Técnicas

Na hipnose tradicional, observa-se que existem pessoas hipnotizáveis e outras que não conseguem entrar em transe, por mais que o hipnotizador se esforce. Isto se dá porque as pessoas não gostam de se sentir controladas. Geralmente, elas preferem sentir que não estão sendo forçadas a nada ou que tem várias opções a escolher.

Muitos psicólogos e psiquiatras, estudaram os métodos de Erickson a fim de tentar descobrir um padrão que pudesse lançar alguma luz às suas curas aparentemente milagrosas. Quando se perguntava a ele sobre sua técnica terapêutica, ele geralmente respondia que não sabia explicar. Apenas se preocupava em observar o cliente e segui-lo, fazendo-o que não se desviasse do caminho.

Foi a partir da observação de seu trabalho, que pôde-se descobrir muita coisa de seu modo de fazer terapia. A partir dessa observação, John Grinder e Richard Bandler (1), Gregory Bateson, William H. O’Hanlon, Ernest Rossi e outros, desenvolveram a Programação Neuro Linguística, que é considerada uma entre as diversas tentativas de sistematização dos métodos de Erickson.

Na abordagem hipnótica Ericksoniana, procura-se não introduzir qualquer conteúdo na indução, de modo que o próprio sujeito tenha a liberdade de escolher o tipo de experiência que quer ter. Desse modo, o hipnólogo, não corre o risco de introduzir sugestões que possam atrapalhar o aprofundamento do transe e elimina qualquer possibilidade de resistência, já que o paciente não se obriga a aceitar as sugestões. Na hipnose tradicional, geralmente é sugerido muito conteúdo que as vezes pode se chocar com as opiniões e fobias do sujeito. Como exemplo, com um cliente que tenha fobia por água, quando você sugere que ele está mergulhando em um lago, ele pode entrar em fobia e sair do transe.

De acordo com Erickson, os pacientes já tem em seu inconsciente todos os recursos necessários para resolver seus problemas e o terapeuta tem apenas que fazer com que eles entrem em contato com estes recursos. Erickson também procurava não entrar em choque com as crenças e opiniões do paciente. Ao contrário, usava qualquer coisa trazida pelo cliente para induzi-lo ao transe. Preocupava-se também em deixar opções ao paciente, para que ele não se sentisse forçado a nada, o que é a maior causa de resistência. Por isto, usava palavras de permissão como você pode e talvez. Ao invés de se dizer: você está vendo um lago, usa-se você pode estar vendo algum lugar muito relaxante. Desse modo, o sujeito não se sente pressionado a adaptar sua experiência à sugestão de um lago mas pode estar se vendo em um ambiente que para ele em especial é muito relaxante.

A hipnose Ericksoniana exige do hipnólogo um grande treino na observação das chamadas pistas não verbais, como pequenos movimentos dos olhos, posturas corporais, expressões faciais, etc. Ele pode, assim, adaptar sua linguagem, seus gestos e expressões, ao modo particular do cliente, preferindo sempre usar palavras do canal sensorial preferencial dele (Visual, Auditivo ou Sinestésico) e até imitar seus gestos e posturas de modo sutil para que não seja interpretado como uma grosseria. A isto se denomina Acompanhamento e Espelhamento. Pode-se também acompanhar o ritmo respiratório do cliente, falando quando ele inspira e intervalando a fala quando ele expira.

O hipnólogo permanece o tempo todo sintonizado no cliente, acompanhando suas reações, validando qualquer experiência que esteja percebendo, e reforçando tudo que observa. Dá apenas sugestões que tenha a certeza de que não entrarão em choque com a vivência do sujeito. Assim, só se fala em aprofundar o transe, quando é possível perceber sinais não verbais de que ele está entrando nele.

As principais estratégias usadas por ele estão no quadro abaixo, baseadas no livro de William H. O’Hanlon, Hipnose centrada na solução de problemas. (2)