EXPERIÊNCIA ONÍRICA DE UM SONHO MÃE E FILHO

Trataremos de um sonho particular que tive em relação a meu filho que, ao dormir  no dia 11 de outubro de 2012, que antecedia ao desencarne dele, orei e pedi muito ao  Senhor da Vida que ele recebesse a minha vibração de amor, ternura e carinho e, então  adormeci… 

Abordaremos nesse trabalho sobre as formações oníricas (sonhos) como modo  de pensar a partir de um estado de consciência diferente daquele com o qual estamos  acostumados. Esse modo favorece a inspiração, pois várias descobertas científicas,  criações artísticas e soluções de problemas do cotidiano já surgiram enquanto as  pessoas dormiam. 

Ter acesso a seus próprios recursos naturais nos permitem continuar focados nas  questões que nos afligem quando acordados. Além disso, durante décadas, os cientistas  tentaram entender as características diversas dos sonhos. A pesquisa parece indicar que  se trata simplesmente de pensamentos, em um estado bioquímico diferente do estado  de vigília, mas o alcance dos sonhos parecem desafiar a natureza humana.  

Os requisitos psicológicos necessários para sonhar alteram o funcionamento  neurológico, por isso a experiência onírica pode parecer estranha ou sem sentido já que a química do cérebro adormecido afeta a forma como percebemos nossos próprios  pensamentos. Eis uma importância fundamental no caminho do autoconhecimento. 

Sonho de mãe e filho: 4 anos de saudade 

Filho amado. Hoje, faz 4 anos que não o vejo, não tenho seu abraço carinhoso, morno,  e o seu olhar sorridente. 

Hoje, você faria 57 anos aqui conosco, mas sinto a sua presença viva em meu coração.  

Hoje, estamos em planos diferentes. Mas sinto um infinito amor que nos une através das  lindas lembranças, recordações e das grandes aventuras que partilhamos.

Hoje, quando a saudade se faz mais presente nos encontramos nos SONHOS. É quando  conversamos muito, nos acolhemos um ao outro e temos a certeza de que a vida  continua de forma diferente… 

Eis a descrição do sonho: 

Ah! Ouço você dizer: “A fila anda! Você precisa deixar de ser cabeça dura e me ouvir!  Não tem mais idade, me ouça!” E sorrimos na busca de um denominador comum, e tudo  se resolve em um outro tempo. 

Eu aproveito deste novo tempo de estarmos juntos e digo que ouvi de um dos seus  melhores amigos que você me chamava de turca de uma forma amorosa, respeitosa,  honrando suas origens libanesas. E entre sorriso e surpresa falo com você o que também  fiquei sabendo de um outro amigo seu: “Tenho certeza que minha mãe está sempre ao  meu lado para me ouvir na hora que preciso. Verdade!” E que sua aprovação na  magistratura estava sinalizada com a minha presença em sua vida, ao seu lado, sempre  que você precisasse e frente à todas as dificuldades. 

E você caminha mostrando esse lugar onde é marcado pelos seus atos e ações, pela  presença de suas atitudes na vida das pessoas que, dentro do anonimato, exercia o  amor incondicional que tão bem você soube espalhar a todos quando aqui você esteve! 

Ah! E você diz: “É assim, amada mãe, que a vida se consolida neste lugar real e eterno.  Sei que um dia nos encontraremos e você será minha vizinha.” risos… E, neste momento,  ele me leva para conhecer a casa onde ele mora hoje. Linda, luminosa, plena de amor e  paz! Suas paredes são erguidas pela suas harmoniosas ações; as portas, pela equidade  em suas atitudes e comportamentos, o teto que deixa passar por uma fresta o sol que  ilumina, mostrando o coração generoso, amigo e leal. E, ao olharmos para o chão,  caminhamos sobre uma imensa energia de um oceano de probabilidades sustentado  pela congruência e plenitude de toda a caminhada por onde ele passou, onde ele  foi verdadeiro com o que pensou, sentiu e realizou.  

Neste momento, ele me aponta para um terreno vizinho à sua casa e diz: “Amada  mãe, ali será construída a sua casa. Todas as nossas ações, atitudes, pensamentos e  sentimentos constituem os alicerces da nossa morada eterna! Estou aqui sempre, atento  ao material que você envia para a construção da sua casa. Como engenheiro, traço a  planta baixa e como juiz, com tranquilidade e convicção, sei que será dada a sentença  máxima de uma vida plena de amor e luz, pois você e papai foram a massa que me  auxiliaram a concretar os alicerces na construção da minha casa, onde eu pude desenvolver o acabamento primoroso e sutil que hoje desfruto no mundo maior.” E então  nos abraçamos, amorosamente, como sempre! 

Neste momento, senti que era preciso despertarmos para as nossas realidades e nos  despedirmos. Foi então que o convidei para prosseguirmos nos encontrando nos  SONHOS e continuarmos a somar conhecimentos, dividir a compaixão, multiplicarmos  os ganhos e diminuirmos as diferenças e a distância entre nós! E assim, agradecemos  ao Senhor da Vida por esse nosso reencontro amoroso, profundo e eterno. 

Nos abraçamos e senti o abraço mormo e o beijinho na cabeça que sempre recebia no  nosso convívio, junto à certeza que é um até breve! 

