CONSCIÊNCIA: O Cérebro Holoinformacional

Resumo 

O autor propõe um modelo quântico-informacional holográfico das  interações cérebro-consciência-universo baseado nas redes neurais  holográficas de Karl Pribram, na teoria quântica de David Bohm, e na lógica  da não-localidade do campo quântico de Umezawa. Este arcabouço  conceitual permite desenvolver uma visão da consciência, em que a  dinâmica informacional-holográfica do cérebro humano interage com a  natureza quântico-holográfica do universo acessando informação cósmica,  por meio da otimização do modo de tratamento holográfico da informação  neuronal que aumenta a sincronização das ondas cerebrais. Propõe que  estados alterados de consciência geradores de tranquilidade receptiva  profunda como práticas de meditação, relaxamento e oração que  comprovadamente aumentam a coerência das ondas cerebrais no  eletroencefalograma e no mapeamento cerebral criam um estado de  consciência não–local que interage de modo holoinformacional com o  campo quântico universal, estimulando a interatividade natural entre a  consciência humana e o cosmos.  

Abstract 

The author propose a quantum-informational holographic model of brain consciousness-universe interations based in the holographic neural  networks of Karl Pribram, in the quantum theory of David Bohm, and in the  non-locality logics of the quantum field of Umezawa. From this conceptual  framework he develops a vision of consciousness in which the holographic  informational dynamics of the human brain interacts with the quantum holographic nature of the universe accessing cosmic information by means  of the optimization of the holographic treatment mode of neuronal  information that highs the syncronization of the cerebral waves. He proposes  that altered states of consciousness generators of profound and receptive  tranquility as practices of meditation, relaxation and prayer, that proved to  high the coerence of the brain waves in brain mapping, can create a non local conciousness state that interacts in a holoinformational mode with the  universal quantum field stimulating the natural interactivity between the  human consciousness and the cosmos.

INTRODUÇÃO 

Em 1998, apresentamos no congresso Science and the Primacy of  Consciousness, na Universidade de Lisboa em Portugal, a conferência Information  Self-Organization and Consciousness, propondo uma nova visão da consciência  denominada Teoria Holoinformacional da Consciência, na qual o cérebro e o  cosmos são compreendidos como sistemas informacionais interconectados por uma  dinâmica universal instantânea. É uma concepção fundamentada na natureza  holográfica do funcionamento cerebral, de Karl Pribram, na estrutura quântico 

holográfica do universo de David Bohm, e no princípio quântico da não-localidade  desenvolvido por Umezawa. Em 1999, foi publicada na Europa, na revista World  Futures- The Journal of General Evolution, ligada à UNESCO, editada por Erwin  Laszlo, maior autoridade mundial na áreas de sistemas, e no mesmo ano nos USA,  no The Noetic Journal do Noetic Institute. Em 2000, fomos convidados para publicá 

la de forma mais ampliada, nos USA, como co-autor do livro Science and the  Primacy of Consciouness- Intimation of a 21st Century Revolution, junto com  Karl Pribram, Stanislav Grof, Ruppert Sheldrake, Henry Stapp, Amit Goswami, Fred  Allan Wolf, e outros pesquisadores da consciência.  

Para facilitar a compreensão do tema, vamos inicialmente especificar o  significado dos termos holográfico e não-localidade

A não-localidade é uma propriedade fundamental do universo,  exaustivamente comprovada, tanto a nível quântico, quanto a nível macroscópico,  responsável por interações instantâneas entre todos os fenômenos cósmicos. É uma  consequência da Teoria do Campo Quântico desenvolvida por Umezawa que  unificou os campos eletromagnético nuclear e gravitacional, em uma totalidade  indivisível subjacente

A teoria do campo quântico explica os fenômenos subatômicos,  microscópicos e mesmo macroscópicos, como a supercondutividade, sendo  considerada a mais fundamental teoria física do universo. O campo quântico não  existe fisicamente no espaço-tempo, como os campos gravitacional e  eletromagnético, apesar de ser matematicamente similar a eles, o que lhe dá um  caráter peculiar não-local. Sendo um fenômeno não-local influencia 

instantaneamente todas as outras regiões do espaço-tempo, sem necessidade de  qualquer troca de energia. Segundo a física clássica, e a física relativística, seria  impossível existir fenômenos do tipo da não-localidade, o que gerou a famosa  controvérsia de Einstein com Bohr que acabou originando o famoso Paradoxo  Einstein-Podolski-Rosen. Einstein e seus colegas não admitiam que uma partícula  pudesse viajar mais rápido do que a luz, e criaram uma experiência de pensamento,  para demonstrar que a física quântica era consequentemente incompleta. Mas,  contrariamente à proposta inicial de Einstein e seus colaboradores, foi demonstrado  que após um átomo emitir duas partículas com spins opostos, se o spin de uma  delas for alterado, mesmo que elas estejam separadas por uma grande distância,  por exemplo, uma na Terra e outra do outro lado da galáxia, o spin da outra se  modifica instantaneamente, revelando uma interação informacional não-local.  

 A existência da não-localidade têm sido dramática e convincentemente  comprovada nos experimentos da física moderna. O golpe de misericórdia foi dado  em 1982 pelo físico francês Alain Aspect e col., que comprovou definitivamente a  existência de ações não-locais entre dois fótons emitidos por um átomo. Mais  recentemente, em julho de 1997 (cf. Science, vol.277, pg 481) Nicolas Gisin e col.  comprovaram a existência desta ação quântica não-local instantânea em grande  escala.  

Sistemas holográficos são sistemas geradores de imagens tridimensionais,  em que a imagem virtual, ou holograma, é criada quando um laser incide sobre um  objeto, e este o reflete sobre uma placa e sobre essa placa incide um segundo laser,  produzindo uma mistura das ondas do primeiro com as do segundo. Este padrão de  interferência de ondas possui a propriedade de armazenar a informação acerca da  forma e volume do objeto, e ao ser refletido pela placa, gera uma imagem  tridimensional do objeto no espaço. O relevante é que nos sistemas holográficos 

cada parte do sistema contém a informação completa sobre todo o sistema; se quebrarmos a placa em pedaços, cada pedaço refletirá a imagem tridimensional  completa do objeto no espaço, demonstrando que o todo está nas partes, assim  como cada parte está no todo. Essas transformações da ordem espaço-temporal  para a dimensão espectral de freqüência são dependentes de formulações  matemáticas que foram pioneiramente descritas por Leibniz que criou a concepção  de mônadas. Em nosso século, Dennis Gabor descreveu os princípios matemáticos 

da holografia, ganhando o Prêmio Nobel pelo desenvolvimento dos sistemas  holográficos. As formulações matemáticas que descrevem a curva harmônica  resultante das interferências das ondas, são as transformações de Fourier, as quais  Gabor aplicou na criação do holograma, enriquecendo estas transformações com um  modelo em que o padrão de interferência reconstrói a imagem virtual do objeto, pela  aplicação do processo inverso. Ou seja, da dimensão de freqüências reconstrói-se o  objeto em forma virtual, na dimensão espaço-temporal.  

AS REDES NEURAIS HOLOGRÁFICAS 

A teoria holográfica (ou holonômica) de Karl Pribram demonstrou a existência  de um processo de tratamento holográfico da informação no córtex cerebral,  denominado holograma neural multiplex, dependente dos neurônios de circuitos  locais, que não apresentam fibras longas e não transmitem impulsos nervosos  comuns. “São neurônios que funcionam no modo ondulatório, e são sobretudo  responsáveis pelas conexões horizontais das camadas do tecido neural, conexões  nas quais padrões de interferência holograficóides podem ser construídos”. Sua  teoria holonômica do cérebro é a mais brilhante e revolucionária contribuição  científica na área das Neurociências nos últimos 100 anos, pois nos conduz a  repensar e ampliar de uma maneira totalmente inédita o processamento da  informação no sistema nervoso. Pribram descreveu uma “equação de onda  neural”, resultante do funcionamento das redes neurais holográficas, similar à  equação de onda de Schrödinger da teoria quântica.  

O holograma neural é construído pela interação dos campos eletromagnéticos  dos neurônios, de modo similar ao que ocorre durante a interação das ondas  sonoras no piano. Quando tocamos as teclas de um piano, estas percutem as  cordas provocando vibrações que se misturam, gerando um padrão de interferência  de ondas. A mistura das freqüências sonoras é o que cria a harmonia, a música que  ouvimos. Pribram demonstrou que um processo similar ocorre continuamente no  córtex cerebral, por meio da interpenetração dos campos eletromagnéticos dos  neurônios corticais adjacentes, gerando um campo harmônico de freqüências 

eletromagnéticas. Este campo harmônico distribuído simultaneamente por todo o  cérebro, armazena e codifica holograficamente um vastíssimo campo de informação,  e seria o responsável pela emergência da memória, da mente e da consciência no  plano biológico. Tal como a música não pode ser localizada no piano, e sim em todo  o campo ressonante que o circunda, as memórias de um indivíduo não estão  localizadas somente no cérebro, mas também no campo de informação holográfica  que o envolve!  

O UNIVERSO HOLOGRÁFICO  

Como vimos, a partir da dimensão de freqüências, pode-se reconstruir  matemática e experimentalmente um objeto, na dimensão espaço-temporal. Este  modo de organização holográfica, é tambem o que David Bohm utiliza em sua teoria  quântica. Neste modelo do universo, o espaço e o tempo são “dobrados” e  reestruturados, como em um holograma, em uma dimensão de freqüências,  constituindo uma ordem oculta, implícita, sem relações espaço-temporais, à qual não  temos acesso em nossa vivência cotidiana. Quando neste campo de freqüências  surgem flutuações, “ondulações” mais intensas, padrões semelhantes aos  holográficos estruturam uma dimensão espaço-temporal, uma ordem explícita, que  corresponderia ao nosso universo manifesto.  

