O Aspecto Informacional-Holográfico da Consciência

Francisco Di Biase

Resumo
Tema a ser abordado na aula de (01/10/11).

Texto Completo

Para levarmos nossa aventura adiante em busca da natureza da consciência, necessitaremos ultrapassar a visão molecular sintetizada acima, e a visão clássica de informação elaborada nos anos 40 do século XX por Claude Shannon, que desenvolveu uma teoria da comunicação dependente da capacidade em bits, que é incapaz de fornecer uma conexão adequada com o conceito de informação quântica não-local, e a consciência. Precisamos para isso de uma visão mais radical da informação para elaborarmos uma visão mais radical da natureza fundamental da consciência.

Stonier , físico, define informação como “ o princípio organizacional cósmico com um ‘status’ igual à matéria e à energia. DavidChalmers que é um filósofo da mente, também propõe que “consciência é um aspecto irredutível do universo, como o espaço, o tempo e a matéria. Alguns físicos quânticos, como W. Zureck, ultimamente têm proposto uma Lei de Conservação da Informação, mais fundamental do que a Lei de Conservação da Matéria e Energia, que permitiria concebermos informação desta forma mais radical. Em 1999, no paper Information Self-Organization and Consciousness, publicado nos USA e na Europa, propuz uma nova Teoria Holoinformational da Consciência, fundamentada na moderna física da informação quântica surgida nos anos 90. Neste trabalho, defini informação como “ uma propriedade intrínseca, irredutível, e não-local, do universo, capaz de gerar ordem, auto-organização e complexidade “. Nesta concepção mais ampla, informação passa a ser entendida como uma dimensão primária e irredutível, tão básica e incorporada à organização do universo quanto a energia, a matéria, e o espaço-tempo. Lembro-me com emoção ainda, do debate que esta idéia gerou, quando apresentei esta Teoria Holoinformacional da Consciência pela primeira vez, no congresso Science and the Primacy of Consciousness, na Universidade de Lisboa em Portugal, em 1998, tendo Karl Pribram como moderador. Durante o debate, após a minha apresentação, fui desafiado por um cientista, australiano, que me pediu que definisse melhor esta nova concepção de informação. De um modo mais intuitivo do que racional, em segundos, tive uma iluminação, um insight, e vislumbrei de imediato todo o conhecimento que me levara a esta definição, emergindo em minha mente a definição acima de informação. Ao ouvir esta definição, Pribram imediatamente se levantou, e se encaminhou em minha direção, cumprimentando-me e dizendo que concordava plenamente com minhas idéias. Foi o início de uma bela e profunda amizade que me permitiu trazê-lo ao Brasil, para ministrar a conferência magistral, O Modelo Holográfico de Consciência, no simpósio Fronteiras da Consciência, organizado no Rio, por mim e o colega Jairo Mancilla.

Nesta oportunidade, pude passar alguns dias ao seu lado curtindo sua imensa sabedoria, e ao mesmo tempo lhe mostrando as belezas naturais do Rio, o Cristo Redentor, o Pão de Açucar, nossas famosas praias e restaurantes, o passeio de barco pela baía de Guanabara, nossas mulheres maravilhosas, e nosso povo alegre e descontraído. O Reencontro da Ciência com a Consciência Desde os anos 70 do século XX vem ocorrendo um renascimento do interesse científico sobre a natureza da consciência, que se acelerou imensamente nos anos 90, com a moderna tecnologia de neuroimagem que permitiu visualizarmos , o “fluxo da consciência”, descrito por William James, no século XIX. No entanto, filósofos da mente como David Chalmers, clamaram que o substrato neural da consciência não é a mesma coisa que a consciência em si, e que devemos estar alertas para o que ele denomina hard problem (o problema difícil) e easy problem (o problema fácil). O “easy problem”, – que não é tão fácil assim­ como pensam os filósofos ­- refere-se ao que compreendemos sobre o funcionamento do cérebro e a experiência consciente, com o uso da moderna ciência e tecnologia. O “hard problem” seria a experiência interior, nossa e dos outros, que experienciamos, por exemplo quando olhamos uma rosa vermelha, ou seja, a qualidade da nossa experiência consciente ou qualia. A rosa vermelha que admiramos e cheiramos não é o mesmo que o substrato neural desta experiência. A experiência interior da “vermelhitude” da rosa não são os comprimentos de onda da cor vermelha, nem o substrato neural que nossos modernas ressonâncias magnéticas com seus computadores estão descrevendo!!