O sonho se realizou me despertando para um novo amanhecer. Eu daqui e ele, lá, na  espiritualidade, mas guardado amorosamente dentro do meu coração pelo amor que  sempre existiu. 

E, ao abrir os meus olhos, me senti abraçada a esse menino de 4 aninhos que, afinal,  merece todo o meu cuidado e amor.  

Regina Nohra12/10/2021 

Diz um livro de sabedoria do Egito antigo que o deus criou os sonhos para indicar  o caminho aos homens, quando esses não podem ver o futuro. De acordo com Chevalier (2016), o sonhador está no âmago de seu sonho e toda a reunião de símbolos, de todas  as épocas e povos, pode servir à análise dos sonhos. Segundo Chevalier, o sonho anima  e combina imagens carregadas de afetividade e, portanto, sua linguagem é exatamente  a dos símbolos. Mas a arte de interpretá-los não depende de regras ou de codificar mecanicamente. É necessária ao mesmo tempo uma compreensão íntima e ampla do  meio psíquico, pessoal e social, além dos símbolos. 

Segundo Jung (Chevalier, 2016, p. 848), é preciso não esquecer que se sonha  em primeiro lugar, e quase exclusivamente, consigo mesmo e através de si mesmo. Ou  seja, cada elemento do sonho é como que um símbolo do próprio sujeito. A interpretação  do sonho, como a decriptação do símbolo, não são apenas respostas a uma curiosidade  do espírito. Elevam a um nível superior as relações entre o consciente e o inconsciente  e aperfeiçoam suas redes de comunicação. Logo, essa é uma das vias de integração da  personalidade.  

O homem mais bem esclarecido e equilibrado tende a substituir o homem  despedaçado entre seus desejos, suas aspirações e suas dúvidas, e que não se  compreende a si próprio ou aos acontecimentos da vida. 

O professor C.A.Meier, que Roland Cahen cita em Chevalier (p. 850) diz que a  síntese da atividade psíquica consciente e da atividade psíquica inconsciente constitui a  própria essência do trabalho mental criador.  

Nos processos de luto, o ente querido pode aparecer como se estivesse vivo e  tende a decrescer gradualmente na frequência dos sonhos (e seu significado simbólico  muitas vezes aumentando), à medida que o processo de luto caminha para uma  conclusão saudável, via de regra de seis a oito meses após a morte. Porém, de acordo  com Hall (2007), nos casos de luto prolongado e patológico, quando o indivíduo reluta  em aceitar a partida da pessoa amada, as imagens do sonho mostram amiúde o falecido  numa luz negativa, ou como se estivesse tentando abandonar o ego onírico. 

As pessoas normalmente concentram-se nas imagens dos sonhos e buscam o  sentido nelas, mas é também importante – se não mais importante – estar consciente  dos sentimentos trazidos à tona pelos sonhos (Signell, 1998, p. 38). Nesse caso em  questão, o sonho trouxe um sentimento compensatório de bem-estar ao permitir que sua  presença possa ser garantida em algum instante novamente, assim como o retorno à sua proximidade. 

Na psicologia junguiana, o sonho é considerado um processo psíquico natural e  regulador, análogo aos mecanismos compensatórios do funcionamento corporal. 

Mesmo quando os sonhos não são interpretados, eles parecem, às vezes, ter um  profundo efeito sobre a consciência vígil e mesmo quando não recordados, os sonhos  são parte vital da vida total da psique. Logo, na concepção junguiana, os sonhos estão  continuamente funcionando para compensar e complementar a visão vígil que o ego tem  da realidade.  

Segundo Hall (2007), a interpretação de um sonho permite que se preste um  pouco de atenção consciente na direção em que o processo de individuação já está se  desenrolando, embora inconscientemente. Um benefício adicional decorrente da  interpretação dos sonhos é o fato de o ego reter na memória consciente um resíduo do  sonho que permite à pessoa identificar motivos semelhantes na vida cotidiana e assumir  uma atitude ou ação apropriadas, resultando em menor necessidade de compensação  inconsciente dessa área conflituosa específica. 

Contudo, Carl Gustav Jung foi um pioneiro que pesquisou numa impressionante  profusão de fontes (mitologia, religiões, alquimia, textos esotéricos, seus próprios  sonhos, e sonhos dos clientes que atendeu, vindos de todo o mundo) assim, em  Memórias, Sonhos e Reflexões, Jung conta que os espíritos podem ser consciências  autônomas que pararam no tempo após a morte do corpo.  

O psicólogo canadense Allen Maffit assume a posição de que os sonhos são a  base biológica da espiritualidade e da religião porque são o único lugar em que se pode  encontrar os mortos. Para ele, o cérebro não tem receptores internos, então deve confiar  nos processos dos sonhos. 

Marie-Louise Von Franz descobriu que a morte assume muitas formas em sonhos,  entre elas uma árvore retorcida prestes a tombar, uma passagem em meio ao fogo e à  agua, encontros com mensageiros como anjos etc. Para ela, os sonhos fornecem  frequentes indicações de que a morte não é o fim da existência. 

Os sonhos também podem ajudar no processo de chorar a morte de uma pessoa  amada. Margarete Geme tem observado um aumento nas aparições de pessoas  falecidas em sonhos do enlutado imediatamente após o evento da morte. Depois de um período de tempo seu aparecimento diminui e o aparecimento de membros vivos da  família aumentou. Para Geme, esta mudança indicou um processo de luto bem-sucedido. 