Bohm afirma que na ordem implícita tudo está introjetado em tudo. Todo o  universo está em princípio introjetado em cada parte ativamente, por meio do  holomovimento, assim como tambem as partes… O processo de introjeção não é  meramente superficial ou passivo, e cada parte está num sentido fundamental,  internamente relacionada em suas atividades básicas ao todo, e a todas as  outras partes.

RUMO A UMA TEORIA HOLOINFORMACIONAL DA CONSCIÊNCIA  

Ao tomar conhecimento da teoria holográfica de Bohm, através de seu filho  que é físico, Pribram inferiu a possibilidade do processamento informacional  holográfico do universo poder se interconectar ao processamento holográfico  neuronal do córtex cerebral, mas não direcionou suas pesquisas por esta vertente.  Vislumbrando a possibilidade, não desenvolvida por Pribram, de uma conexão  dinâmica não-local entre o cérebro e o universo, propusemos que os padrões  quânticos e as redes neurais holográficas do cérebro são parte ativa do campo  quântico-holográfico do universo, e que esta interconexão informacional é  simultaneamente local (mecanicística-newtoniana), e não-local (holística-quântica), e  a denominamos holoinformacional. A não-localidade quântica permitiria uma  interconexão instantânea entre o cérebro e o cosmos.  

Estudos experimentais desenvolvidos por Pribram, e outros pesquisadores da  consciência como Hameroff, Penrose, Yassue, Jibu, revelaram a existência de uma  dinâmica cerebral quântica, de uma “mente quântica” (quantum mind), ao nível dos  microtúbulos neurais, das sinapses, e do líquor. Esta dinâmica quântica permite a  formação dos chamados condensados Bose-Einstein que consistem de partículas  subatômicas, que assumem um elevado grau de alinhamento, funcionando como um  estado altamente unificado e ordenado, como ocorre nos lasers e na  supercondutividade. Estados assim informacionalmente unificados poderiam  tambem desencadear o aparecimento do Efeito Frohlich, com moléculas biológicas  assumindo um alinhamento altamente energizado e ordenado. Estes estados  quânticos e moleculares altamente unificados e ordenados estão na verdade  codificando informação quântico-holográfica.  

Considerando a propriedade matemática básica dos sistemas informacionais  holográficos, em que cada parte do sistema contém a informação do todo, os dados  matemáticos da física quântica de Bohm, e os dados experimentais da teoria  holonômica de Pribram, propusemos, alem disto, que a interatividade cérebro 

universo nos permite acessar toda a informação existente nos padrões de  interferência de ondas existentes no universo, desde sua origem, pois a natureza  holográfica do universo e do cérebro, proporciona que cada parte, cada cérebro consciência, contenha a informação de todo o universo. Agora, e isto é muito 

importante, para que esta conexão cérebro-universo ocorra, é necessário  aquietarmos nosso cérebro agitado do dia a dia, sincronizando o funcionamento dos  hemisférios cerebrais, e permitindo que o modo de tratamento holográfico da  informação neuronal se otimize. Isto se consegue facilmente por meio das práticas  de meditação, relaxamento e oração que comprovadamente sincronizam as ondas  dos hemisférios cerebrais, gerando um estado alterado de consciência de  tranquilidade receptiva profunda (as comprovações eletroencefalográficas e clínicas  destes estados podem ser encontradas em meus livros, O Homem Holístico, a  unidade mente-natureza, e Caminhos da Cura, Editora Vozes).  

O CAMPO UNIFICADO DA CONSCIÊNCIA 

Matéria vida e consciência são atividades significativas, ordem transmitida  através da evolução cósmica, ou seja, processos informacionais inteligentes. Um  universo estruturado como um campo holoinformacional, é portanto um universo  inteligente, funcionando como uma mente, como o astrônomo Sir James Jeans já  observara: “O universo começa a se parecer cada vez mais com uma grande mente,  do que com uma grande máquina”. 

Esta rede quântico-holográfica universal pode ser compreendida como uma  mente? Uma Consciência Holográfica Universal? Uma Consciência Cósmica, como afirmam há milênios, as tradições espirituais da humanidade?  

 Na concepção holoinformacional, consciência e inteligência são informação,  sendo possível, portanto afirmar que a inteligência-informação sempre esteve  presente em todos os níveis da organização cósmica, constituindo a própria  natureza básica do universo. Matéria, vida e consciência não são  consequentemente entidades separadas, mas uma unidade holística indivisível,  um continuum holoinformacional inteligente auto-organizador permeando todo o  universo, se desdobrando em uma infinita holoarquia cósmica. 

O SUBSTRATO NEURAL DA CONSCIÊNCIA  

As redes cibernéticas de reações cíclicas hierárquicas por meio das quais  procuramos caracterizar a vida e a consciência, se interrelacionam em uma dinâmica  multinível de “hiperciclos” (Eigen and Schuster,1979), se auto-organizando em ciclos  “autocatalíticos” (Prigogine1979; Kauffman,1995) no “limite do caos” (Lewin,1992).  Ciclos autocatalíticos se auto-organizam em níveis superiores, por meio de  hiperciclos catalíticos, (e.g. um vírus) capazes de evoluírem para estruturas mais  complexas e mais eficientes, até a “emergência de conjuntos, de conjuntos de… de  conjuntos de neurônios” (Alwin Scott,1995). Deste modo a rede gera “‘loops’  criativos” (Erich Harth,1993) e “hiperestruturas” (Nils Baas,1995), capazes de se  integrarem em sistemas com padrões de conectividade distribuídos e paralelos,  como o “Global Workspace” (Newman and Baars,1993), e o “Extended Reticular Talamic Activation System”-ERTAS de James Newman (1997).  

No entanto, como matéria, vida e consciência constituem uma totalidade  quântica holística e indivisível, não podemos analisá-las somente por meio deste  arcabouço conceitual cartesiano analítico-reducionista. Em sistemas não-lineares  dinâmicos e auto-organizadores, como o cérebro humano, os correlatos neurais da  consciência não são estruturados somente por estas complexificações das relações  mecanicísticas da matéria, mas tambem primordialmente pelo campo quântico  holoinformacional não-local auto-organizador universal, que forma (in-forma) o  cérebro e o cosmos.  

O CÓDIGO CÓSMICO E A ÉTICA DA VIDA 

Esta unidade homem-natureza codificada na própria estrutura e  funcionamento do universo, se auto-organiza durante a evolução cósmica nos níveis  informacionais básicos que regem o universo: o Código Nuclear que organiza e  mantém a energia e a matéria, o Código Genético que organiza e mantém a vida, o

Código Neural que organiza e mantém o cérebro-mente, e o Código Holográfico que organiza e mantém a consciência.  

Em seu conjunto constituem um Código Holoinformacional Cósmico. Einstein gostava de dizer que o importante é conhecer os pensamentos  de Deus… o resto são detalhes”

Estes códigos são o verdadeiro pensamento de Deus… o que nos religa à  nossa fonte. Nos foram oferecidos como uma dádiva que não temos como  compreender! Sua utilização correta pelo homem, imerso neste todo  holoinformacional gerador de vida e consciência, e capaz de acessar a informação  contida nesse todo, deve eticamente estar direcionada para a preservação destes  códigos, para a preservação da Vida e da Consciência!  

Esta, a nossa grande responsabilidade ética!  

Já no século passado, a sabedoria do Dr. Albert Schweitzer, laureado com o  Prêmio Nobel da Paz em 1952, afirmava: O bem consiste em preservar a vida, em  lhe dar suporte, em procurar levá-la ao seu mais alto valor. O mal consiste em  destruir a vida, em ferí-la ou destruí-la em plena florescência. 

Reverência pela Vida, este o verdadeiro caminho ético da humanidade

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Auto-organização nos sistemas biológicos

ABSTRACT. The concept of self-organization is based upon the order-from-noise principle, which explains how organisms make use of noise (in the meaning of the theory of information), as a organization factor. The author describes the seIf-organizing systems, and its importance for the understanding of life.

RESUMO. O conceito de auto-organização é dependente do princípio de ordem a partir do ruído, que explica como os organismos utilizam o ruído (no sentido da teoria da informação) como fator de organização. O autor descreve os sistemas auto-organizadores, e sua importância para a compreensão da vida.

Após o estabelecimento da cibernética como ciência, diversos estudiosos voltaram-se para os seres vivos, tentando classificá-los como máquinas, cujas performances, por mais extraordinárias que fossem, resultariam de princípios ordenados em continuidade e identidade com os princípios gerais da cibernética. Destes estudos, resultaram os conceitos de sistema auto-organizador e autômato auto-reprodutor como formas cibernéticas de designar os organismos biológicos. Segundo Henri Atlan (2), as conseqüências desta concepção podem ser estabelecidas como se segue:

* A especificidade, dos organismos vivos liga-se a princípios organizacionais, e não a propriedades vitais irredutíveis.

* Uma vez descobertos tais princípios, nada deverá impedir de aplicá-los aos autômatos artificiais, cujas performances se tornarão então iguais às dos organismos vivos.

