Elementos da Indução

1. Permissão/validação/observação/utilização

Qualquer reação, comportamento e experiência são validados pelo terapeuta. Isto consiste em aceitar o cliente como se apresenta e usar seus próprios sintomas, crenças e até sua resistência à hipnose para fazê-lo entrar em transe.

Permissão significa dar opções ao paciente, usando as palavras pode e talvez, ao invés de previsão: acontecerá.

Observação e incorporação das reações – Dizendo simplesmente o que observa e utilizando para sugerir que isto tudo pode leva-lo ao transe.

2. Evocação ao invés de Sugestão

Fazer comparações entre hipnose e outros estados que o paciente já experimentou antes ou lembra-lo de recursos que o terapeuta sabe que ele tem.

3. Pressuposições/implicações/dicas contextuais

Pressuposições verbais: Ilusão de alternativas como você pode ser hipnotizado de olhos abertos ou fechados, dando a ilusão de que o cliente pode escolher mas na verdade pressupõe-se que ele será hipnotizado.

Dicas contextuais – São palavras colocadas no texto da conversa que sugerem o transe, como: conforto, relaxado, etc.

4. Sincronização

Não verbal – Ritmo, posturas, qualidade da voz, ritmo respiratório, observação do comportamento, são respostas de espelho. Começa-se a indução copiando ou “espelhando” o cliente em todos seus gestos, posturas, ritmo respiratório, etc. e depois, aos poucos vamos modificando nosso comportamento e observando se o paciente nos acompanha. Quando isto começa a acontecer, é um sinal de que ele está entrando em transe.

5. Descrição
Para ganhar credibilidade, descrevemos a cena que vemos, mas tomando o cuidado de não tentar adivinhar a experiência do cliente. Assim, só afirmamos o que temos certeza. Por exemplo, podemos descrever: Enquanto você permanece aí sentado nesta cadeira, com a perna direita cruzada sobre a esquerda, ouvindo minha voz, com os olhos fechados e respirando tranquilamente, você sente o peso de seu corpo sobre a cadeira, você coça o queixo…

6. Palavras de permissão e de transferência de poder

Em continuação a descrição explicada acima, podemos incluir alguma coisa que não estamos observando mas que tem grande possibilidade de estar acontecendo. Para não correr riscos, devemos ser vagos, evitando colocar conteúdo no que falamos, abusando das alternativas. Podemos falar, por exemplo, em continuação ao que falamos acima: e você parece estar se sentindo muito confortável, não está? Esta é uma ótima palavra porque cada pessoa tem o seu conceito de conforto e pode imaginar o que quiser. A palavra parece, nos livra da possibilidade do cliente achar que estamos invadindo a experiência dele, e a negação no final deixa-o livre para sentir-se ou não “confortável”.

7. Divisão

Consciente/inconsciente; aqui/lá; presente/futuro; dentro/fora. Pode ser também não verbal, utilizando-se de gestos com as mão ou com a cabeça enquanto falamos. Quando estamos sugerindo ao paciente que ele tem um lado consciente e outro inconsciente, podemos virar a cabeça para a esquerda ao falar consciente e para a direita quando falar inconsciente. Ao fazer isto, toda vez que tombarmos a cabeça para um lado, o paciente saberá com qual de suas partes estamos falando. Isto se chama ancoragem. Este gesto de cabeça era um modo muito utilizado por Erickson, que economizava muito seus gestos, talvez até devido à sua deficiência física, mas tornou-se um procedimento de ancoragem visual muito difundido entre seus discípulos.

8. Ligação

Artifício de linguagem que liga duas coisas que não estavam ligadas. Quando ligamos duas frases que necessariamente não tem relação de causa e efeito isto soa verdadeiro. Pode-se também fazer várias afirmações verdadeiras e no final, liga-las a outra coisa que não tem relação com o que foi dito e mesmo assim, o cliente aceita como verdade.

Na ligação verbal, podemos falar: Você está sentado nesta cadeira e pode entrar em transe. É claro que o fato de estar sentado na cadeira não tem ligação com entrar em transe mas, colocado no contesto da indução, soa como verdade. Pode-se falar também: “Quanto mais seu consciente se distrair com os sons desta sala, tanto mais facilmente você entrará em transe…”

9. Intercalar

Esta é uma técnica poderosa porque fala diretamente ao inconsciente e pode-se induzir um transe até sem que a pessoa perceba. Consiste de elaborar uma conversa informal e intercalar sugestões na frase, dando ênfase às palavras que interessam com mudanças na entonação, ritmo, volume etc. de nossa voz. No interior de uma mensagem maior existe outra mensagem, um subtexto.

Como exemplo, vou transcrever uma frase de William O’Hanlon:

“Lembra-se daquele tempo quando nem tudo estava ´pesando em suas costas´ e você podia relaxar? Ou se sentir mais confortável? Mas, tenho certeza de que, no passado você já tentou aliviar o ´peso das suas costas´ com o relaxamento. Você já se sentiu relaxado e confortável.”
Costas, relaxar, confortável, costas, relaxamento, relaxado e confortável. Esta é a mensagem embutida no texto que entrará direto no inconsciente, fazendo com que o paciente relaxe suas costas.