Contudo, de acordo com doutrinas espiritualistas, nos sonhos espirituais há o  contato do espírito desdobrado do corpo físico com outros espíritos encarnados ou  desencarnados. As pessoas relatam conversas com parentes ou amigos  desencarnados, recados ou pedidos de pessoas que já partiram para a dimensão  espiritual. 

O que de certo sabemos é que não podemos ficar sem sonhar. Os sonhos tem  uma importância de elaboração pela psique do que é vivido, como também nas situações  de processamento de memórias. “Os sonhos comportam-se como compensação da  consciência em determinado momento” (Jung). Logo, o que o sonho em questão tem a  dizer para o indivíduo do ponto de vista da sua consciência em vigília? O sonho pode  manifestar o que está faltando para essa condição de vigília. A nossa natureza, o nosso  deus interior (Self), cuida de nós para que continuemos evoluindo. 

E assim, “encontrar um terreno para construir uma casa” é simbólico, e como a  própria etimologia da palavra diz, significa lançar reunindo (Sym-ballein). É preciso um  símbolo que possa unir a uma realidade perdida, e assim procurar crescer e enfrentar as  adversidades para não ficar no diabólico (diábolos, aquele que separa) a fim de equilibrar  para a conquista do que é exigido no momento em função da realização da jornada de  vida.  

A consciência sabe que a casa interna precisa de um lugar de sustentação. Essa  personalidade que está vivendo uma estrutura que foi abalada, precisa ser compreendida  e continuar. Não temos como saber com certeza qual é a interpretação correta de um  sonho, mas sabemos que o sonho significa sempre alguma coisa e o sonhador é quem  vai dar sentido a ele. 

Conclusão 

A vida onírica é geralmente tão esquecida da maioria das pessoas que trazê-la  para a vida atual vai dar sentido para muitas coisas. Depois de analisarmos os sonhos  como processos psíquicos vitais, a única ressalva a dizer é que essa matriz parece  orientar o ego consciente para uma atitude mais adaptada e madura frente à vida e aos  seus acontecimentos. 

O sonho me reitera a certeza de que a nossa vida no corpo físico não é única ou  especial, e que existem outras manifestações da vida, comprovando a imortalidade do  Espírito. 

Em todas as religiões e em todas as civilizações antigas, os sonhos têm sido uma  importante via de ligação entre o mundo material e o mundo espiritual. O sonho pode ser  considerado “a via real para o inconsciente” a caminho da individuação! 

Os sonhos não nos protegem das vicissitudes, mas funcionam como uma linha  mestra para lidarmos com elas e para encontrarmos um sentido, cumprirmos nosso  destino e realizar o potencial da vida que há em nós. Logo, ele representa as várias  dimensões do ser.  

Em todas as religiões e em todas as civilizações antigas, os sonhos têm sido uma  importante via de ligação entre o mundo material e o mundo espiritual. O sonho pode ser  considerado “a via real para o inconsciente” a caminho da individuação. 

Referências: 

CHEVALIER, Jean. Dicionário de símbolos. 29ª edição. Rio de Janeiro: José  Olympio, 2016. 

HALL, James A. Jung e a Interpretação dos Sonhos: Manual de Teoria e Prática.  São Paulo: Cutrix, 2007. 

KRIPPNER, Stanley. Sonhos Exóticos. São Paulo: Summus editorial, 1998. SIGNELL, Karen A. A Sabedoria dos Sonhos – para desvendar o inconsciente  feminino. São Paulo: Ágora, 1998.

ALQUIMIA E PSICOLOGIA ANALÍTICA JUNGUIANA

Um paradigma sobre vida e morte.

Da Alquimia Jung faz todo o seu processo de individuação. Por volta dos seus  45 a 50 anos, Jung começa a ter vários sonhos em que ele está envolvido com  questões da idade média. Investigando sobre isso percebe que a Alquimia teve sua  fase dourada nessa fase. Por conta disso, ele ficou mais de dez anos estudando e  vivenciando experiências alquímicas de imaginação ativa, acessando conteúdos do  inconsciente, gerando mais tarde o livro vermelho, o qual tem toda a influência  alquímica. 

Sua obra vai se tecendo à medida em que ele mesmo vai vivenciando o servir  ao Self. O fazer com que o chumbo, matéria densa, se transforme em ouro, no sentido  de se tornar uma matéria incorruptível, pura e áurea. Isso é um trabalho sagrado e é  nesse local de “laboratório” que faz confrontar a sombra, ressignifica a persona,  encarar o contraponto sexual, até encontrar a imago dei. 

Em todo esse processo de vida, onde o dissolve e coagula ocorre inúmeras  vezes, que se desenvolve o processo de ampliação da consciência. Quanto menos nos  permitimos adentrar no mar do inconsciente, quanto mais materialista e fixado no ego o  homem for, mais essa enorme dimensão inconsciente irá tomar conta através de  sintomas ou até mesmo de um surto psicótico. Por isso é tão importante olhar para o  inconsciente, para o Self e para todo o potencial criativo e evolutivo que há neles e que  precisamos cumprir nessa jornada de vida terrena. 