Para compreendermos os sistemas auto-organizadores, é importante o estabelecimento do conceito de fiabilidade. Uma máquina viva é constituída por moléculas que desgastam, células que degeneram, ou seja, elementos pouco fiáveis. No entanto, em seu conjunto, é uma estrutura extremamente fiável, capaz de auto-reparação e de funcionamento mesmo quando avariada. Morin (11) afirma que “a máquina artificial logo que constituída só pode começar degenerando, enquanto a máquina viva é, mesmo que temporariamente, não-degenerativa, isto é, apta a aumentar sua complexidade”. Para ele, a desordem interna, o “ruído”, ou erro sempre desgasta a máquina artificial, ao passo que os organismos funcionam sempre com uma parte de ruído, sendo que o aumento de complexidade do ser vivo melhora sua tolerância ao mesmo, existindo, até um determinado limite, uma relação generativa íntima, entre o aumento do ruído ou desordem e o aumento da complexidade. Estruturas capazes de funcionar com este tipo de lógica cibernética são denominadas sistemas auto-organizadores. O aparecimento de descrições auto-referenciais na ciência atual testemunha, segundo Heinz Von Foerster (1974), a emergência de conceitos novos que denomina conceitos de segunda ordem. Segundo ele, nos deparamos com tais concepções quando um nome, qualquer que seja, aparece precedido do “especificador auto”, como nos exemplos seguintes: “auto-organização”, “auto-replicação”, “auto-reparação”, “auto-regulação”.

A aptidão para integrar o ruído, ou seja, incorporá-lo em sua estrutura, sem que seja destruída pelo mesmo, propriedade característica dos sistemas auto-organizadores, levou o matemático J. Von Neumann a estabelecer que tal aptidão seria conseqüência de uma diferença qualitativa fundamental na lógica de organização do sistema. Seus trabalhos (15), mais os de Winograd e Cowan (16) e de Cowan et al. (7) definiram as condições necessárias ao estabelecimento de autômatos com fiabilidade maior do que a dos seus componentes, que seriam:

1- Redundância dos componentes
2- Redundância das funções
3- Complexidade dos componentes
4- Deslocamento das funções.

Tais condições ocorrem, por exemplo, no organismo humano, que é capaz de suportar variações intensas da homeostasia orgânica, sem que isto conduza à desintegração do sistema. Os fatos demonstram a necessidade, para estruturas complexas, como os organismos, de um certo grau de indeterminação para que o sistema possa adaptar-se a um certo nível de ruído. Heinz Von Foerster (13) afirma que “nos sistemas auto-organizadores com um grau suficiente de redundância e fiabilidade, quando se introduz um ruído, esse apresenta caráter enriquecedor e não perturbador ou destruidor”. Na molécula de ADN (constituinte fundamental de todos os seres vivos), com capacidade de auto-replicação e de transmissão fiel dos “ruídos” (erros) introduzidos aleatoriamente na transcrição da mensagem genética, acedente a que todo sistema quântico está, sujeito, o ruído por vezes origina mutações, que a evolução natural seleciona, por serem enriquecedoras da performance do organismo. Von Foerster (13) mostrou ainda que só podemos compreender as propriedades singulares dos organismos, atribuindo aos mesmos, além da propriedade de resistir ao ruído de forma eficaz, a de também utilizá-lo como fator de organização! Dcsta forma, estabeleceu um principio de ordem a partir do ruído.

Sabemos que a partir do trabalho de Erwin Schrödinger, What is life, publicado em 1944, a termodinâmica estabeleceu a existência de dois diferentes princípios pelo quais eventos ordenados podem ser produzidos: o “mecanismo” estatístico que produz ordem a partir da desordem, e um outro produtor de ordem a partir da ordem, isto é, de organização complexa e informação que explicaria a matéria viva, e cuja prioridade de compreensão, segundo o próprio Schrödinger, deve ser reivindicada para Max Planck, que, em um pequeno trabalho intitulado The dinamical and statistical type of Iaw, já estabelecia, esta distinção.

No entanto, Von Foerster considera que este, “principio de ordem a partir da ordem” não é suficiente para explicar os seres vivos. Schrödinger afirmou que os sistemas vivos “se nutrem de entropia negativa” de ordem, ao que Von Foerster acrescenta a afirmação de que “eles encontram também em seu ‘menu’ o ruído!… Não e ruim a existência de ruído no sistema. Se um sistema se imobiliza em um estado particular, ele é inadaptável, e este estado final pode ser extremamente ruim. Será incapaz de ajustar-se a qualquer coisa que seja uma situação inadequada”. Tal fato, isto é, a imobilização em uma ordem definitivamente estabelecida como mostra Atlan (2), caracteriza uma das duas formas possíveis de morte para um organismo, a outra sendo a imobilização do processo vital devido à desordem total. W R. Ashby (apud Atlan (2)), através de uma série de trabalhos, estabeleceu uma lei denominada “lei da variedade indispensável” que revela uma relação entre a variedade das perturbações das respostas e dos estados aceitáveis. De conformidade com esta lei, a variedade de respostas disponíveis deve ser tanto maior quanto maior for a variedade das perturbações c quanto menor a variedade dos estados aceitáveis. Ou seja, para um sistema submetido a uma grande variedade de agressões, uma grande variedade de respostas é indispensável, para que este sistema se mantenha em um número limitado de estados aceitáveis. Donde a afirmação de Atlan de que “em um meio-ambiente fonte de agressões diversas e imprevisíveis, uma variedade na estrutura e nas funções do sistema é um fator indispensável de autonomia”. O próprio Allan em outro trabalho (1) demonstra esta lei, com o exemplo de um organismo submetido a infecções bacterianas de diferentes espécies, às quais, para sobreviver, deve responder por meio de antitoxinas apropriadas. “Se as espécies bacterianas, afirma ele, exigem cada uma, uma antitoxina diferente, então, evidentemente, o sistema de defesa deve ter tantas antotoxinas em seu repertório de respostas quantas forem as espécies bacterianas existentes, para ser capaz de produzir o único estado aceitável, caracterizando aqui de forma muito geral, pela sobrevivÊncia do organismo” (p. 54). É ainda Atlan que nos mostra que Ashby revelou o parentesco profundo entre a lei c o teorema da via com ruído de Shannon, demonstrando que neste contexto a lei da variedade indispensável estabelece que a capacidade do sistema não pode ultrapassar sua capacidade como via de comunicação de variedade, isto é, sua capacidade de transmissor. Curiosamente, Atlan observou que tal forma de limitação não se manifestou nas ciências físicas e químicas – o que explicaria seu sucesso – devido a duas particularidades dos sistemas estudados por estas ciências, ou seja:

Grau externo de homogeneidade dos elementos constituintes.

Relativa pobreza de inter-relações estruturais, em comparação com os sistemas biológicos integrados.

Segundo Ashby (apud Atlan (1)), “estas duas qualidades dos sistemas complexos – heterogeneidade das partes e riqueza de interações entre elas – têm a mesma implicação: as quantidades de informarão que circulam, seja do sistema ao observador, seja da parte a parte, são muito mais elevadas do que aquelas que circulam quando o pesquisador é um físico ou um químico. E é porque as quantidades são elevadas que é verdadeiro que a limitação se torna aparente na seleção da estratégica científica apropriada. É bem possível que as quantidades de Informação implicadas ultrapassem a capacidade do pesquisador – ou do conjunto de pesquisadores – como transmissor”. Ashby demonstrou ainda a impossibilidade lógica de uma auto-organização em um sistema fechado, isto é, sem interação com o ambiente. Também Allan (4) o demonstra quando afirma que “a noção de auto-organização sensu stricto é contraditória se considerarmos a organização como lei de funcionamento de um sistema. Este não pode mudar devido a um determinismo somente interno, pois é este determinismo que constitui sua lei constante de funcionamento”. André Bejin, na apresentação do capítulo “Auto-organization et connaissance”, no Iivro L’ Unité de L’ Homme, afirma: “O sistema auto-organizador ‘se nutre’ de ordem (Schrödinger) e de ruído. Desta forma, como demonstrou Ashby, ele só pode ser ciberneticamente aberto, e se complexificar normativamente, utilizando ‘materiais.’ que não são somente os de sua própria operação”. Um sistema auto-organizador só pode portanto ser modificado por fatores alheios ao mesmo. Desta forma, existem duas possibilidades de modificação:

Por meio de um programa pré-estabelecido que é injetado no sistema. O que não caracteriza um ruído no sentido da teoria das comunicações.

Através de fatores aleatórios que se introduzem no sistema, de tal forma que não possa ser estabelecido nenhum padrão que permita discernir um programa.

Neste último caso, poderíamos falar em auto-organização mesmo que não seja em sensu stricto, isto é, o próprio sistema se organizando sem intervenção de fora, pois que apesar da existência de ação externa sobre o sistema, esta é totalmente aleatória.

Para que um ruído possa introduzir-se em um sistema sem destruí-lo, e ser capaz de apresentar um caráter enriquecedor, é necessário que o sistema seja constituído por uma rede cibernética complexa, em cuja estrutura o ruído penetre provocando alterações que não destruam a coerência das infinitas inter-relações estruturais e funcionais que controlam sua performance.
Atlan (1, 2) demonstrou que uma das possibilidades do efeito destruidor do ruído – ambigüidade-destrutiva – em um sistema ser superado pelo efeito enriquecedor – ambigüidade-autonomia – é a “existência de uma troca de alfabeto com um aumento do número de letras, quando passamos de um tipo de subsistema para outro, como uma via de comunicação entre eles”. Segundo ele, isto seria “uma explicação possível para a troca de alfabeto observada em todos os organismos vivos quando passa-se dos ácidos nucléicos, escritos numa linguagem de quatro símbolos (quatro bases nitrogenadas), para as proteínas, escritas numa linguagem de vinte síbolos (vinte aminoácidos)”. Manfred Eigen (apud Atlan (I. 2)), através de estudos de cinética química, chegou a resultados que parecem derivados do principio de ordem a partir do ruído, mostrando que os mecanismos de replicação do ADN, de síntese protéica e regulação enzimática, podem ser analisados tanto sobre o plano da quantidade de informação total de uma população de macromoléculas, quanto da quantidade de informação das deferentes espécics de macromoléculas sintetizadas. Nos mesmos trabalhos, Atlan nos mostra que um dos problemas levantados por csta abordagem é “o das condições nas quais certas macromoléculas portadoras de informação podem ser selecionadas às expensas de outras, em um sistema onde a única restrição é que a síntese dessas moléculas se efetue por meio da cópia de moléculas idênticas. Pela primeira vez, o conceito de seleção com orientação, fundamento das teorias de evolução, adquire um conteúdo precioso, suscetível de ser expresso em termos de cinética química, diferentemente do círculo vicioso habitual em que caímos quando descrevemos a seleção natural como sobrevivência dos mais aptos, sendo que estes últimos só podem ser definidos pelo fato de sobreviverem!” E mais adiante, “um dos resultados mais espetaculares a que Manfred Eigen chegou, aplicando esta teoria aos sistemas constituídos por um acoplamento de dois subsistemas de propriedades complementares que são os conjuntos de ácidos nucléicos, e os conjuntos de proteínas, é uma explicação possível da universalidade do código genético: seria o resultado inevitável de uma evolução, onde, somente este código poderia ser selecionado” .