Um novo Modelo de Consciência O modelo de consciência que desenvolveremos aqui, permite introduzirmos a espiritualidade no arcabouço da Ciência, pois como a consciência (consciousness) passa a ser compreendida como o fluxo de informação quântico-holográfica que religa o cérebro e o Cosmos, nossa fonte primordial. Assim, os fenômenos transpessoais, parapsicológicos, paranormais, mediúnicos e religiosos são entendidos como processos normais da própria estrutura quantum-informacional-holográfica do universo. Nesta nova visão paradigmática, nosso cérebro é compreendido como parte de uma vasta mente espectral quântico-holográfica que assemelha-se à própria organização do cosmo, mas de modo diferente ao proposto pelo panpsiquismo. Somos muito mais vastos do que nossas consciências individuais, e partes ativas de uma complexa holoarquia quântica, na qual cada consciência contém a informação do todo, e pode acessá-la por meio de estados elevados de consciência que como veremos, otimizam o tratamento holográfico da informação neuronal. Nestes estados alterados de consciência podemos interagir com a ordem espectral “oculta” , “implícita”, descrita na teoria quântico-holográfica de David Bohm, e, com uma ordem superior superimplícita, talvez o objeto final de nossa busca, da qual somos feitos “à imagem e semelhança”, tal como o objeto real que gera o holograma! Este modelo unifica ainda as neurociências e as abordagens psicoterapêuticas transpessoais, com as tradições espirituais, fundamentando cientificamente uma nova cosmovisão transdisciplinar holística da consciência, mais abrangente do que o paradigma cartesiano-newtoniano predominante na ciência do século XX e XXI. Ao ser capaz de explicar todos os desenvolvimentos do antigo paradigma, e ir além explicando o fenômeno da consciência , podemos estar vivenciando uma mudança de visão de mundo na história da Ciência, tal como descrito por Kuhn. O Modelo Holoinformacional da Consciência Considero este modelo de consciência como uma extensão do dualismo interativo desenvolvido por Sir John Eccles nos anos 70 e 80, e do monismo ontológico desenvolvido experimentalmente desde os anos 60 por Karl Pribram, recentemente ampliado por mim e Richard Amoroso. É uma interpretação da natureza da consciência baseada em um modelo quântico-informacional holográfico da interação cérebro-consciência-universo, fundamentado em três pilares da ciência moderna : 1- O modelo dos campos neurais quântico-holográficos desenvolvido por Sir John Eccles e Karl Pribram. 2- A interpretação causal holográfica da teoria quântica desenvolvida por David Bohm. 3- As propriedades não-locais do campo quântico desenvolvidas por Hiroomi Umesawa. A idéia desenvolvida por Eccles de uma interconexão entre o cérebro e o espírito, por meio de microsítios quânticos denominados por ele dendrons, ( redes de dendritos ondulatórios) que se conectariam com os psychons (construtos filosóficos da mente), influenciou profundamente o desenvolvimento de minhas idéias nos anos 70, quando ainda estudante de medicina, pela primeira vez, entrei em contato com as idéias de Eccles. Oconceito que desenvolvo aqui é um conceito dinâmico de consciência baseado em um fluxo holoinformacional (informação não-local quântico-holográfica + informação local clássica newtoniana) interconectando a dinâmica quântica cerebral holográfica com a natureza quântico-holográfica do universo. Este fluxo holoinformacional é gerado pelo modo holográfico de tratamento da informação neuronal, que pode ser otimizado e harmonizado, por meio de práticas de meditação profunda, oração e outros estados de consciência ampliada. Estudos de mapeamento cerebral realizados durante a ocorrência desses estados elevados de consciência, demonstram um estado altamente sincronizado e perfeitamente ordenado das ondas cerebrais, que formam ondas harmônicas únicas, como se todas as freqüências de todos os neurônios de todos os centros cerebrais tocassem a mesma sinfonia ( Montecucco/ Di Biase). Este estado ondulatório cerebral altamente sincrônico, gera o campo informacional- holográfico cortical distribuído não-local, responsável pela auto-organização da consciência que interconecta o cérebro humano ao cosmos quântico-holográfico descrito pela teoria quântica de David Bohm. Como a informação holográfica se distribui por todo o sistema, os processos quânticos de interação entre dendrons e psychons, descritos por Eccles e Beck, não se limitam à fenda