Na base da alquimia encontramos os quatro elementos: fogo, terra, ar e água.  Esses elementos também estão muito presentes na obra junguiana, como referência,  por exemplo, na tipologia junguiana. Dentro desses quatro elementos está a prima  matéria e toda possibilidade de transformação da vida.  

Para a alquimia tudo, sem exceção, está em evolução. A alquimia nos fala sobre  os grandes processos de transmutação: Nigredo (o mundo da sombra, da putefração,  caos, inferno), Albedo (estado de purificação), Rubedo (iluminação). A única  alternativa de sair do nigredo é enfrentar o mundo subterrâneo para poder sair  verdadeiramente transformado a fim de atingir a sua dimensão de profundidade de  alma. Para a alquimia esse enfrentamento é essencial: “Visita o centro da terra,  retificando-te, encontrarás a pedra oculta (ou filosofal) – V.I.T.R.I.O.L, em latim”. 

Todo caminho terapêutico é passar por esses ciclos: nigredo-albedo-rubedo. Esse caminho do Vitriol é ter que lidar com seus demônios (medos, mágoas, vazios, e  tudo o que mais incomoda o ser) para transformar e integrar tudo o que temos.  

A triste verdade é que a vida do homem consiste de um complexo de  fatores antagônicos inexoráveis: o dia e a noite, o nascimento e a morte,  a felicidade e o sofrimento, o bem e o mal. Não nos resta nem a certeza  de que um dia um destes fatores vai prevalecer sobre o outro, que o  bem vai se transformar em mal, ou que a alegria há de derrotar a dor. A  vida é uma batalha. Sempre foi e sempre será. E se tal não  acontecesse ela chegaria ao fim. (JUNG, 1965, p.85). 

Desde jovem, Jung entendeu que controle é uma ilusão do ego para dominar a  natureza. E era isso que os alquimistas entendiam: que a natureza é muito maior que o  ego. Se eu não tento controla-la, não corro risco de descontrole. Para a alquimia, “a  matéria-prima do mel é a doçura da terra, que reside nas coisas que crescem  naturalmente.” 

Podemos ser dominados e perturbados por nossos humores, ou  tornarmo-nos insensatos e incapazes de recordar fatos importantes que  nos dizem respeito e a outras pessoas, provocando uma pergunta: “Que  diabos se passa com você?”. Pretendemos ser capazes de “nos  controlarmos”, mas o controle de si mesmo é virtude das mais raras e  extraordinárias. Podemos ter a ilusão de que nos controlamos, mas um  amigo facilmente poderá dizer-nos coisas a nosso respeito de que não  tínhamos a menor consciência. (JUNG, pg25). 

E para que possamos atravessar as diversas fases da vida, precisamos passar  por diversas etapas. Segundo a compreensão alquímica, são sete etapas  suscintamente apresentadas: 

A primeira delas é a CALCINATIO. Em geral, a calcinação é uma demanda interna que está inflada. É uma fase de fogo. É uma operação para conseguir uma  transformação através do fogo. A SUBLIMATIO é uma operação que usa o elemento  ar, quando um sólido vira gasoso sem passar pelo estado líquido. Ele sai do fogo que  está corroendo para adquirir uma distância reflexiva, ou seja, poder olhar com outro  ângulo e fazer uma crítica reflexiva sem necessidade de uma sentença ou julgamento.  O ar vai ajudar no distanciamento das emoções para transformar. 

SOLUTIO representa um confronto do eu com o inconsciente, é um adicionar  água (sentimentos, valores) de maneira moderada para retornar ao conteúdo que foi  calcinado e sublimado. 

Após essa caminhada, a MORTIFICATIO, ou PUTREFATIO, representa uma  fase que gera grandes transformações, mas também é representada por muita dor. 

Geralmente há uma perda ou morte, ainda que seja uma morte simbólica. Nessa fase,  a pessoa precisa abrir mão de algo muito importante para a vida dela, deixar que algo  morra para que o novo possa surgir. A pessoa nessa fase sabe que precisa entregar  algo para realmente poder mudar, e isso é geralmente muito doloroso. 

A SEPARATIO é uma operação de separação, de discriminação, de perceber o  que é bom, o que é ruim, o que vale a pena, o que não vale. E por último a  CONIUNCTIO, a integração, que seria o casamento de novo, a integração dos opostos,  do sol e da lua, do positivo e do negativo, do bem e do mal, de tudo o que está dentro  do indivíduo, a luz e a sombra. A coniunctio é uma etapa onde algo se integrou dentro  da vida, dentro da sua estrutura. 

Cada vez que vamos refletindo e respondendo a esse movimento todo, vamos  evoluindo na percepção do sentido da vida (qual é nossa missão, o que estou fazendo  aqui), o qual nos questionamos em todas as fases, até chegarmos ao re-ligare,  preparação para a morte, fase de desapego. E é fundamental que a façamos.  

Sempre me impressionou o fato de que um número surpreendente de  pessoas não utilize jamais a sua mente, se for possível evita-lo, e  também que um número considerável o faça de maneira absolutamente  estúpida. Também espantou-me encontrar muitas pessoas inteligentes  e argutas em viver (tanto quanto se pode observar) como se nunca  tivessem aprendido a usar os seus sentidos: não veem o que lhes está  diante dos olhos, nem ouvem as palavras que soam aos seus ouvidos  ou notam as coisas em que tocam ou provam. Alguns vivem sem  mesmo tomar consciência do seu próprio corpo. (JUNG, pg 60). 