Resumindo, os conceitos estudados, podemos estabelecer que se um sistema auto-organizador apresentar:

Uma elevada redundância estrutural, isto é, os componentes do conjunto repetidos um grande numero de vezes.

Uma elevada redundância funcional, isto é, a capa-cidade de uma função lógica ser executada, ao mesmo tempo, em vários níveis do conjunto que podem controlar-se mutuamente.

Uma elevada fiabilidade, isto é, a possibilidade de funcionar utilizando unidades constitutivas degradáveis que, apesar da desordem e do ruído introduzidos no sistema, não ocasionam aumento da entropia do sistema, podendo ser, no conjunto, até mesmo regeneradoras e enriquecedoras.

Repetindo, se um sistema auto-organizador apresentar todas as características acima, podemos inferir que poderá reagir aos efeitos aleatórios do meio ambiente diminuindo sua redundância e fiabilidade, sem que pare de funcionar. A continuação de seu funcionamento poderá então originar uma maior variedade e heterogeneidade (conseqüente à diminuição de redundância) que o torne capaz de performances reguladoras mais aperfeiçoadas. O que, em última análise, consiste na geração de ordem (informação) a partir do ruído.

Sabemos que os seres vivos são estruturados fundamentalmente a partir de dois grupos de macromoléculas: as proteínas e os ácidos nucléicos.

As proteínas são responsáveis pela estrutura macroscópica dos organismos, através de sua forma fibrilar; e pelo controle e catalisação das milhares de reações químicas que ocorrem no interior dos mesmos, por meio das forma, globulares ou enzimas (Monod).

Os ácidos nucléicos são sistemas moleculares capazes de auto-replicar e transmitir a informação genética, ne varietur, geração após geração.

O conjunto comporta uma elevada redundância estrutural e funcional, permitindo que seja alcançada uma extraordinária fiabilidade, por ser organizado em estágios hierarquizados através de integrações sucessivas de subconjuntos (Os íntegrons, de François Jacob).

Conseqüentemente os sistemas biológicos sobrevivem e se reproduzem, “evadindo-se da queda para o equilíbrio” (Schrödinger), enganando o principio de Carnot, que “é um decreto de morte” (Brillouin), porque possuem formas de organização molecular “extremamente altamente complicados”, conforme a expressão de Von Neumann que permite a estruturação de uma bioarquitetura em estágios integrados, e a ocorrência de auto-regulação.

Finalmente, devemos lembrar ainda que os sistemas vivos são sistemas termodinâmicos com uma organização metabólica extremamente complexa que além de extrair neguentropia do ambiente e de utilizar o ruído como fator enriquecedor de sua própria rede cibernética, submete-se, como qualquer sistema não-vivo, ao principio de energia mínima que orienta todas as reações químicas em direção à diminuição de energia livre, “o tipo de energia capaz de produzir trabalho em condições de temperatura e pressão constantes” (Lehninger).

Acrescente-se às características dos sistemas biológicos, acima expostas (arquitetura em estágios, auto-regulação, energia mínima), que toda estrutura viva é conseqüência de um processo evolutivo que a seleciona por causa de sua performance positiva e, conseqüentemente, da sobrevivência da espécie.

Referências1 – Atlan. H. 1972a L ‘organization biologique et la theorie de l’information. Hermann, Paris.

2 – Atlan. H 1972b. Du bruit comme principe d’auto-organisation. Communications 18: 21-35. Centre d’Etudes des Communications de Masse École Pratique des Hautes Études. Le Seuil, Paris.

3 – Atlan, H. 1974a. Conscience et desirs dans systemes auto-organisateurs. In Edgar Morin, massimo Piatelli-Palmarini. L’unité de l’homme.Auto-organisation et connaissance: 449-465. Le Seuil, Paris.

4 – Atlan H. 1974b. Le principe d’ordre à partir de bruit, l’apprentissage non dirige et revê, In Edgar Morin, Massimo Piatelli-Palmarini.L’unité de l’homme. Auto-organisation et conaissance: 469-475. Le Seuil, Paris.

5 – Bejin, A. 1974. Presentation. In Edgar Morin, Massimo Piatelli-Palmarini. L’unité de l’homme, Auto-organization et connaissance: 447-448. Le Seuil, Paris.

6 – Brillouin, L. 1959. Vie matiere et observation Albin Michel, Paris.

7 – Cowan, J. D. 1965. The problem of organismic reability. In Wiener e Schade, org. Progress in brain research. Cybernetics and the nervous system. 17: 9-63. Elsevier Publ. Amsterdam.

8 – Jacob, F. 1970. La logique du vivant. Édition Gallimard, Paris.

9 – Lehninger, A. L. 1976. Bioquímica, vol. 1 Componentes moleculares das células, Editora E. Blucher Ltda. São Paulo.

10 – Monod, J. 1971. O acaso e a necessidade, Editora Vozes, 2ª edição.

11 – Morin, E. 1973. Lê paradigne perdu: la nature humaine, Le Seuil, Paris, trad. Br. 1975, O enigma do homem, Zahar Editores.

12 – Schrödinger, E. 1976. What is life? Cambridge University press. Cambridge (first published 1944).

13 – Von Foerster, H. 1960. On self-organizing systems and their envionments. In Yovitz e Cameron org. Selff-organizing systems. Cameron, Pergamon. Nova york.

14 – Von Foerster, H. “Remarques introductives”. In Edgar Morin, Massimo Piatelli-Palmarini. L’umité de l’homme. Theorie de la cognition et epistemologie de l’observation: 400 Le Seuil, Paris.

15 – Von Neumann, J. 1966. Theory of self reproducing automata. Ed. W. Bruks, University of Illinois Press, Urbana, Illinois (apud Atlan, 1972b).

16 – Winograd, S. And Cowan, J. D. 1963. Reliable computation in the presence of noise, MIT Press, MIT Cambridge, Mass (apud Atlan, 1972b).

O Campo Unificado da Consciência Rumo a uma teoria holoinformacional da consciência

Dr. Francisco Di Biase
Dept Neurocirurgia e Neurologia, Clínica Di Biase e Santa Casa, Barra do Piraí, Rio de Janeiro Dept Pós-Graduação, UGB Universidade Geraldo Di Biase, Volta Redonda, Rio de Janeiro, Brasil
Full Professor, Grand PhD, World Information Distributed University, Bélgica
Professor Honorário, Albert Schweitzer International University, Suíça
dibiase@terra.com.br

Abstract

 The author proposes a holoinformational model of consciousness based on the holographic theory of brain function developed by Karl Pribram, on the quantum brain microsites of Nobel Prize winner Sir John Eccles, and the quantum brain dynamics developed by Hameroff, Penrose, Jibu and Yasue. This conceptual framework is integrated to the quantum-holographic  theory of the universe of David Bohm, and the non-local information concept of the Quantum Field Theory of Umesawa. The concepts of negentropy, information and organization developed by Shannon, Wiener and Brillouin, and the theories of self-organization and complexity of Prigogine and Atlan are also revisited. Wheeler’s “it from bit” concept of a participatory universe and the new physics of information developed  by Zurek  with his algorithmic entropy, related to the number of bits in the mind of the observer are also considered.  This new synthesis gives a self-organizing quantum-holographic non-local informational basis for a holoinformational model of consciousness in a idivisible and participatory universe. In this synthesis, consciousness is conceived as a unified quantum informational field  interconnecting  brain and cosmos,  a holoinformational field, that has a  local/Newtonian mechanistic component - the classic neural networks- interconnecting brain and mind, and a non-local/quantum holistic component - the quantum holographic neural networks - interconnecting mind and cosmos.

Resumo
O autor propõe um modelo holoinformacional da consciência baseado na teoria holográfica do funcionamento cerebral de Karl Pribram, nos microsítios cerebrais quânticos de Sir John Eccles, ganhador do Prêmio Nobel, e na dinâmica quântica cerebral desenvolvida por Hameroff, Penrose, Jibu and Yasue. Esse arcabouço conceitual é integrado à teoria quântico-holográfica do universo de David Bohm, e ao conceito de informação não-local da teoria do campo quântico de Umesawa. Os conceitos de negentropia, informação e organization desenvolvidos por Shannon, Wiener and Brillouin, e as teorias da auto-organização e complexidade de Prigogine e Atlan são também revisitadas. A brilhante idéia do “it from bit” e o universo participativo de Wheeler, e a nova física da informação desenvolvida por Zurek com sua entropia algorítmica, relacionada ao numero de bits na mente do observador também são considerados. Essa nova síntese fornece uma base auto-organizadora informacional não-local quântico-holográfica para um modelo holoinformacional da consciência em um universo indivisível e partipativo. Nesssa síntese, a consciência é concebida como um campo unificado quântico informacional interconectando o cérebro e o cosmo, um campo holoinformacional que tem um componente local/newtoniano mecanicístico- as redes neurais clássicas – interconectando o cérebro e a mente, e um componente não-local/quantum holístico – as redes neurais quântico-holográficas – unindo a mente ao cosmos.