sináptica, como preconizado por eles, mas são muito mais amplos e holograficamente distribuídos por todo o cérebro. Como Pribram, vejo isto não como uma contradição, mas como uma extensão natural das idéias seminais de Eccles. Os campos neurais holográficos Karl Pribram vem dedicando sua vida à comprovação experimental de que o funcionamento cerebral, além das redes neurais clássicas, possui também um outro funcionamento de natureza quântico-holográfica. Sua teoria holonômica do funcionamento cerebral demonstrou a existência de um processo de tratamento holográfico da informação no córtex cerebral, denominado holograma neural multiplex, dependente dos neurônios de circuitos locais, que não apresentam fibras longas e cujos finos prolongamentos denominados teledendrons, não transmitem impulsos nervosos comuns. “São neurônios que funcionam no modo ondulatório, e são sobretudo responsáveis pelas conexões horizontais das camadas do tecido neural, conexões nas quais padrões de interferência holograficóides podem ser construídos”… “este aspecto muito diferente da função neural, tem sido, de modo sistemático, ignorado pela comunidade neurocientífica: o processamento que ocorre nos ramos mais finos do neurônio. Na extremidade distal de um axônio, onde ele faz sinapses e se conecta com outro neurônio, ele se divide em ramos denominados teledendrons, que se conectam aos dendritos (prolongamentos não axonais) de outras células, através de sinapses químicas e elétricas. Os teledendrons e os dendritos formam uma rede de finas fibras na qual ocorre um tipo de processamento que não envolve impulsos nervosos. Nestas redes ocorrem polarizações flutuantes (oscilatórias) – despolarizações e hiperpolarizações dependentes das diferenças de potencial elétrico nas membranas das finas fibras, o que constitui a base deste tipo de processamento. Minha hipótese é que o que nos torna conscientes, nossa experiência consciente, é devido ao que se passa nesta rede de processamento” (Pribram). Pribram descreveu ainda uma “equação de onda neural”, resultante do funcionamento das redes neurais holográficas, que é similar à equação de onda de Schrödinger, equação fundamental da teoria quântica. Este hologramaneural é um campo construído pelainteração dos campos eletromagnéticos dos teledendrons e dos dendritos dos neurônios, de modo similar ao que ocorre durante a interação das ondas sonoras no piano. Quando tocamos as teclas de um piano, estas percutem as cordas provocando vibrações sonoras que se misturam, gerando um padrão de interferência de ondas. A mistura das frequências sonoras é o que cria a harmonia, a música que ouvimos. Pribram demonstrou que um processo similar está ocorrendo continuamente no córtex cerebral, por meio da interpenetração dos campos eletromagnéticos dos neurônios adjacentes, gerando um campo harmônico de frequências eletromagnéticas. Este campo constituído por padrões de interferência de ondas harmônicas, tal como no exemplo do piano descrito acima, pode ser calculado pelas transformações de Fourier, e funciona tal como o holograma descrito pela matemática de Gabor. É um campo distribuído holograficamente, ie, simultaneamente, por todo o cérebro, codificando e armazenando em um vastíssimo campo de informação não-local, a memória, e a consciência no plano biológico. Na teoria holoinformacional da consciência proponho que este campo cortical, é capaz de nos interconectar ao campo quântico-holográfico subatômico da própria estrutura do universo, descrito na teoria quântica de David Bohm, sendo assim responsável pela emergência dos fenômenos de religação de nossa mente com o cosmos descritos como de natureza espiritual (lembramos que a palavra religião tem origem no latim religare). Tal como no piano a harmonia, a música que ouvimos, não está localizada no piano, mas no campo ressonante que o circunda, as memórias e a consciência de um indivíduo não estão localizadas somente no cérebro, mas também no campo de informação holográfica distribuído que o envolve, se interconectando instantaneamente de modo não-local ao campo quântico-holográfico universal. Os conceitos de arquivos akáshicos e consciência cósmica, das tradições espirituais orientais, são uma bela metáfora deste processo de interconexão universal! A Interconexão Matéria e Mente As formulações matemáticas que descrevem a curva harmônica resultante das interferências das ondas, são as transformações de Fourier, as quais Denis Gabor aplicou