Conforme formos capazes de trabalhar internamente, maior a probabilidade de  vencermos os obstáculos da vida, integrarmos conteúdos, desenvolvermos o  autoconhecimento e termos uma vida mais rica. 

Precisamos refletir qual é a nossa relação com a vida e com a morte. É  interessante que o mesmo medo que se tenha na primeira fase da vida, fase de  construção, será correlato na segunda fase. A vida se encaminha para a morte, pois a  nossa condição principal é a de finitude. E o homem sabe disso, sendo essa condição  fonte de muita angústia. Por isso, a importância do sentido da vida é uma questão  fundamental para a dinâmica psíquica junguiana.  

A ideia de que a vida tende para um fim, não pode se tornar um impedimento  para realizar. Conforme Jung, a vida se encaminha para a morte, mas a vida  psicológica se recusa a se conformar com as leis da natureza. Para a alquimia, quanto  mais distante estiver o homem da natureza, mais doente estará. 

O tempo inteiro queremos um estado de repouso, como, por exemplo, estimular  alegria e repelir a tristeza. Ora, se a vida acontece em movimento, tristeza e alegria são estados naturais. A ideia de repouso é fugir da própria vida. Jung comenta que do meio  da vida em diante, só aquele que se dispõe a morrer conserva a vitalidade […] e  também que a recusa em aceitar a plenitude da vida equivale a não aceitar o seu fim.  Tanto uma coisa como a outra significam não querer viver. E não querer viver é sinônimo de não querer morrer. (JUNG, §800) 

É muito comum em situações de término as pessoas se segurarem ou se  apegarem a algo, mas a vida é movimento. A questão da morte provoca a busca real  de sentido, de quem se é, além de ser uma oportunidade de entender o que é a vida e  o que é a humanidade para nós (o que significa amar, realizar, se relacionar etc). É  através da morte que entendemos que fazemos parte de um todo maior. 

Da mesma forma que a trajetória de um projétil termina quando ele  atinge o alvo, assim também a vida termina na morte, que é, portanto, o  alvo para o qual tende a vida inteira. Mesmo sua ascensão e seu zênite  são apenas etapas e meios através dos quais alcança o alvo que é a  morte. Esta fórmula paradoxal nada mais é do que a conclusão lógica  do fato de que a nossa vida é teleológica e determinada por um  objetivo. (Ibid., §803) 

Referindo-se ainda aqui à mortificatio, operação da mortificação, que melhor  simboliza o morrer, implica também na sujeição das paixões e dos apetites, através da  abstinência. Esta operação está vinculada à humilhação, derrota, tortura, morte,  mutilação e apodrecimento. Todavia, essas imagens sombrias são um caminho para o  crescimento. Segundo Jung, a alquimia representa a projeção de um drama que é, ao  mesmo tempo, cósmico e espiritual, visando não somente ao resgate da alma do seu  praticante, como a salvação do cosmos. No começo desse perigoso processo,  encontra-se o dragão, o diabo, o espírito ctônico, a nigredo, a noite escura da alma.  Este encontro produz sofrimento, mas a partir da escuridão, nasce a luz. Até surgir a  aurora, o albedo. Ou seja, para o demoníaco deixar de ter existência autônoma e  passar a integrar-se profundamente à unidade da psique, no final do processo, deve  haver o insuflar da vida.  

Psicologicamente, a mortificatio indica que o princípio diretor da consciência do  ego está perdendo o poder, o conforto e a racionalidade. O que é precioso é extraído  após a mortificatio: o ouro, a pedra filosofal. Ou seja, nasce da morte simbólica de  certos traços do ego. E com a morte da impureza, da cobiça, do sujo, da paixão  obsessiva e culposa, com a retirada das projeções, pode-se chegar a uma luz. 

Em suma, o suportar consciente do conflito entre os opostos e o confronto com  as trevas é que vai verdadeiramente nutrir o self. Segundo Edinger, a mortificatio  representa literalmente matar, sendo a experiência da morte, que é a mais negativa 

operação de toda a opus alquímica. Todavia, é através dessas imagens sombrias que  chegamos a imagens altamente positivas de crescimento, ressurreição e renascimento. 

Conforme Edinger, o negrume refere-se à sombra e faz alusão à importância de  se ter consciência da própria sombra que, no nível arquetípico, considera que também  é desejável ter consciência do mal, porque a negrura é o começo da brancura, e  conforme a lei dos opostos, uma intensa consciência de um dos lados constela seu  contrário. 

“[…] A putrefação tem tamanha eficácia que anula a velha natureza, transmuta  todas as coisas numa nova natureza, e gera outro fruto novo. Todas as coisas vivas  nela morrem, todas as coisas mortas decaem, e depois todas essas coisas mortas,  recuperam a vida. A putrefação retira a acridez de todos os espíritos corrosivos do sal,  tornando-os suaves e doces.” (Paracelso, Hermetic and Alchemical Writings in  EDINGER, pg 167). 