Palavras-chaves
Consciência, informação quântica não-local, redes neurais quântico-holográficas, teoria quântico-holográfica do universo, interconexão mente-universo.

Introdução

Estamos vivendo um momento especial na história da humanidade com a emergência de uma fantástica e integral cosmovisão integral [1] que permitiu compreendermos que nossa mente é uma consciência informational quântico-holográfica expandida e interconectada ao universo. Esta nova cosmovisão desencadeará e orientará um desenvolvimento tecnológico igual ao mundo “mágico”, de Arthur Clarke no qual não seremos mais capazes de diferenciar tecnologia de magia. Seremos criadores não só de células-tronco e nanobots, mas também de estrelas e galáxias É uma cosmovisão mais abrangente do que o paradigma quântico-relativista que emergiu no início do século XX que conecta todos os níveis do universo por meio do fenômeno da informação quântica não-local que interliga todos os sistemas de auto-organização cósmica. Nossa civilização vem compreendendo com uma velocidade espantosa todos os fundamentos científicos da geração de energia e matéria, e o controle da informação quântica que permite a geração e a evolução da vida. Mais recentemente, a consciência vem deixando de ser um mistério insolúvel graças à concepções como a de consciência holoinformacional que vimos publicamos nos ultimos 15 anos em conjunto com os Drs Karl Pribram e Richard Amoroso, nos USA e na Europa, e que sintetizamos neste artigo.
A teoria do campo quântico desenvolvida por Umesawa [1] com o conceito de informação não-local interconectando tudo no universo, desde a física e a química quânticas, à biologia quântica, à mente e à consciência quântica e à cosmologia quântica todas finamente sintonizadas para o aparecimento da vida [3] nos mostra que a evolução humana e a emergência da mente e da consciência são a consequência inevitável de um universo informacional inteligente. Este campo auto-organizador holoinformational inteligente está emergindo continuamente a partir de um plenum (não um vacuum) o campo quântico que permeia todo o cosmos com informação e energia quântica surgindo do nada a cada bilhionésimo de trilionésimo de segundo. Este campo quântico plenum é uma espécie de DNA cósmico disseminando informação ativa com significado que forma a realidade através de todo o universo, criando as galáxias, as estrelas e as supernovas que com suas fornalhas termonucleares de milhões de graus Celsius são geradoras dos átomos de carbono, nitrogênio e oxigênio que fundamentam todas as formas de vida. A assinatura deste campo in-formacional quântico não-local altamente sintonizado para a emergência da vida é tão fundamental para a evolução cósmica e o surgimento da vida e da consciência que deve ser visto como um princípio organizacional cósmico com um “status” igual à matéria, à energia e ao espaço-tempo, e como veremos, também à consciência.

Informação auto-organização e negentropia

 Chalmers [4] afirma que a  consciência e a informação é uma propriedade essencial da realidade, tal como a matéria e a energia, e que "a experiência consciente deve ser considerada uma característica fundamental, irredutível a qualquer coisa mais básica". Ele argumenta que cada estado informacional tem dois aspectos diferentes, um como experiência consciente, e o outro como processo físico no cérebro, ou seja, um interno / intencional, e outro externo / físico. Esta visão encontra suporte nos atuais desenvolvimentos da chamada "Física da Informação” , desenvolvida pelo físico Wojciech Zurek [5] e outros nos primeiros anos da década de 90, que desenvolveram a Teoria da Informação Quântica e demonstraram que além da Lei da Conservação da Energia há uma Lei da Conservação da Informação mais fundamental. Neste processo de desenvolvimento de uma nova Teoria da Informação Quântica, Zureck propôs que a entropia física seria uma combinação de duas grandezas que se compensam entre si: a ignorância do observador, medida pela clássica entropia estatística de Shannon, e o grau de desordem do sistema observado, medido pela entropia algorítmica que é o menor número de bits necessários para registrá-lo na memória. Durante a mensuração, a ignorância do observador é reduzida como resultado do aumento do número de bits na sua memória, permanecendo, no entanto, constante a soma destas duas grandezas, ou seja, a entropia física. 

Neste contexto, a equivalência/identidade entre ordem, entropia negativa e informação que foi desenvolvida por Brillouin em seu célebre teorema, é o caminho que nos permite desenvolver e compreender todo o fluxo irredutível e natural de transmissão de ordem no universo, organizado em um modo informacional significativo e inteligente. Na teoria termodinâmica clássica, a definição de ordem é probabilística e dependente do conceito de entropia, que mede o grau de desordem de um sistema, e que reduz em incerteza a imensa dimensão dos significados naturais. Para Atlan [6,7], e para nós, Di Biase [8,9,10,11,12, 13], “entropia não deve ser entendida como uma medida de desordem, mas muito mais como uma medida da complexidade”. Para se conseguir isso, é preciso considerar que informação implica uma certa ambiguidade, significando a capacidade em bits de um sistema físico como Shannon [14] coloca, ou o conteúdo semântico (o significado) conduzido pelos bits durante uma comunicação. Na teoria da informação clássica, a organização, a ordem expressa pela quantidade de informação no sistema (a função H de Shannon) é a medida de informação que nos falta, a incerteza sobre o sistema. Relacionando essa incerteza, essa ambigüidade, à variedade e à não-homogeneidade do sistema, Atlan [7] pode resolver certos paradoxos lógicos da auto-organização e da complexidade, ampliando a teoria de Shannon e definindo organização de um modo quantitativamente formal. Assim, Atlan demostrou que a ordem do sistema corresponde a um compromisso entre o conteúdo informacional máximo (isto é, a variedade máxima) e a redundância máxima do sistema, e mostrou também que a ambiguidade, a incerteza, pode ser descrita como uma função do ruído, ou mesmo do tempo se considerarmos o efeitos do tempo como relacionados aos fatores aleatórios acumulados pela ação do meio ambiente. Essa ambigüidade, que é peculiar aos sistemas auto-organizadores biológicos, pode se manifestar de uma forma negativa (“ambiguidade destrutiva”) com o sentido clássico de efeito desorganizador, ou de uma forma positiva (“autonomia produtora de ambigüidade”), que atua aumentando a autonomia relativa de uma parte do sistema em relação às outras partes, reduzindo a redundância natural do sistema e aumentando o seu conteúdo informacional. Atlan [7] desenvolveu esta teoria auto-organizadora para explicar a complexidade dos sistemas biológicos, e Di Biase [ 8,9] para explicar a complexidade dos sistemas neurais e a consciência como veremos a seguir.
Também Jantsch [15] estudando a evolução do universo demonstrou que a evolução cosmológica é também um processo de auto-organização, com a microevolução dos sistemas individuais (hólons) co-evoluindo para estruturas coletivas macrosistemicas melhor organizadas, com acentuada redução na quantidade destes sistemas coletivos. Todo este processo auto-organizador cósmico que culmina na geração de vida e consciência, representa na verdade, uma expressão universal de uma maior aquisição de variedade ou conteúdo informacional que é consequente à uma redução da redundância na totalidade do sistema.
Seager (16) afirma que consciência, auto-organização e informação, se conectam ao nível da significação semântica, não ao nível da “capacidade em bit”, e que “como a teoria clássica da informação se situa ao nível da ‘bit capacidade’, ela seria inapta para promover a conexão propria com a consciência … e temos que começar a nos mover em direção a uma visão mais radical da natureza fundamental da consciência, com um movimento em direção a uma visão mais radical da informação”. Seager nos lembra ainda que no clássico experimento quântico das duas fendas, e no experimento denominado ‘quantum eraser’, o que está em jogo não é a ‘bit capacity’, mas a correlação semanticamente significativa de sistemas físicos ‘distintos’, informacionalmente carregados (‘information laden’) de modo não-causal.