na criação do holograma, enriquecendo estas transformações com um modelo em que o padrão de interferência reconstrói a imagem virtual do objeto, pela aplicação do processo inverso. Ou seja, a partir da dimensão espectral de frequências, pode-se reconstruir matematicamente, e experimentalmente, o objeto na dimensão espaço-temporal. Como Pribram descreve de forma brilhante :“Um modo de interpretar o diagrama de Fourier é olhar a matéria como sendo uma “ex-formação”, uma forma de fluxo externalizada ( extrusa, palpável, concentrada). Por contraste, o pensamento e sua comunicação (mentalização) são a conseqüência de uma forma “internalizada” ( negentropica) de fluxo, sua in-formação.” E mais adiante: “Existem duas importantes vantagens conceituais nesta formulação: 1) mente inefável se transforma em in-formação definida pelas descrições quantitativas de Gabor e Shanonn , que se relacionam à termodinâmica; e 2) a compreensão que a matéria como a experienciamos é uma ex-formação, uma conceitualização espaço-temporal. Em um outro paper, Pribram refere que podemos instanciar ambos os lados da interação Cérebro/Mente de Eccles, e ir além afirmando que: “no lado cerebral da interação, Eccles claramente define o que está propondo: existem estruturas de fibras finas e suas conexões ( sinapses) que constituem o que ele denomina dendrons. Mas no lado mental da interação, ele postula a existência de unidades não definidas denominadas psychons. Presume que os psychons operam nas synapses por meio de processos quânticos. Temos boa evidência que os dendrons de Eccles constituem campos receptivos em unidades sensoriais corticais (Pribram 1991). Os dendrons são constituídos por teledendrons pré-sinapticos, sinapses e dendritos pós-sinápticos . Eles constituem as estruturas de fibras finas, onde os processos cerebrais ocorrem. Como campos receptivos gerados de modo sensorial, podem ser mapeados como ondas comprimidas de Gabor, ou padrões “wavelet-like”, descritos pelas Funções Elementares de Gabor. Dennis Gabor (1946) chamou essas unidades de informação, de Quanta de Informação. A razão para esse nome é que Gabor usou a mesma matemática para descrever suas unidades, que Heisenberg usou para descrever as unidades do quantum microfísico, na física quântica. Aqui elas definem a unidade estrutural de processos ocorrendo no cérebro material.No entanto, Gabor inventou esta função, não para descrever processos cerebrais, mas para encontrar a máxima compressibilidade de uma mensagem telefônica enviada através do Cabo Transatlântico, sem destruir sua inteligibilidade. A função de Gabor então descreve tanto uma unidade de processamento cerebral, como uma unidade de comunicação. O cérebro é material, mas comunicação é mental. A mesma formulação matemática descreve ambos. A estrutura elementar de processamento no dendron material de Eccles, é idêntica à estrutura elementar de processamento no psychon mental (comunicação). Existe uma identidade estrutural no processo interativo dual. Resumindo: A identidade estrutural entre um processo material cerebral e um processo mental de comunicação é dependente da função (wavelet) de Gabor. A função de Gabor efetiva de modo concreto, o processo interativo dual que Eccles e Popper estão propondo. Eccles coloca a interação no interior da synapse. Isto não é contraditório com a ênfase colocada nas propriedades do campo receptivo das arborizações das fibras finas pré e pós-sinápticas, exceto pelo fato de que a interação não é limitada à fenda sináptica.” O universo holográfico Este modo de organização holográfica, é tambem o que David Bohm aplicou à teoria quântica. No modelo de universo de Bohm, o espaço e o tempo são misturados, “embrulhados” em uma dimensão espectral de frequências, uma ordem oculta, implícita, sem relações espaço-temporais. Quando neste campo de frequências surgem flutuações, “ondulações” mais intensas, padrões semelhantes aos holográficos estruturam uma dimensão espaço-temporal, uma ordem explícita, que corresponderia ao nosso universo manifesto. Bohm afirma que “na ordem implícita tudo está introjetado em tudo. Todo o universo está em princípio introjetado em cada parte ativamente, por meio do holomovimento… O processo de introjeção não é meramente superficial ou passivo, e cada parte está num sentido fundamental, internamente relacionada em suas atividades básicas ao todo, e a todas as outras partes. Metáforas cabalísticas de um microcosmo refletindo o universo, e