E assim, com o sentido de morte, podemos sentir que a vida está aqui e agora, e  podemos trabalhar para que ela possa se revelar a cada etapa, pois uma vida sem  sentido, diz Jung, não é digna de ser vivida. Para ele, “a alma encerra tantos mistérios  quanto o mundo com seus sistemas de galáxias diante de cujas majestosas  configurações só um espírito desprovido de imaginação é capaz de negar suas  próprias insuficiências.” (Ibid, §815) 

REFERÊNCIAS: 

EDINGER, EDWARD F. Anatomia da Psique – O simbolismo Alquímico na  Psicoterapia. São 

 Paulo: Cultrix. 

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. 16ª impressão. Rio de Janeiro:  Nova Fronteira. JUNG, Carl G. A natureza da psique. Vol.8/2. Petrópolis: Vozes.

Jung e a individuação

Autora: Regina Nohra, pedagoga, psicóloga clínica hipnoterapeuta e diretora-presidente do Instituto
Milton Erickson de Petrópolis, filiado à Fundação Milton H. Erickson de Phoenix, Arizona.

O conceito básico da psicologia analítica, segundo Jung, é o processo de INDIVIDUAÇÃO. Neste texto pretendo me aproximar do conceito central da psicologia analítica, um dos grandes pilares de sustentação da teoria desenvolvida por Carl Gustav Jung (1875-1961).

Para Jung, o processo de individuação se realiza quando a consciência de um indivíduo se individualiza e se manifesta através da realização do si mesmo, do SELF.

Podemos considerar que o processo de individuação acontece, talvez, desde que nascemos, pois é um processo de autor realização, torna-se um ser indivisível, um ser individual, um ser onde se realiza em essência, ou seja, ele se transforma em uma unidade autônoma e indivisível se tornando uma totalidade. O principal foco da individuação é o conhecimento de si mesmo. Creio que este movimento de transdução de informação é um processo contínuo que o acompanha por toda vida.

A individuação se expande no campo espiritual da arte e da religião, mergulhando no íntimo da Alma, arrastando o mais sagrado, o mais puro, o mais amoroso, consagrando como o grande mistério da existência, o deus interior que se manifesta dentro de cada um de nós.

O processo de individuação procura tirar o indivíduo do isolamento, aproximando-o, projetando-o a uma convivência coletiva amorosa através do caminho de autoconhecimento que nos ensina a aprender a lidar com o negativo e o positivo.

Assim como o corpo precisa alimentar-se para desenvolver-se, a personalidade também necessita de experiências e aprendizagens para individuar-se. E, para isso, o Ego, que é dotado de uma função básica e fundamental segundo Jung, consiste na organização da Consciência, compondo de percepções, recordações, lembranças e pensamentos. O ser humano só poderá individuarse na medida em que o Ego for permitindo que as experiências recebidas se tornem parte da Consciência.

A Consciência e a Individuação caminham juntas, passo a passo, no desenvolvimento de uma personalidade, pois o início da Mente Consciente marca também o início do processo de Individuação.

A psicoterapia ocupa um papel significativo neste contexto, o analista é um expert nas técnicas, mas o analisado é expert nele mesmo. E, unidos em um estado amplificado de consciência, promovem amorosamente o processo de individuação, a seu tempo, a seu modo!

BIBLIOGRAFIA

Jung, C. G. (2011) A personalidade mana. Jung, C. G., O eu e o inconsciente, O.C., 7/2, parte II, cap. IV

Jung, C.G. (2011) Consciência, inconsciente, individuação. Em Jung, C.G., Os arquétipos do inconsciente coletivo, O.C., vol. 9/1

Von Franz, M-L. (2000) O processo de individuação. Em Jung, C. G. (org.), O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, cap. 3.

O que é Estoicismo?

Enfatizando virtudes e sua relevância filosófica:

Na antiguidade, o estoicismo se firmou como uma das corretes filosóficas mais influentes do helenismo. Essa escola de pensamento originou-se na cidade grega de Atenas próximo ao ano 300 a.C., embora seu fundador, Zenão, tenha sido um estrangeiro natural de Cítio (atual Lárnaca, na ilha de Chipre). As virtudes têm um peso norteador para os seguidores da doutrina, suas ações comprovam e evidenciam. O nome dessa escola originou-se do local em que esse pensador se reunia com seus discípulos, um pátio do espaço público destinado à discussão política em Atenas — a ágora. Ela nos deixa uma enorme relevância literária, ferramentas de pesquisa para o autoconhecimento e autodomínio do self. Para os estoicos era irrelevante a origem do indivíduo, apenas seus pensamentos e virtudes.

Princípios x Virtudes x Estoicismo x Atualidade:

Os princípios Estoicos se fazem presentes na vida cotidiana sem que a maioria das pessoas se dê conta que foram instituídos há 2300 anos. Uma citação, uma postura, um pensamento, por serem atemporais, são tão atuais.

Sendo assim, na visão do estoicismo (para o homem) a verdadeira felicidade só seria alcançada através de sua virtude, ou seja, os seus conhecimentos e valores, abrindo mão completamente do “vício”, considerado pelos estoicos um mal absoluto.

Que caminho percorrer para a verdadeira felicidade? Como encontrar propósito na vida? Como lidar com nossas emoções superando perdas profundas? A filosofia dos estoicos pode nos dar as respostas para essas perguntas. A popularização do Estoicismo se dá devido a forma como conduziram a implementação desta filosofia, em escolas ao ar livre, onde participação de todos era valorizada.

