amoroso, Rauscher e Kaufman[53,54,55) e Amoroso e Di Biase[10] vêm propondo a existência de um Multiverso Holográfico Antrópico altamente sintonizado para a geração de vida e consciência holoinformacional, que conteria em um modo holográfico-dinâmico toda a informação do universo permitindo, tal como Einstein sonhava, conhecermos a mente de Deus.
A maravilhosa metáfora budista da Rede de Indra do Avatamsaka Sutra[56], escrita há 2500 anos, reflete em sua poesia a natureza holográfica infinita do universo:
Far away in the heavenly abode of the great god Indra, there is a wonderful net which has been hung by some cunning artificer in such a manner that it stretches out indefinitely in all directions. In accordance with the extravagant tastes of deities, the artificier has hung a single glittering jewel at the net’s every node, and since the net itself is infinite in dimension, the jewels are infinite in number. There hang the jewels, glittering like stars of the first magnitude, a wonderfull sight to behold. If we now arbitrarily select one of these jewels for inspection and look closely at it, we will discover that in its polished surface there are reflected all the other jewels in the net, infinite in number. Not only that, but each of the jewels reflected in this one jewel is also reflecting all the other jewel, so that the process of reflection is infinite

Segundo Francis Cook [56] esta metafora “ mostra um Cosmos com uma infinita interrelação entre todas as partes, cada uma definindo e mantendo todas as outras . O Cosmos é um organismo auto-referente, auto-mantenedor e auto-criador. É também não-teleológico, porque não existe um início do tempo, nem um conceito de criador, nem um questionamento sobre o propósito de tudo. O universo é concebido como uma dádiva , sem hierarquia: ele não tem um centro, ou talvez se existe um, está em todo lugar”.