alquímicas como “tudo o que está em cima é igual a tudo o que está embaixo”, e concepções como “o todo no tudo e o tudo no todo” , de Hermes Trimegistus descritas no Cabaillon, assim como o simbolismo das afirmações judaico-cristãs do tipo “O pai está dentro de nós”, e “Assim na terra como no céu” , são exemplos de que essa concepção holográfica está enraizada nos arquétipos da consciência humana desde os mais antigos pensamentos registrados. Transcrevo abaixo a metáfora budista da Rede de Indra, que parece ser a primeira descrição de um sistema holográfico (ou como Capra coloca, de um sistema quântico bootstrap) na história humana, feita há cerca de 2500 anos. “No distante castelo celeste do grande deus Indra, existe uma maravilhosa rede de jóias preciosas dispostas de tal modo que se estendem infinitamente em todas as direções. Cada jóia é um “ôlho” brilhante da rede, e como a rede é infinita em todas as dimensões, as jóias são em número infinito. Suspensas como estrêlas brilhantes de primeira magnitude, são uma visão maravilhosa para os olhos. Se olharmos de perto uma das jóias, veremos em sua superfície o reflexo de todas as outras jóias, e que cada uma das jóias refletida nela, está refletindo também todas as outras jóias, num infinito processo de reflexão”. Segundo Francis Cook, a metáfora da Rede de Indra, “simboliza um cosmos em que existe uma infinita interrelação entre todas as partes, cada uma definindo e mantendo todas as outras. O cosmos é um organismo auto-referente, auto-mantenedor, e auto-criador.” É também não-teleológico, pois, “não existe um início do tempo, nem um conceito de criador, nem um questionamento sobre o propósito de tudo”. O universo é concebido como uma dádiva, sem hierarquia: “Não tem centro, ou talvez, se existe um, ele está em todo lugar” O Aspecto Quântico da Consciência A Dinâmica Quântica Cerebral Estudos experimentais desenvolvidos por Pribram e outros pesquisadores como Hameroff, Penrose, Yassue, Jibu, confirmaram a existência de uma dinâmica cerebral quântica, nos microtúbulos neurais, nas sinapses, e na organização molecular do líquido céfalorraquidiano, desvelando a possibilidade de formação de condensados Bose-Einstein, e a ocorrência do Efeito Frohlich nestes sistemas.Os condensados Bose-Einsteinconsistem de partículas atômicas, ou no caso do Efeito Frohlich, de moléculas biológicas, que assumem um elevado grau de alinhamento, funcionandocomo um estado altamente unificado e ordenado, tal como ocorre nos lasers e na supercondutividade. Jibu, Yasue and Pribram desenvolveram uma dinâmica quântica cerebral que é de natureza holonômica, baseada no conceito de logon, ie, na função (wavelets) de Gabor, e nas transformações de Fourier. Nessa concepção o universo e a própria estrutura quântico-holográfica da consciência, são concebidos como uma unidade, tal como na concepção de mônadas de Leibnitz. Em sua Monadologia, Leibnitz afirma que cada mônada , tal como um pequeno espelho, reflete em sua própria imagem o universo. Norbert Wiener também acreditava nessa maneira holográfica de se compreender o universo, como vemos em sua afirmação : “Esse espelhamento é melhor compreendido como um paralelismo, incompleto é verdade, entre a organização interna da mônada e a organização do mundo como um todo. A estrutura do microcosmos corre paralela àquela do macrocosmo” (Wiener, Back to Leibnitz). Acredito que o imenso padrão de interferências de todo o universo, incorporando todas as relações de fase, no que Bohm denomina Ordem Implícita, faça com que cada organismo seja um reflexo de todo o universo tal como uma mônada leibnitziana . Pribram afirma que além de cada organismo refletir o universo é possível que o universo esteja refletindo cada organismo que o observa. Portanto cada consciência está continuamente refletindo o todo, e o todo está refletindo cada consciência, por meio do fluxo holoinformacional em um processo dinâmico infinito, que é distribuído e auto-referencial. Biofótons, Microtúbulos e Superradiância Fritz Popp demonstrou que o corpo humano emite fótons de luz por ele denominados biofótons, e que esses biofótons são capazes de serem transmitidos através dos tecidos humanos por meio de um processo denominado superradiância, no qual não ocorre nenhuma perda de energia ou informação. Sabemos que os microtúbulos estudados por Hameroff e Penrose , são excepcionais condutores de pulsos de energia. Esses pulsos são transmitidos por túbulos que