Cabe aqui uma reflexão, um paralelo, já que a vida contemporânea anda malcriada e nos assustando com distorções de princípios e valores que nem de longe nos lembra os valores estoicos. Qual é a dificuldade contemporânea em se deixar orientar por valores simples, reais, orgânicos? Como absorver culturas que se reforçam na superfície, na futilidade das emoções fugazes?

Desmistificar a formalidade da filosofia adequando à modernidade do que é essencial e completo, pode apontar um caminho. Sabemos que muitas outras escolas filosóficas inexistem e apenas se mantém como referência de pesquisa. Então qual é a razão do Estoicismo ainda hoje ter tamanha influência e seguidores? Pelo simples fato de se apoiar na praticidade e na razão.

Os seguidores da doutrina do Estoicismo são norteados por esses princípios filosóficos:

                    A virtude é o único bem e caminho para a felicidade:

Virtude: sinônimo de: Austeridade, Autocontrole, Autodomínio, Compostura, Discrição. Nos dias atuais nos comportamos roboticamente perante situações onde temos dificuldades na escolha entre o que nos faz bem em detrimento do que não agrega. Para os estoicos, elas (as virtudes) são os valores essenciais na filosofia, a âncora que direciona as ações. “Se, em algum momento de sua vida”, Marco Aurélio escreveu, “tu deves encontrar algo melhor do que justiça, verdade, autocontrole, coragem – deve ser algo realmente extraordinário”. Isso foi há quase vinte séculos. As descobertas que extraordinariamente surgiram desde então, transformando nosso senso de prioridades– automóveis, internet, avanço da Medicina, será que são melhores do que ser:

  • Corajoso?
  • Do que ter moderação e sobriedade?
  • Agir de forma prudente e assumir a responsabilidade sobre os seus atos?
  • Entender que o Prazer pode se tornar um inimigo sábio?
  • Os sentimentos externos tornam o ser humano um ser irracional e não imparcial?
  • O entendimento e a verdade?
  • Priorizar o conhecimento e o agir, desde que seja a razão sua norteadora?
  • O indivíduo precisa conviver e aceitar a sua vida da forma que ela é?
  • Aceitar que na vida o que acontece ao nosso entorno obedece a lei de causa e efeito?

Procurando responder à essas perguntas podemos nos surpreender com o que encontraremos como norteadores de vida, intenções escondidas e prioridades reprimidas.

Será que conseguiremos encontrar algo melhor em algum momento de nossa vida? Não creio! Mas, creio no desenvolvimento humano, creio na sabedoria interior que nos conduz e eleva. Os princípios, ensinamentos, reflexões, ponderações e pensamentos que apoiam nossas atitudes e vêm de séculos atrás, nos mostram ser mais atuais do que imaginamos.

A partir desses princípios é possível entender pessoa estoica sendo aquela que não se deixa levar por crenças, paixões e sentimentos que são capazes de tirar a racionalidade de uma pessoa na hora de agir, como desejos, dor, medo e prazer. Isso porque essas circunstâncias são infundadas e irracionais.

Nossos enfrentamentos e confrontos são a oportunidade de respondermos com essas 4 virtudes:

Coragem:

Se entendemos que a vida pode se assemelhar a um romance sombrio, que mutila o sentido e a intimidade com o estar vivo, entendemos também que de nós será cobrada a coragem para enfrentarmos o bem viver. Os estoicos podem ter direcionado isso de maneira um pouco diferente. Sêneca diria que ele se compadeceu de quem realmente nunca experimentaram o infortúnio.

 “Tu passaste a vida sem um oponente”, disse ele, “ninguém pode saber do que tu és capaz, nem mesmo tu. ”

Somos rotulados por categorias e quando não correspondemos aos rótulos carimbados sofremos. As situações e seu grau de complexidade nos afeta de formas diferentes e na maioria das situações respondemos com coragem, ou pelo menos é o que se espera de nós. Podemos pensar serem incômodas, trágicas, ou como perguntas transformadoras e reveladoras de quem somos nós.   As respostas serão a bússola do caminho a seguir.

Temperança:

Não podemos confundir coragem com bravura, pois a bravura pode se outorgar imprudência. A coragem se faz necessária para atitudes onde não arrisque a si e aos outros, colocando em perigo alguém ou alguma situação.

Neste momento Aristóteles se faz presente na metáfora famosa de uma “média de ouro” ou doutrina do meio termo, usando coragem como principal exemplo, sendo duas extremidades opostas onde em uma, havia o excesso de coragem que ele sabiamente define como imprudência e no outro cabia a covardia, que para ele se configura como falta de coragem.

Em que momento da vida nos perguntamos ou refletimos na falta ou excesso de coragem? Podemos pontuar precisamente onde ela se excedeu e onde se ausentou?

E se para nós a nossa coragem estiver definida de uma maneira e para outros se configurar imprudência? O que era necessário, o que solicitávamos então era uma média de ouro. A quantidade certa.

Não fazer nada em excesso é a premissa da temperança. Assertividade, na medida certa, sem excessos. Porque “somos o que fazemos repetidamente”, diz Aristóteles, “portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito”.

 Epicteto diria mais tarde, “a capacidade é confirmada e cresce em suas ações correspondentes, andando, andando e correndo, correndo; portanto, se tu quiserdes fazer alguma coisa, cria o hábito”.  