Referencias

  1. Di Biase, F., Amoroso, R. L. (eds.) A Revolução da Consciência. Novas Descobertas sobre a Mente no Século XXI. Editora Vozes, Rio, Brasil, 2005.
  2. Umezawa H., Advanced Field Theory, AIP Press, New York, 1993.
  3. Laszlo, E., The Connectivity Hypothesis, SUNY Press, 2003
  4. Chalmers, D. J., The puzzle of conscious experience, Scientific American, 1995, Dec .
  5. Zurek, W. H. (ed.), Complexity, Entropy and the Physics of Information, Santa Fé Institute Studies in the Science of Complexity, Vol. 8, Addison-Wesley, Redwood City CA, 1990.
  6. Atlan H., L’Organization Biologique et la Théorie de L’Information, Hermann, Paris, 1972.
  7. Atlan H., Entre le Cristal et la Fumée, Essai sur L’Organization du Vivant, Seuil, Paris 1979.
  8. Di Biase, F., Auto-organização nos sistemas biológicos, Ciência e Cult., 1981; 33(9): 1155-1159, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Brazil.
  9. Di Biase, F., Rocha, M. S. F., Information, self- organization and consciousness: Toward a holoinformational theory of consciousness. In: Amoroso R. L. (ed.) Science and the Primacy of Consciousness. Intimation of a 21st Century Revolution, Noetic Press, Oakland, 2000; Also published in The Noetic Journal July 1999, 2 (3), Noetic Press.
  10. Di Biase, F., Amoroso, R. L., Holoinformational consciousness: An extension of interactive dualism with anticipatory parameters, International Journal of Computing Anticipatory Systems 2008; 22, Dubois D.M. (ed.), CHAOS, Liège, Belgium.
  11. Di Biase F., A holoinformational model of consciousness, Quantum Biosystems 2009; 3: 207-220, Italy.
  12. Di Biase F., Quantum-holographic informational consciousness, NeuroQuantology, 2009; 7(4): 657-664.
  13. Di Biase, F., Quantum information, self-organization and consciousness, Journal of Nonlocality
    2013; :Vol. II, Nr 2, December.
  14. Shannon, C. E., Weaver, W., The Mathematical Theory of Communication, University of Illinois Press, Urbana, III, 1949.
  15. Jantsch, E., The Self-Organizing Universe, Pergamon Press, New York, 1980.
  16. Seager, W., Consciousness, information and panpsychism, Journal of Consciousness Studies 1995; 2 (3) : 272-288.
    17 Wheeler, J., Information, physics, quantum: The search for links. In: Complexity, Entropy and the Physics of Information, Zurek, W. H., editor, Addison-Wesley, Reading MA, 1990.
  17. Matzke, D., Consciousness: a new computational paradigm. In: Toward a Science of
    Consciousness, 1994, MIT Press.
  18. Bohm, D., Wholeness and the Implicate Order, Routledge, New York, 1983.
  19. Bohm, D., Unfolding Meaning, a weekend of dialogue with David Bohm, ARK Paperbacks, Routledge & Kegan Paul Ltd, 1987.
  20. Bohm, D., Peat, F. D., Science Order, and Creativity. A dramatic New Look at the Creative Roots of Science and Life, Bantam Books, New York, 1987
  21. Bohm, D., Hiley, B. J., The Undivided Universe, Routledge, London, 1993.
  22. Bell, J., Speakable and Unspeakable in Quantum Mechanics, Cambridge University Press, 1987.
  23. Weber, R., The enfolding unfolding universe. A conversation with David Bohm. In: Wilber, K., editor, The Holographic Paradigm. New Science Library, Boulder CO, 1982.
  24. Schrödinger, E. What is Life?, Cambridge University Press, 1944-1974.
  25. Ho, M-W., The Rainbow and the Worm, The Physics of Organisms, 3rd ed., World Scientific, Singapore, 2008.
  26. Raković, D., Integrative Biophysics, Quantum Medicine, and Quantum-Holographic Informatics: Psychosomatic-Cognitive Implications, IASC & IEPSP, Belgrade, 2009; cf. www.dejanrakovic.com
  27. Lee, H., Cheng, Y.C.,.Fleming, G.R, Coherence Dynamics in Photosynthesis: Protein Protection of Excitonic Coherence, Science 2007, 316 : 1462-5.
  28. Beratan, D., Lin, J., Balabin, I.A., Beratan, D.N., The Nature of aqueous tunneling pathways between electron-transfer proteins, Science 2005; 310 : 1311-3.
  29. Prigogine, I., Stengers, I., La Nouvelle Alliance, Editions Gallimard, Paris, France, 1979.
  30. Prigogine, I., Stengers, I., Entre le Temps et L’Eternité, Fayard, Paris, France, 1988.
  31. Pribram, K., Brain and Perception: Holonomy and Structure in Figural Processing, Erlbaum, Hilsdale NJ, 1991.
  32. Stonier, T., Information and the Internal Structure of the Universe. Springer Verlag, New Addison-Wesley, Reading MA, 1990.
  33. Stonier, T., Information and Meaning. An Evolutionary Perspective, Springer, U.K., 1997.
  34. Eccles, J.C., A unitary hypothesis of mind-brain interaction in the cerebral cortex. Proc. R. Soc. Lond. B 1989; 240: 433-451.
  35. Beck, F. , Eccles, J.C., Quantum aspects of brain activity and the role of consciousness. Proc. Natl. Acad. Sci. 1992 ; 89, USA.
  36. Eccles, J. C., Evolution of complexity of the brain with the emergence of consciousness. In: Pribram, K. editor. Rethinking Neural Networks: Quantum Fields and Biological Data, Lawrence Erlbaum, Manwah, 1993.
  37. Eccles, J. C., Evolution du Cerveau et Création de la Conscience, ch. 8.8 Une nouvelle hypothèse sur l’interaction esprit/cerveau à partir de la physique quantique: l’hypothèse des micro-sites, Flammarion, Paris, 1994.
  38. Eccles, J. C., Do mental events cause neural events analogously to the probability fields of quantum mechanics? Proc R Soc Lond [Biol] 1998 ; 227: 411-428.
  39. Pribram, K., Languages of the Brain, Wadsworth Publishing, Monterey CA, 1977.
  40. Pribram, K., Esprit, cerveau et conscience. In: Science et Conscience, Les Deux Lectures de L’Univers. Éditions Stock et France-Culture, Paris, 1980.
  41. Pribram, K. (ed.), Rethinking Neural Networks: Quantum Fields and Biological Data, Lawrence Erlbaum
    Associates, Hillsdale, 1993.
  42. Pribram, K., In memorian: Nobel laureate Sir John Eccles, The Noetic Journal 1, June 1997; 2-5. Noetic Press, Orinda CA.
  43. Pribram, K., Além do Dualismo Cérebro-Mente. In: Di Biase, F., (ed), Pribram, K., Amoroso, R., Fronteiras da Consciência, Homenagem ao Centenário de Sir John Eccles, Editora CRV, Paraná, Brasil, 2011.
  44. Pribram, K., O Substrato Neural da Consciência. In: Di Biase, F. (ed), Pribram, K., Amoroso, R., Fronteiras da Consciência, Homenagem ao Centenário de Sir John Eccles, Editora CRV, Curitiba, Paraná, Brasil, 2011,
  45. Di Biase, F. (ed), Pribram, K., Amoroso, R., Fronteiras da Consciência. Homenagem ao Centenário de Sir John Eccles, Editora CRV, Curitiba, Paraná, Brasil, 2011.
  46. Hameroff, S. R., Quantum coherence in microtubules: A neural basis for emergent consciousness? Journal of Consciousness Studies, 1994, 1(1): 91-118.
  47. Hameroff, S. R., Penrose, R., Orchestrated reduction of quantum coherence in brain microtubules: A model for consciousness. In: Toward a Science of Consciousness: The First Tucson Discussions and Debates, S. R. Hameroff, A. W. Kaszniak, A. C. Scott (eds.), MIT Press Cambridge MA, 1996.
  48. Jibu, M., Yassue, K., Quantum Brain Dynamics and Consciousness. Advances in Consciousness Reasearch, John Benjamins Publishing Company, Amsterdan/Philadelphia, 1995
  49. Jibu, M., Yasue, K., The Basics of Quantum Brain Dynamics. In: Pribram, K. (ed.) Rethinking Neural
    Networks: Quantum Fields and Biological Data, Lawrence Erlbaum, Manwah, 1993.
  50. Ricciardi, L. M., Umezawa, H., Kibernetik, 1967; 4, 44.
  51. Stuart, C. I. J., Takahashi, Y., Umezawa, H., J.Theor. Biol. , 1978; 71, 605.
  52. Amoroso, R.L., Rauscher, E., The Holographic Anthropic Multiverse, Singapore: World Scientific, 2009.
  53. Amoroso, R.L. (ed), Complementarity of mind and body: Realizing the dream of Descartes, Einstein and Eccles, New York: Nova Science, 2010.
  54. Amoroso, R.L., Shut The Front Door!:Obviating the Challenge of Large-Scale Extra Dimensions and Psychophysical Bridging. In: Amoroso, R.L., Kauffman, L.H., Rowlands, P. (eds.), The Physics of Reality. Space, Time, Matter, Cosmos, Singapore: World Scientific, 2013.
  55. Cook, F.H., Hua-yen Buddhism: The Jewel Net of Indra, The Pennsylvania State University Press, 1977