possuem as paredes constituídas pelas proteinas MAP2s que são modeladas de tal modo que os pulsos chegam inalterados ao outro extremo do microtúbulo. Hameroff descobriu ainda que existe um elevado grau de coerência quântica entre microtubulos vizinhos, e que eles poderiam funcionar como “dutos de luz” e “guias de ondas” para os fótons, enviando essas ondas de uma célula a outra através do cérebro sem perda de energia, exatamente como na superradiância. Este processo poderia organizar ou informar moléculas em um processo do tipo Efeito Frölich e agir sobre as moléculas dos sistemas do organismo humano de modo a energisá-las de modo positivo ou negativo. Richard Amoroso, e eu, estamos propondo uma nova teoria das doenças autoimunes, com base nesta possibilidade. É uma teoria imunológica noética com características auto-organizadoras e quântico-holísticas, perfeitamente compatível com a teoria clonal que deu o Premio Nobel a Niels Jerne. . Yasue and Jibu também demonstraram que a informação quântica deve se processar por meio de campos vibracionais e coerência quântica através dos microtúbulos. Pribram, Yasue, Hameroff e Scott Hagan do Dept of Physics da McGill University desenvolveram uma teoria sobre a consciência na qual os microtubulos e os dendritos podem ser vistos como a internet do corpo humano ( ver Quantum optical coherence in cytoskeletal microtubules: implications for brain function- BioSystems, 1994; 32: 95-209 ). Os microtúbulos dos dendritos são bem diferentes dos microtúbulos dos axônios. Nos axônios os microtúbulos têm todos a mesma polaridade, e são contínuos. Já os microtúbulos dendríticos são curtos e interrompidos, com polaridades misturadas, e interconectados pela MAP2, a proteína associada aos microtúbulos, específica dos dendritos. Segundo Hameroff, os circuitos MAP2 dos microtúbulos dendríticos são ideais para redes de processamento informacional, enquanto os microtúbulos axonais unipolares são ideais para transferência de informação. Por meio desse processamento quântico cada neurônio pode fazer login e ao mesmo tempo falar com outros neurônios simultaneamente, de modo não-local , como no fenômeno de entanglement, criando uma coerência global das ondas por todo o cérebro, e gerando o processo de superradiância. Os fótons poderiam assim ser transmitidos ao longo dos microtúbulos como se fossem transparentes, um processo físico conhecido como transparência auto-induzida, comunicando-se com todos os outros fótons do nosso corpo de modo instantâneo e não-local. Isso geraria uma cooperação coletiva das partículas subatômicas nos microtúbulos, que seria distribuída por todo o sistema nervoso e provavelmente por todas as células do nosso corpo. Este processo poderia explicar a unidade dos pensamentos e da consciência, e o processamento instantâneo em nosso cérebro. Os físicos italianos, Del Giudice and Preparata demonstraram que as moléculas de água no cérebro são campos de energia coerentes e se estendem até 3 nanometros, ou mais, para fora do citoesqueleto ( microtúbulos ), o que nos leva a pensar que as moléculas de água no interior dos microtúbulos possam estar ordenadas. Estes autores demonstraram que essa focalização e coerência de ondas pode produzir feixes de 15 nanômetros de diâmetros que é precisamente o diâmetro interno dos microtúbulos. Jibu e Hameroff chegaram à mesma conclusão demonstrando que os diâmetros internos de 15 nanômetros dos microtúbulos são perfeitos para guiar a luz de modo livre, sem perdas termais. Esses experimentos levaram Del Giudice and Preparata a propor uma conclusão paradigmática, que já ocorrera a Fritz Popp, de que a consciência é um fenômeno global ocorrendo em todo o organismo, e não somente no cérebro. O que nos lembra o conceito de chakras, os centros de consciência dispostos pelo corpo, descritos nas tradições espirituais orientais. Talvez a consciência seja luz coerente em sua essência, afirma Lyne McTaggart , em seu livro The Field. Kauffman, em seu mais recente livro Reinventing the Sacred, 2008, relata que as pesquisas com moléculas envolvidas no processo de fotossíntese, demonstraram que a molécula de clorofila que captura o fóton, e a proteína antena que a mantém, suportam um estado de coerência quântica por um tempo muito longo. Parece que a proteína antena suprime a decoerência, reinduzindo coerência em partes decoerentes da molécula de clorofila. Kauffman afirma que “ desde que a super elevada eficiência na transferência