Conectando informação quântica à consciência e à física

Wheeler [17] percebeu a importância da informação em tal contexto. Com seu gênio, descreveu um elegante universo informacional-participativo que é o modelo mais brilhante e fundamental da interação cérebro-mente-cosmos já descrito na ciência da consciência. Com o seu famoso conceito “it from bit” ele une a teoria da informação quântica à consciência e à física:
“…cada coisa – cada particula, cada campo de força, mesmo o espaço-tempo continuum – deriva sua função, seu significado, sua verdadeira existência, inteiramente – mesmo que em alguns contextos indiretamente – do aparato-desencadeador-de-respostas às questões sim-ou-não, escolhas binárias, bits.” “It from bit” simboliza a ideia de que cada item do mundo físico tem no fundo – em um fundo muito profundo, na maioria dos casos – uma explicação e uma fonte imaterial; o que chamamos de realidade surge, em última análise a partir da colocação de questões sim-não e do registro de respostas equipamento-evocadas; em suma, que todas as coisas físicas são informação teórica na origem e este é um universo participativo “.
No mesmo artigo Wheeler [17] dá o exemplo de um fóton sob observação detectado por um fotodetector, quando perguntamos a questão sim-ou-não:
“Será que o contador registra um clique durante o segundo especificado?”. Se sim, muitas vezes dizemos “um fóton fez isso”. Sabemos perfeitamente que o fóton não existia nem antes da emissão nem depois da detecção. No entanto, também temos de reconhecer que qualquer conversa sobre o fóton “existir” durante o período intermediário é apenas uma versão ampliada do fato em si, um registro. O sim ou não que é gravado constitui um indivisível bit de informação “.
Há uma versão cosmológica do experimento de Wheeler com fótons emitidos por um distante quasar duplo que mostra que os fótons interferem uns com os outros, não só quando observados em laboratório, mas também quando emitido no cosmos em grandes intervalos de tempo. Foi observado um quasar duplo com a sua imagem-luz desviada por uma lente gravitacional formada por uma galáxia situada cerca de um quarto da distância da Terra. A distância adicional percorrida pelos fótons desviados por esta galáxia interveniente era de cinqüenta mil anos-luz a mais do que a distancia percorrida por aqueles que foram pelo caminho direto. Apesar de originados bilhões de anos atrás e chegando com um intervalo de 50 mil anos, os fótons interferem uns com os outros como se tivessem sido emitidos segundos antes no laboratório.
Wheeler desenvolveu esta perspectiva do “it form bit” ao estudar a unificação das teorias de gravidade quântica em buracos negros, e afirmou que devemos entender informação quântica como mais fundamental do que a energia, matéria e espaço-tempo.
Isto tem relevância para estudos sobre a consciência pois, entendemos tambem a consciência como informação quântica no momento mesmo de sua criação, sendo ambas ( consciência e informação) uma propriedade fundamental do universo tal como a energia, a matéria e o espaço-tempo.
Portanto , neste contexto definimos tanto informação quântica quanto consciência como propriedades não-locais, intrínsecas e irredutíveis do universo capazes de gerar ordem, auto-organização e complexidade, que devem ser compreendidas com um status igual à energia, à matéria, e ao espaço-tempo, pois consciência, como já afirmamos, é informação quântica no momento mesmo de sua geração. Doug Matzke [18] afirma também que devemos aceitar a dualidade energia / informação para estados quânticos e consciência. Segundo ele, “os aspectos aparentemente paradoxais da consciência se tornam mais compreensíveis com a adoção dessa dualidade energia/informação, assim como no início deste século a dualidade partícula/onda foi iluminadora para compreender a física “…” Ao compreendermos estados quânticos como sistemas informacionais, a dualidade energia/informação é exposta. A natureza correspondente do espaço-tempo quântico suporta comportamentos não-locais. Leis de informação quântica formam uma rede consistente que criam todos os campos, partículas e até mesmo o espaço-tempo “.

O conceito de informação quântica não-local, sendo tão ou mais fundamental do que a energia, a matéria e o espaço-tempo, fundamenta não só a Teoria da Informação Quântica descrita no começo dos anos 90, mas também a Teoria Holoinformational do Campo Unificado da Consciência que propomos abaixo conectando “tudo o que está em cima a tudo o que está em baixo”, e unindo as filosofias das tradições espirituais da humanidade e a moderna física quântica.

O Código Cósmico
O que auto-organiza significativamente a evolução cósmica é a relação entre a entropia física e conteúdo informacional não-local quântico-holográfico do universo, através de um processo no qual a complexidade usando o conteúdo informacional pré-existente atinge níveis cada vez mais elevados de organização e variedade.
A complexidade no universo cresce gradualmente, a partir da Cosmosfera com a gravidade e as forças nucleares, com a informação armazenada nas estruturas atômicas. Intensifica-se com o surgimento dos sistemas macromoleculares auto-organizadores da Biosfera, com a informação armazenada nos código genético do DNA. E atinge um estado antientropico de complexidade, e de variedade e conteúdo informacional altamente elevados, com o surgimento da Noosfera e o código neural da mente com a informação armazenada nas redes neurais clássicas. Mas hoje sabemos que a evolução cósmica não para aí, e depende tambem da Consciênciosfera com seu código informacional não-local de interconexão consciência-universo cuja informação está armazenada nas redes quântico-holográficas do cérebro e na organização informacional não-local quântico-holográfica do cosmos. Esta rede universal de informação quântico-holográfica não-local distribuída universalmente conecta nossa consciência ao cosmos quântico-holográfico. É um desdobramento quântico informacional não-local que auto-organiza a matéria, a mente, a vida e a consciência de modo significativo, cujo arcabouço conceitual é a teoria quântico- holográfica do universo de David Bohm[20]. Esses códigos informacionais, esta ordem não-local transmitida de forma ativa, significativa e inteligente e instantânea através de todos os níveis de complexidade do universo, é a propria natureza auto-organizadora neguentrópica da consciência-informação, uma dimensão física e irredutível do cosmos com um status igual à energia, à matéria e ao espaço-tempo.

Consciência e não-localidade

Adicionando em suas equações um Potencial Quântico que satisfaz à equação básica da física quântica, a equação de Schrödinger, mas que é dependente da forma, e não da amplitude da função de onda, Bohm (20) desenvolveu um modêlo determinista, em que o potencial quântico, conduz “informação ativa” que “guia” a partícula em seu caminho. O potencial quântico possui características inéditas, pois diferentemente das outras forças da natureza não decai com a distância. Esta interpretação permite que a comunicação entre esta ‘onda-piloto’ e a partícula, se processe a uma velocidade maior do que a da luz, desvelando o paradoxo quântico da não-localidade, ie, da causalidade instantânea, fundamental em nossa visão holoinformacional da consciência. Este paradoxo, hoje exaustivamente comprovado, desde os primeiros experimentos de Alan Aspect nos anos 80, revela a existência de uma unidade cósmica informacional subjacente indivisível.
Informação quântica não-local é um processo fundamental da natureza, capaz de atuar modificando a estrutura do universo, pois qualquer partícula elementar se encontra unida, por meio de um potencial quântico, a todo o cosmos.
Para Bohm [21], diferentemente de Bohr, as partículas elementares não têm uma natureza dual onda/partícula, mas são partículas todo o tempo, e não somente quando são observadas. Na verdade, a partícula se origina de flutuações do campo quântico global, sendo seu comportamento determinado pelo potencial quântico, “que conduz informação sobre o meio ambiente, informando e orientando o seu movimento. Como a informação no potencial é muito detalhada, a trajetória resultante é tão extremamente complexa que parece caótica ou indeterminística”, afirmam Bohm e Peat [22]. Qualquer tentativa de mensurar as propriedades da partícula, altera o potencial quântico, destruindo sua informação. Como observou John Bell [23]
“a idéia de De Broglie-Bohm parece tão natural e simples, para resolver o dilema onda-partícula, de um modo tão claro e natural, que é um grande mistério… que ela tenha sido tão amplamente ignorada”.
Na teoria holográfica, de Bohm [24] como nenhum campo organizava a ordem implícita, ela era consequentemente linear e de difícil desdobramento. Mas Bohm afirma que a ordem implícita é uma função ondulatória, e a ordem superimplícita ou campo informacional superior, uma função da função ondulatória, ie, uma função superondulatória, que torna a ordem implícita não-linear, organizando-a em estruturas complexas e relativamente estáveis. Alem disto, ele coloca que o modelo holográfico como modo de organização da ordem implícita, dependia do campo potencial de informação quântica que não possuia capacidade de auto-organização e transmissão da informação , essencial para a compreensão da gênese e desenvolvimento da matéria, vida e consciência. A ordem superimplícita supre esta necessidade, “permitindo entender a consciência a energia e a matéria como variedades de expressão de uma mesma ordem holoinformacional” [Bohm]. Resulta então que:
A consciência desde os primórdios da criação já estaria presente nos diversos níveis de desdobramento da natureza.

Organismos e Cérebros são Sistemas Quânticos Macroscópicos

No mundo vivo a informação não-local está presente tal como no nível quântico e na escala cósmica. Em organismos vivos a coordenação de funções em seu interior é garantida pela coerência quântica não-local, como podemos ver na correlação instantânea entre partes e moléculas e também entre o organismo e o meio externo. Esta transferência de informação quântica instantânea é observada em moléculas orgânicas em estados quânticos emaranhados (entanglement), e no tunelamento quântico, em condensados Bose-Einstein, e em estados de superradiância que ocorrem em estruturas cerebrais como os microtúbulos, as sinapses e o líquido cefalorraquidiano. De acordo com Erwin Schrödinger em seu livro seminal What is Life? [25], em organismos vivos devemos substituir o conceito de ordem mecânica que produz ordem a partir da desordem, pela noção de ordem dinâmica, que produz ordem a partir de ordem, de organização complexa e informação. Esta diferença entre ordem mecânica e dinâmica, de acordo com o proprio Schrödinger foi proposta inicialmente por Max Planck, que fez essa distinção em um pequeno trabalho entitulado The Dynamic and Statistical Type of Law (cf.meu paper Auto-Organização em Sistemas Biológicos[8]). Esse tipo de ordem informacional não-local “dinâmica” explica a matéria viva, mas hoje sabemos que ela não se baseia somente em colisões e interações moleculares mecânicas casuais, mas em um abrangente sistema de correlações não-locais envolvendo até mesmo partes distantes que não teriam tempo para se misturar em um processo mecânico. Esta coerência orgânica só é possível através da mobilização de energia longe do equilíbrio termodinâmico. Mae-Wan Ho [26] sugere que o organismo se mantem em um estado neguentrópico através da superposição de um processo cíclico não dissipativo com equilíbrio entrópico zero, e um processo dissipativo irreversível com produção de entropia maior do que zero. Segundo ela o acoplamento do circuito (loop) não dissipativo cíclico com o circuito de energia irreversível liberta o organismo vivo das restrições termodinâmicas imediatas.
Mas como uma mente quântica auto-organizadora consegue superar a decoerência quântica e manter um estado coerente persistente por um longo tempo, à temperatura ambiente? Ho [26] vem demonstrando que “multiplas camadas de moléculas de água cristalina líquida altamente polarizadas formam unidades dinamicamente coerentes com as macromoléculas, lhes permitindo funcionar como máquinas de energia molecular quântica que transformam e transferem energia com aproximadamente 100 por cento de eficiência. Este contínuum líquido-cristalino de água polarizada e macromoléculas intimamente associados se estende por toda a matriz extracelular até o interior de cada célula, permitindo que cada célula, em última análise, cada molécula, se intercomuniquem umas com as outras “.
Este processo conhecido como superrradiância quântica também está ocorrendo todo o tempo nos microtúbulos neurais, conforme demonstrado por Hameroff e Penrose [ ]
Dejan Rakovic [27], no artigo Quantum-Holographic and Classically-Reduced Neural Networks can Model Psychosomatic Functions mostra como redes neurais quantum-holográficas e redes neurais clássicas podem modelar funções psicossomáticas: “O paradigma científico vigente considera o processamento de informações dentro do sistema nervoso central, como ocorrendo através de redes neurais hierarquicamente organizadas e interligadas. No entanto, parece que essa hierarquia de redes neurais biológicas desce até ao nível do citoesqueleto sub-celular, sendo de acordo com alguns cientistas uma espécie de interface entre os níveis neurais e quântico. Ao mesmo tempo, verificou-se que na versão do propagador de Feynman da equação de Schrödinger, o nível quântico é descrito por um formalismo matemático análogo ao das rede neurais associativas quântico-holográficas, do tipo Hopfield (Hopfield-like). A analogia mencionado abre uma questão fundamental adicional sobre o modo como o nível de processamento paralelo quântico dá origem ao nível de processamento paralelo clássico, que é um problema geral da relação entre os níveis quântico e clássico na teoria de decoerência quântica. A mesma questão está intimamente relacionada à natureza fundamental da consciência, cujas manifestações in-determinísticas de livre arbítrio e outras manifestações holísticas de consciência como estados de transição de consciência, estados alterados de consciência, e consciência permeando o corpo – implica necessariamente que algumas manifestações da consciência devem ter origem quântica mais profunda, com implicações psicossomáticas significativas “.