O querer anuncia uma intenção e com foco podemos ser felizes, bem-sucedidos, realizados, podemos sem esforço exagerado ou magia, fazer acontecer.

Justiça:

Não enfatizar a coragem procurando o equilíbrio nas atitudes, sabemos ser o pilar estrutural virtuoso desta filosofia, mas, nenhuma destas virtudes se sobrepõe à Justiça, ou seja, fazer a coisa certa!

 Parafraseando Marco Aurélio: ” A justiça é a fonte de todas as outras virtudes”. Os estoicos, ao longo da história, têm pressionado e defendido a justiça, com intuito de fazer grandes coisas e defender as pessoas e ideias que amavam.

  • “Catão deu a vida tentando restaurar a República Romana”.
  • “Trásea e Agripino resistiram à tirania de Nero”.
  • “George Washington e Thomas Jefferson formaram uma nova nação – uma que procuraria, ainda que imperfeitamente, lutar pela democracia e pela justiça – amplamente inspirada na filosofia de Catão e dos outros estoicos.”
  • “Beatrice Webb, que ajudou a fundar a London School of Economics e que primeiro conceituou a ideia de negociação coletiva, releu regularmente Marco Aurélio”.

É sabido que vários outros indivíduos ligados à política recorreram ao estoicismo quando não encontravam possibilidades de luta por ideais importantes, sempre acreditando verdadeiramente que se pode fazer a diferença (pensamento estoico).

Em pleno 2022, onde o mais é sempre mais e as virtudes estão conturbadas, Justiça é um tema duvidoso de se abordar perante as inúmeras faces do indivíduo e negação do fazer a coisa certa; mas, ainda creio na sensatez humana e no poder transformador da coletividade para o bem comum.

Na escala evolutiva subimos degraus em momentos diferenciados e sem julgamentos ou críticas, exercer a compaixão pelos que ainda não se conscientizaram da necessidade do aprendizado, do conhecimento, da coletividade é uma virtude.

E por fim, não menos importante, a Sabedoria. O que seria correto definir como sabedoria? Como a antiguidade se emparelha aos dias atuais? Será que conseguiremos nos equiparar a sabedoria da antiguidade? Como lidar com todo conhecimento armazenado na literatura?

Podemos nós, simples mortais, configurar o conhecimento ancestral com propriedade?

Sabedoria:

Sabedoria, sapiência ou sagacidade é a condição de quem tem conhecimento, erudição O equivalente em grego “sofia” é o termo que equivale ao saber; O termo encontra definições distintas conforme a ótica filosófica, teológica ou psicológica.

Qualidade, característica de quem é sábio ou do que é sábio. Grande instrução; ciência, erudição, saber. Essas definições provêm do dicionário convencional, significando sinônimos.

Mas para você o que significa ser sábio? Onde você acredita que usou de sua sabedoria? Com que objetivo?

 Zenão falava sempre que o homem recebeu dois ouvidos e uma boca para que desenvolvesse o hábito de ouvir mais do que falar. E o bônus de dois olhos, para nos policiarmos a observar, ter atenção para diminuir o que falamos. Os estoicos sempre valorizaram a sabedoria, o conhecimento.

Nos dias atuais, selecionar o que ouvimos, o que nos chega de informação é essencial, como no mundo antigo, pois existem inúmeras informações para serem acolhidas por nós, mas, confiável nem todas.

Você não pode aprender o que pensa que já conhece, disse Epicteto.

Saber procurar a quem entregaremos a confiança de nos ensinar se faz importantíssimo para a saúde do nosso aprendizado. A leitura tem o poder de nos transportar e apreender ludicamente as informações obtidas.

O objetivo não é apenas adquirir informações, mas a informação correta. São as lições encontradas em Meditações e também nos escritos de Epicteto. São os principais fatos, destacando-se do ruído externo, que você precisa absorver.

Podemos honrar o aprendizado (honrar a sabedoria estoica) que está disponível, há milhares de anos. Anos esses que nos traz uma visão exuberante e certifica que podemos aprender o que quisermos, tudo que pudermos alcançar, toda sabedoria que vc precisar para fazer a diferença.

Regina Nohra

Fontes:

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/os-estoicos.htm
https://www.google.com/search?q=Enfatizando+virtudes+com+breves+pinceladas+no+Estoicimo&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR972BR972&oq=Enfatizando+virtudes+com+breves+pince
https://www.significados.com.br/estoicismo/

SÊNECA. Sobre a ira / Sobre a tranquilidade da alma. Tradução, introdução e notas de José Eduardo S. Lohner. São Paulo: Penguin Classics; Companhia das Letras, 2014.

|2|SÊNECA. Sobre a brevidade da vida / Sobre a firmeza do sábio. Tradução e notas de José Eduardo S. Lohner. São Paulo: Penguin Classics; Companhia das Letras, 2017.

|3| EPICTETO. Encheiridion de Epicteto. Tradução do grego, introdução e comentário de Aldo Dinucci e Alfredo Julien. São Paulo: Annablume; Imprensa da Universidade de Coimbra. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10316.2/32825>. Acesso em 28 out. 2019.

|4| MARCO AURÉLIO. Meditações. Introdução, tradução e notas de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 1989.