de energia luminosa para energia química é crítica para a vida, esses resultados sugerem muito fortemente que a seleção natural atuou sobre a proteína antena para melhorar sua habilidade de sustentar o estado de coerência quântica”. Este fato experimental demonstra dados que revelam ser o processamento quântico um fato corriqueiro nos organismos biológicos, e que a tão falada decoerência quântica em temperatura corporal, que tornaria impossível a ocorrência de fenômenos quânticos na temperatura cerebral, clamada pela maioria dos críticos das teorias quânticas da consciência, é uma falácia. A fotossíntese é a prova natural e a comprovação experimental da possibilidade de existir coerência quântica no cérebro. Unificando Mente e da Matéria Esses processos quânticos distribuídos por todo o organismo, nos permitem conceber uma teoria unificada da mente e da matéria tal como a totalidade cósmica indivisível de David Bohm, e conceber o universo, nosso corpo e a consciência como uma vasta e dinâmica rede holoinformacional inteligente de troca de informações, energia e matéria. Walter Schemp , o criador da holografia quântica, que hoje é a base do processamento de imagens por ressonância magnética, afirma segundo McTaggart, que todas as informações sobre os objetos em nosso universo, inclusive suas formas tridimensionais, dependem de flutuações que ocorrem no chamado Campo de Energia do Ponto Zero, um vastíssimo campo de energia preconizado por Puthoff. Na Teoria Holoinformacional esse campo de memória-informação corresponde ao campo quântico-holográfico universal, ou campo akhashico, conforme a terminologia de Laszlo, que em uma elaboração mais complexa e mais abrangente corresponderia ao Campo Noético de Richard Amoroso, co-autor comigo de diversos livros e trabalhos. Schempp conseguiu calcular, recuperar e reestruturar essas informações codificadas no campo holoinformacional em forma de imagens, nas máquinas de ressonância magnética utilizando as transformações de Fourier, a matemática holográfica de Gabor e uma complicada matemática que ele denomina simpletic spinor vector . Posteriormente com a colaboração de Marcer desenvolveu um mapa matemático de como a informação é processada no cérebro que é na verdade uma demonstração matemática da teoria de Pribram. Schemp e Marcer acreditam que nossas memórias estão no Campo do Ponto- Zero, que em minha proposta holoinformacional quântico-holográfica seriam o fluxo dinâmico holoinformacional entre o cérebro e o cosmos, de modo similar mas não idêntico ao holomovimento de Bohm. Como diz Mc Taggart : “Pribram e Yasue poderiam perfeitamente ter proposto que nossas memórias poderiam ser simplesmente, uma emissão coerente de ondas vindas desse Campo, e que as memórias a longo prazo seriam grupos estruturados de ondas de informação. Isso poderia explicar a instantaneidade deste tipo de memórias, que não necessitam de nenhum mecanismo de rastreamento que procure informações através de anos de memórias”. Seja qual for o mecanismo de recepção no cérebro, que como demonstrou Pribram, está distribuído por todo o tecido encefálico por meio da função holográfica de Gabor, ele está continuamente acessando o que denominamos Campo Holoinformacional Universal. A Consciência Holoinformacional A interação cérebro-universo tem que ser obrigatoriamente uma conexão não-local, pois é instantânea, o que nos levou a expandimos nossa idéia em direção à essa proposta holoinformacional não-local, na qual os padrões dinâmicos quânticos cerebrais com suas redes neurais e campos quântico-holográficos, são parte ativa do campo informacional quântico-holográfico cósmico, gerando uma interconexão informacional simultaneamente não-local (quântico-holística), e local (mecanicística-newtoniana), ou seja, holoinformacional. Aplicando a propriedadematemática básica dos sistemas holográficos, que demonstra que cada parte do sistema contem a informação de todo o sistema, aos dados matemáticos da física quântica de Bohm, e aos dados experimentais da teoria holográfica de Pribram, propusemos, que esta interconectividade universal, baseada nos campos quânticos não-locais de Umezawa, nos permite acessar toda a informação codificada nos padrões de interferência de ondas existentes no universo desde sua origem, pois a natureza holográfica distribuída do universo, faz com que cada parte, cada cérebro-consciência, contenha a informação do todo, tal como nas mônadas de Lebnitz. Para que esta