Interconexão da Dinâmica Neural Quântico-Holográfica com as Redes Neurais Computacionais Clássicas

Está muito bem estabelecido experimentalmente hoje que as moléculas de clorofila responsáveis pelo processo de fotossíntese, que transforma fótons de luz em energia química nas plantas, realiza esta interconexão com eficiência extraordinária, em cerca de 750 femtossegundos, comparado aos 1 a 1,5 femtossegundos que é a frequência das vibrações das ligações químicas. Isto ocorre devido à ação de uma proteína denominada proteína antena que se liga à molécula de clorofila sustentando o estado de coerência quântica e suprimindo a decoerência, por meio da reindução da coerência na partes decoerentes da molécula de clorofila [28]. Isto nos mostra que a capacidade de suprimir decoerência à temperatura ambiente é um processo comum na natureza. Assim, a capacidade de suprimir a decoerência quântica deve ser visto como um processo natural no cérebro, sendo possível que os neurônios e as células da glia possam sustentar um estado quântico coerente por milissegundos no complexo sistema celular e sua organização molecular repleta de macromoléculas de proteínas, pequenas moléculas, íons e água. Sabemos que na vizinhança destas macromoléculas existe água ordenada, e que as proteínas com uma cavidade na sua estrutura tridimensional podem reter uma ou algumas moléculas de água por meio de ligações de hidrogénio. Estudos de computação química quântica demonstraram que as moléculas de água ordenadas no interior das proteínas ou entre duas proteínas separadas por 12 a 16 angstrons permite a ocorrência de transferência quântica coerente de elétrons [29]. Esta coerência quântica pode se propagar através de transferência de informação não-local no sistema nervoso e no corpo por entrelaçamento quântico e superradiância. Como sistemas biológicos auto-organizados esses sistemas moleculares têm uma redundância estrutural e funcional muito elevada que facilita a interconexão não local entre todas as partes.

In-formação em Estruturas Dissipativas Auto-organizadoras

Ilya Prigogine [30,31] laureado com o Prêmio Nobel, desenvolveu uma extensão auto-organizadora da termodinâmica que demonstra como a segunda lei pode permitir o surgimento de novas estruturas, e indica as formas como a ordem pode emergir do caos. Este tipo de auto-organização gera estruturas dissipativas que são criadas e mantidas através de trocas da energia com o ambiente em condições de não-equilíbrio. Estas estruturas dissipativas são dependentes de uma nova ordem, chamada por Prigogine “ordem por flutuações”, que corresponde a uma “flutuação gigante” estabilizada pelas trocas com o meio ambiente. Nestes processos auto-organizadores a estrutura é mantida por meio de uma dissipação de energia que se desloca, gerando simultaneamente (in-formando) a estrutura através de um processo contínuo. Quanto mais complexa a estrutura dissipativa, mais informação é necessário para manter suas interligações, tornando-se, consequentemente, mais vulnerável às flutuações internas, o que significa uma mais elevada instabilidade potencial e maiores possibilidades de reorganização. Se as flutuações são pequenas, o sistema acomoda-as, e não altera a sua estrutura organizacional. Se as flutuações atingirem no entanto um tamanho crítico, podem causar um desequilíbrio no sistema, gerando novas interacções intra-sistémicas e reorganizações. “Os velhos padrões interagem entre si de novos modos, e estabelecem novas conexões. As partes se reorganizam em um novo todo. O sistema alcança uma ordem superior ” [30]. Esta termodinâmica das estruturas dissipativas auto-organizadoras elaborada por Prigogine quando aplicada à auto-organização do funcionamento cerebral permite compreendermos o cérebro como um computador quântico-dissipativo consciente auto-organizador.

Consciência auto-organização e In-formação

Pribram [32,40-45] demonstrou que os campos de atividade neural distribuída no córtex cerebral são padrões de interferência de ondas capazes de gerar sistemas holográficos quando analisados por meio das transformações de Fourier e das equações holográficas de Gabor. A equação de onda da rede neural de Pribram é semelhante à equação de onda de Schrödinger da física quântica com a adição do potencial quântico de Bohm.
Qualquer campo ou partícula elementar é unido a todo o cosmos através de um potencial de informação quântica não-local ativo sendo capaz portanto de alterar a estrutura fundamental quântico-holográfica do universo. Esta In-formação como afirma Stonier[33,34] pode ser então entendida como um processo fundamental da natureza, tal como já colocamos. A informação não-local “ativa” proposta por Bohm organiza o universo quântico-holográfico e mostra que toda a natureza é organizada de um modo “significativo”. Em nosso cérebro, este processo informacional é ao mesmo tempo quantum-holistico, baseado em campos neurais quântico-holográficos não-locais distribuídos, e local clássico newtoniano-mecanicista, com redes neurais clássicas. Assim, como venho propondo nos últimos anos [Di Biase,11,13], trata-se de um campo ao mesmo tempo local e não-local, ie, holoinformational.
Este ponto de vista é fundamental para entender a natureza informacional da consciência e da inteligência no universo [12]. Energia, matéria, vida e consciência são atividades significativas, processos quânticos-informacionais inteligentes, ordem transmitida através da evolução cósmica, originada a partir de um campo quântico informacional não-local gerador, além de nossos limites de percepção.
Um universo plenum de potencial quântico informacional não-local com significado (com informação ativa) é um universo inteligente funcionando como uma mente, como Sir James Jeans já havia observado. Assim, como a consciência sempre esteve presente em todos os níveis de organização da natureza, a informação, a energia, a matéria, a vida e a consciência não podem ser consideradas como entidades separadas, e analisadas com um arcabouço fragmentador cartesiano-newtoniano. Com efeito, a consciência deve ser considerada uma propriedade fundamental do universo [12,13], tal como a informação, a energia, a matéria e o espaço-tempo, e deve ser vista como informação quantica não-local irredutível, distribuída de modo holístico por todo o cosmo, e, simultaneamente, como informação local newtoniana mecanicista nos cérebros, sendo capaz de gerar auto-organização, complexidade, inteligência e evolução. Esta visão de um “continuum” inteligente holoinformational, uma ordem geradora fundamental com um fluxo criativo informacional quântico-holográfico permeando todo o cosmos, permite compreender a natureza do universo como uma totalidade indivisível auto-organizadora inteligente. Uma espécie de consciência universal se desdobrando em uma holoarquia infinita.
Como todo sistema quântico-holográfico distribuído não-localmente, esta consciência universal está distribuída nãolocalmente por toda a cosmosfera, do mesmo modo que a radio e a TV difusão (broadcasting) é distribuída holograficamente sobre nossas cabeças por todo o planeta. Nossa mente quântico-holográfica como parte ativa e não-local deste sistema universal holograficamente distribuído contém a in-formação ativa de todo o cosmos indivisível desde sua origem [Di Biase, 9,10] .

O Dualismo Interativo de Eccles e o Monismo Ontológico de Pribram

Sir John Eccles [35-39] descreveu no cérebro estruturas de fibras finas que denominou dendrons, compostas de sinapses e o conjunto de conexões formadas pelas redes pós-sinápticas dendriticas, que ele postulou poderiam interagir com o lado mental da interação cérebro-mente por meio de unidades que ele denominou de psychons. Propôs que esses psychons poderiam operar nas sinapses através de processos quânticos, e com Beck [36] desenvolveu uma elegante e lógica interpretação quântica da função sináptica.
Karl Pribram [44-45], demonstrou que os dendrons de Eccles formam campos receptivos sensoriais corticais, que “como campos receptivos sensoriais podem ser mapeados em termos de ondas, ou padrões wavelet-like, tal como Funções Elementares de Gabor. Dennis Gabor (1946) chamou essas unidades Quanta de Informação. A razão para este nome é que Gabor usou a mesma matemática para descrever as suas unidades, que Heisenberg usou para descrever as unidades da microfísica quântica. Aqui eles definem a unidade estrutural de processos que ocorrem no cérebro material. No entanto, Gabor inventou sua função, não para descrever os processos cerebrais, mas para encontrar a compressibilidade máxima de uma mensagem de telefone que pudesse ser enviada através do cabo Atlântico sem destruir a sua inteligibilidade. A função de Gabor descreve, assim, tanto uma unidade de processamento do cérebro quanto uma unidade de comunicação. Cérebro é material, e comunicação é mental. A mesma formulação matemática descreve ambos. A estrutura elementar de processamento no dendron material de Eccles é idêntica à estrutura elementar de processamento do psychon mental (comunicação). Existe uma identidade estrutural no processo interactivo dual”.

Pribram [44-45] propõe uma base monista para o dualismo de Eccles, mostrando que “há uma dualidade interativa mente/matéria que é um “solo” do qual tanto a matéria quanto a mente são “formados”e o “dual” emerge. Este solo funciona como uma realidade potencial semelhante ao mundo potencial de Heisenberg. Para Pribram, “Este fluxo se concretiza no espaço-tempo… e fornece as raízes ontológicas a partir das quais nossa experiência com relação à matéria, assim como à mente torna-se atualizada no espaço-tempo”.
Para iluminar esta alegação, Pribram relata a seguinte história: “Uma vez, Eugene Wigner observou que na física quântica não temos mais observáveis (invariantes), mas apenas observações. Com a pergunta na ponta da lingua, indaguei se isso significava que a física quântica é realmente psicologia, esperando uma resposta ríspida à minha arrogância. Em vez disso, Wigner irradiou um feliz sorriso de compreensão e respondeu: “Sim, sim, isso é exatamente correto”. Se realmente se quer tomar o caminho redutor, acaba-se na psicologia, e não em partículas. Na verdade, é um processo psicológico, a matemática, que descreve as relações que organizam a matéria. Em um sentido não-trivial a física atual está enraizada tanto na matéria quanto na mente. A comunicação depende de ser incorporada, instanciada em algum tipo de suporte material. Esta convergência da matéria sobre a mente, e da mente sobre a matéria, dá credibilidade à sua raiz ontológica comum. Minha alegação é que esta raiz, embora limitada por medidas no espaço-tempo, precisa de uma ordem mais fundamental, uma ordem potencial que está subjacente e transcende o espaço-tempo. A base espectral de ambos, matéria e comunicação, retratada pela relação de Fourier delinea essa alegação.
Como o cérebro tem a capacidade de funcionar tanto no modo não-local quântico-holográfico como no modo local clássico newtoniano espaço-temporal, acreditamos que estamos lidando aqui com algum tipo de complementaridade semelhante à de Bohr, no funcionamento do sistema nervoso central.

A teoria holonômica do cérebro de Pribram [32] e a teoria quântico-holográfica de Bohm[19], acrescidas com o campo akashico de Laszlo [2], mostra que somos parte de algo muito mais vasto do que nossa mente individual. Nossa mente é um subsistema de um holograma universal, acessando e interpretando este universo holográfico. Somos sistemas harmônicos holográficos fractais interagindo continuamente com essa totalidade indivível auto-organizadora. Somos este campo holoinformational de consciência, e não observadores externos a ele. A perspectiva de observadores externos gerou o hard problem de Chalmers e nos fez perder o sentido e o sentimento de unidade ou identidade suprema, gerando as imensas dificuldades que temos na compreensão de que somos um com o todo e não parte dele.

O Campo Unificado da Consciência
Neste modelo holoinformacional da consciência o fluxo quantum-informacional não-local em um contínuo holomovimento de expansão e recolhimento entre o cérebro e a ordem implícita de Bohm, é a Consciência Universal se auto-organizando como mente humana. Esta Consciência Cósmica não-local quântico-holográfica é o próprio universo se manifestando por meio de nossa mente, se vendo a si mesmo através de nossos olhos, tomando consciência de si mesmo por meio de nossa consciência, interconectando de um modo holístico indivisível e participatório o cérebro humano a todos os níveis do multiverso auto-organizador[46].

A Dinâmica Quântica Cerebral
Estudos experimentais desenvolvidos por Pribram[42] e outros pesquisadores como Hameroff e Penrose[48], Yassue e Jibu [49,50] confirmaram a existência de uma dinâmica cerebral quântica, nos microtúbulos neurais, nas sinapses e na organização molecular do líquido céfalo-raquidiano, e na matriz do meio intracelular, desvelando a possibilidade de formação de condensados Bose-Einstein e a ocorrência do Efeito Frohlich nestes sistemas. Os condensados Bose-Einstein consistem de partículas atômicas ou, no caso do Efeito Frohlich, de moléculas biológicas que assumem um elevado grau de alinhamento informacional, funcionando como um estado altamente unificado e ordenado, tal como ocorre nos lasers e na supercondutividade. Também os psychons de Sir John Eccles [36,39] operam nas sinapses por meio de processos de coerência quântica. Esta dinâmica quântica nos mostra que a interação entre os dendrons de Eccles ( o lado físico cerebral) e os psychons ( o lado mental) não são limitados à fenda sináptica , como colocado por ele , mas tem uma distribuição muito mais ampla por todo o cérebro.
Jibu, Yasue e Pribram[42,49,50] desenvolveram uma dinâmica quântica cerebral que é de natureza quântico-holográfica, ou como Pribram prefere, holonômica, baseada no conceito de logon, ie, na função (wavelets) de Gabor, e nas transformações de Fourier, mas não extenderam suas idéias além do cérebro. Com base nas pesquisas desenvolvidas por estes autores desenvolvemos o modelo holoinformacional da consciência em que o universo não-local quântico-holográfico e a estrutura não-local quântico-holográfica da consciência são concebidos interligados continuamente constituindo uma unidade, tal como na concepção de mônadas de Leibnitz. Em sua Monadologia, Leibnitz afirma que cada mônada, tal como um pequeno espelho, reflete todo o universo. Norbert Wiener também acreditava nessa maneira holográfica de se compreender o universo, em que cada parte contém a infoemação do todo, como vemos em sua afirmação: “Esse espelhamento é melhor compreendido como um paralelismo, incompleto é verdade, entre a organização interna da mônada e a organização do mundo como um todo. A estrutura do microcosmos corre paralela àquela do macrocosmos (Wiener, Back to Leibnitz).
Acredito que o imenso padrão de interferência de todo o universo, incorporando todas as relações de fase, no que Bohm denomina Ordem Implícita, faça com que cada organismo seja um reflexo de todo o universo tal como uma mônada leibnitziana. Pribram afirma que, além de cada organismo refletir o universo, é possível que o universo esteja refletindo cada organismo que o observa (comunicação pessoal). Em minha visão holoinformacional que se baseia nos conceitos quântico-holográficos de Pribram e Bohm, cada consciência está continuamente refletindo o todo e o todo está refletindo cada consciência, por meio de um fluxo holoinformacional, e uma holoarquia dinâmica infinita, que é distribuída fractal e auto-referencial.

Os estudos de Jibu and Yasue [49, 50] sobre dinâmica quântica cerebral revelam que “a dinâmica cerebral consiste de dinâmica quântica cerebral (i.e. modo quântico) e dinâmica cerebral clássica (i.e. modo clássico)” e que “ a dinâmica quântica cerebral é o processo fundamental do cérebro baseado na dinâmica do campo quântico dos campos vibracionais moleculares das moléculas de água e das biomoléculas.” De acordo com eles [50], Umesawa introduziu na dinâmica quântica cerebral a noção de que “ o quanta do campo vibracional molecular das biomoléculas são corticons, e o quanta do campo molecular vibracional das moléculas de água são bósons de troca”. A coerência quântica pode se propagar através destes campos vibracionais das biomoléculas e das moléculas de água por meio de transferência de informação não-local, entrelaçamento quântico, e superradiancia . O modelo quântico dissipativo cerebral é a extensão da dinâmica dissipativa proposta em 1967 por Ricciardi and Umezawa[51,52]. Além disto, os padrões de excitações neuronais podem ser descritos pelo formalismo de quebra espontânea de simetria da Teoria do Campo Quântico. Umezawa[52] afirma que “ Em qualquer material em física de matéria condensada qualquer informação particular é carreada por certos padrões ordenados mantidos por certas correlações de longo alcance e mediada por quanta sem massa. Parece que este é o único modo de memorizar alguma informação; memória é um padrão impresso de ordem mantido por correlações de longo alcance”.
Nos últimos anos, Amoroso, Rauscher e Kaufman[53,54,55) e Amoroso e Di Biase[10] vêm propondo a existência de um Multiverso Holográfico Antrópico altamente sintonizado para a geração de vida e consciência holoinformacional, que conteria em um modo holográfico-dinâmico toda a informação do universo permitindo, tal como Einstein sonhava, conhecermos a mente de Deus.
A maravilhosa metáfora budista da Rede de Indra do Avatamsaka Sutra[56], escrita há 2500 anos, reflete em sua poesia a natureza holográfica infinita do universo:
Far away in the heavenly abode of the great god Indra, there is a wonderful net which has been hung by some cunning artificer in such a manner that it stretches out indefinitely in all directions. In accordance with the extravagant tastes of deities, the artificier has hung a single glittering jewel at the net’s every node, and since the net itself is infinite in dimension, the jewels are infinite in number. There hang the jewels, glittering like stars of the first magnitude, a wonderfull sight to behold. If we now arbitrarily select one of these jewels for inspection and look closely at it, we will discover that in its polished surface there are reflected all the other jewels in the net, infinite in number. Not only that, but each of the jewels reflected in this one jewel is also reflecting all the other jewel, so that the process of reflection is infinite

Segundo Francis Cook [56] esta metafora “ mostra um Cosmos com uma infinita interrelação entre todas as partes, cada uma definindo e mantendo todas as outras . O Cosmos é um organismo auto-referente, auto-mantenedor e auto-criador. É também não-teleológico, porque não existe um início do tempo, nem um conceito de criador, nem um questionamento sobre o propósito de tudo. O universo é concebido como uma dádiva , sem hierarquia: ele não tem um centro, ou talvez se existe um, está em todo lugar”.

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