conexão cérebro-universo possa se processar, é necessário aquietarmos nosso cérebro, sincronizando o funcionamento dos hemisférios cerebrais, e permitindo que o modo de tratamento holográfico da informação neuronal se otimize. Isto se consegue facilmente por meio das práticas de meditação, relaxamento e oração que comprovadamente sincronizam as ondas elétricas dos hemisférios cerebrais, e otimizam o tratamento holográfico da informação cortical, gerando um estado ampliado de consciência. Descrições das comprovações eletroencefalográficas e clínicas, com a respectiva bibliografia desse fenômeno podem ser encontradas em meu livro, O Homem Holístico, a unidade mente-natureza, Editora Vozes. Em sistemas auto-organizadores como o cérebro humano, os “correlatos neurais” da consciência, não são estruturados somente por complexificações das relações locais mecanicísticas da matéria, mas são primordialmente, gerados pelo campo quântico-holoinformacional inteligente auto-organizador universal. A partir dessa dimensão oculta, espectral, se forma (ex-forma) a realidade explícita, que é o nosso universo material manifesto. O cérebro, que é parte desta realidade manifesta, gera por sua vez, sua própria realidade espectral a partir dos campos quântico-holográficos, que se formam nos padrões de interferência de ondas, nas interseções das flutuações eletromagnéticas nas finas fibras telesinaptodendríticas descritas por Pribram. Pribram denomina esta realidade espectral de “domínio pré-espaço-temporal de realidade potencial, porque na realidade experienciada de cada momento navegamos no espaço-tempo”. O campo unificado da consciência O cosmos é constituído por matéria vida e consciência, que são processos informacionais significativos, isto é, processos inteligentes com significados,ie, ordem transmitida através da evolução cósmica. Um universo auto-organizado como um campo quântico-holográfico, pleno de informação significativa local e não-local (holoinformacional), é um universo inteligente que funciona como uma mente, como o astrônomo inglês Sir James Jeans já tinha observado: “O universo começa a se parecer cada vez mais com uma grande mente , do que com uma grande máquina”. Este campo quântico-holográfico universal pode ser compreendido como uma internet cósmica inteligente. Uma mente cósmica! Uma Consciência Holográfica Universal, como a Consciência Cósmica das tradições espirituais da humanidade! Em resumo, nesta concepção holoinformacional do cérebro e do universo, consciência e inteligência são compreendidos como informação, como ordem significativa que se auto-organiza e se complexifica. São dimensões, com níveis de complexidade diferentes, mas que se superpõem, sendo possível afirmar que a dimensão consciência-inteligência-informação sempre esteve presente em todos os níveis de organização da natureza. Matéria, vida e consciência não são entidades separadas, capazes de serem analisadas em um arcabouço conceitual cartesiano, analítico-reducionista, mas uma unidade holística indivisível, um campo quântico holoinformacional inteligente auto-organizadorque vem se desdobrando há bilhões de anos em uma infinita e dinâmica holoarquia cósmica. Einstein gostava de dizer “quero conhecer os pensamentos de Deus… o resto são detalhes”. Estes códigos informacionais que in-formam o Universo, são os verdadeiros pensamentos de Deus… aquilo que verdadeiramente nos religa à nossa fonte! Foram colocados à nossa disposição, oferecidos como uma dádiva que não temos como compreender! Sua utilização correta pelo homem, imerso neste todo holoinformacional gerador de vida e consciência, e capaz de acessar esse todo, deve estar direcionada para a preservação desta linguagem universal, por meio de uma ética de Reverência pela Vida! Esta, a nossa grande responsabilidade moral! O bem consiste em preservar a vida, em lhe dar suporte, em procurar levá-la ao seu mais alto valor. O mal consiste em destruir a vida, em ferí-la ou destruí-la em plena florescência. Albert Schweitzer, Prêmio Nobel da Paz Referências Amoroso, R.L (1999) An introduction to noetic field theory: The quantization of mind, The Noetic J 2:1, pp. 28-37. Amoroso, R.L, (2000b) Consciousness, a radical definition: Substance dualism solves the hard problem, In Amoroso, et all (eds.), Pribram,K.H., Grof, S., Sheldrake, R., Goswami,A., Di Biase, F., Science and the Primacy of Consciousness, Orinda: Noetic Press. 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